Quem vive com diabetes não precisa ficar de fora das festas juninas, mas alguns cuidados com a alimentação podem fazer diferença no controle da glicemia durante esse período. Segundo a nutricionista e professora do curso de Nutrição da Universidade Guarulhos (UNG), Vanessa Lopes, não é necessário deixar de participar da festa ou eliminar completamente os alimentos típicos. O principal cuidado está na quantidade consumida e na forma como os alimentos são combinados durante a refeição.
“Não há alimento proibido para a pessoa com diabetes, mas cuidados com as combinações e quantidades ingeridas para minimizar os impactos nos níveis de açúcar no sangue.”
Quais comidas típicas exigem mais atenção no diabetes?

Alguns alimentos tradicionais das festas juninas contêm maior quantidade de açúcar e podem elevar a glicemia mais rapidamente. Por isso, eles pedem mais atenção durante a escolha das porções.
Entre eles estão:
- Pé-de-moleque;
- Paçoca;
- Doce de batata-doce;
- Doce de abóbora;
- Canjica;
- Arroz-doce;
- Maçã do amor;
- Algodão-doce;
- Frutas cobertas de chocolate.
Além dos doces, algumas bebidas também merecem cuidado. Vinho quente, quentão, refrigerantes e sucos adoçados podem contribuir para o aumento da glicose no sangue quando consumidos em excesso.
Como combinar os alimentos para reduzir os picos de glicemia
Segundo Vanessa Lopes, a forma de montar a refeição pode fazer diferença no controle da glicemia. Nesse contexto, combinar diferentes grupos alimentares ajuda a reduzir a velocidade de absorção dos carboidratos.
A nutricionista explica que carnes e frango fornecem proteínas. Já pães e massas contêm fibras. Quando esses alimentos fazem parte da refeição antes do doce, a digestão ocorre de forma mais lenta.
“Quando você consome carne ou frango, ricos em proteínas, associados a pães e massas, que possuem fibras, isso ajuda a retardar a digestão. Dessa forma, mesmo se consumir algum doce, o açúcar é liberado mais lentamente na corrente sanguínea, reduzindo os picos glicêmicos.”
Na prática, a orientação é iniciar a refeição por uma opção com proteína, como um lanche de carne ou frango. Depois disso, escolher o doce que deseja consumir. Dessa forma, a liberação da glicose acontece de maneira mais gradual.
Doces diet e zero também exigem cuidados
Muitas pessoas procuram versões diet ou zero açúcar durante a festa. No entanto, esses produtos também exigem atenção.
Segundo Vanessa Lopes, algumas versões de paçoca e doces à base de chocolate sem açúcar apresentam maior quantidade de gordura. Portanto, isso também pode interferir na glicemia ao longo do tempo.
“Apesar de existirem versões de paçoca e doces à base de chocolate sem açúcar, muitos deles apresentam maior quantidade de gordura. Esse excesso pode contribuir para o aumento da glicemia a longo prazo.”
Os refrigerantes diet e zero também merecem cuidado. Nesse caso, o motivo não é o açúcar, mas a maior quantidade de sódio presente em muitas dessas bebidas. O consumo excessivo pode favorecer inchaço e aumento da pressão arterial, um ponto importante para pessoas com diabetes, que também precisam cuidar da saúde cardiovascular.
Não chegar à festa com fome ajuda no controle alimentar
Para quem tem diabetes, outro cuidado começa antes mesmo da festa. Segundo a professora da UNG, permanecer muitas horas em jejum pode favorecer exageros durante a alimentação.
“Isso pode favorecer exageros e dificultar o controle alimentar. O ideal é manter uma dieta equilibrada ao longo do dia e, na festa, escolher aquilo que realmente deseja consumir.”
Por isso, a recomendação é manter a rotina alimentar normalmente ao longo do dia. Assim, fica mais fácil fazer escolhas conscientes durante a comemoração.
Dividir os doces pode ser uma estratégia
Como a maior parte das festas juninas não oferece opções específicas para pessoas com diabetes, controlar o tamanho das porções torna-se uma estratégia prática.
Uma alternativa sugerida pela nutricionista é dividir os doces com outras pessoas. Dessa forma, é possível experimentar diferentes preparações sem consumir grandes quantidades de um único alimento.
Além disso, Vanessa alerta para outro comportamento comum: somar pequenas porções de vários doces na mesma refeição. Mesmo quando são produtos diet ou zero, o consumo em excesso pode impactar a glicemia.
Diabetes não significa proibição dos alimentos
Para Vanessa Lopes, a relação com a alimentação também merece atenção.
Segundo a especialista, tratar os doces típicos como alimentos totalmente proibidos pode aumentar a vontade de consumi-los e favorecer episódios de compulsão alimentar.
“Esse tipo de pensamento pode aumentar a vontade de consumir o alimento e até favorecer episódios de compulsão alimentar.”
Nesse contexto, a orientação é investir em planejamento, controle das porções e escolhas conscientes. Assim, a pessoa com diabetes pode participar das festas juninas sem excluir alimentos da tradição e mantendo o cuidado com a glicemia.