No Dia Mundial do Chocolate, celebrado nesta terça-feira (07), a orientação para pessoas com diabetes não é cortar o alimento da rotina, mas entender como ele pode ser consumido. Segundo a nutricionista Tarcila Campos, especialista em diabetes e membro da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), tipo, porção e momento do consumo influenciam a resposta da glicose no sangue.
A orientação atual não recomenda a exclusão completa do chocolate da alimentação. Em vez disso, o foco está em fazer escolhas que reduzam o impacto na glicemia e permitam que o alimento faça parte da rotina de forma planejada.
Chocolate amargo é a opção mais indicada para quem tem diabetes
De acordo com Tarcila Campos, chocolates ao leite e chocolates brancos concentram maiores quantidades de açúcar e gordura, o que pode provocar uma elevação mais rápida da glicose no sangue.
Já o chocolate amargo, com pelo menos 60% de cacau, representa a opção mais indicada para pessoas com diabetes.
“Eles elevam a glicose de forma mais lenta e controlada”, explica a nutricionista.
Quanto maior o percentual de cacau, menor tende a ser a quantidade de açúcar presente no produto. Por isso, chocolates com 70% de cacau ou mais costumam ser escolhas mais favoráveis dentro de um plano alimentar.
Cacau também oferece outros benefícios
Além da diferença no impacto sobre a glicemia, o chocolate amargo contém fibras e flavonoides, compostos presentes no cacau.
Segundo Tarcila Campos, esses compostos podem melhorar a sensibilidade à insulina, reduzir processos inflamatórios e contribuir para a saúde cardiovascular. Esse ponto merece atenção porque pessoas com diabetes apresentam maior risco de desenvolver complicações nos vasos sanguíneos.
Os flavonoides também contribuem para melhorar a função endotelial, reduzir a pressão arterial e favorecer a circulação sanguínea.
Além disso, alguns estudos apontam que os compostos bioativos do cacau podem favorecer a função cerebral e reduzir o risco de doenças neurodegenerativas. O consumo moderado também está associado ao aumento da produção de serotonina, substância relacionada ao humor e que pode ajudar na redução do estresse. O controle do estresse também influencia o controle da glicemia.
Ler o rótulo ajuda na escolha
Antes de colocar o chocolate no carrinho, vale observar a lista de ingredientes.
“O ponto de atenção central é a lista de ingredientes. Se o açúcar aparece em primeiro lugar, significa que ele é o componente em maior quantidade. E isso vale tanto para quem tem diabetes quanto para quem não tem”, orienta Tarcila Campos.
Também é importante verificar a quantidade de carboidratos por porção e identificar a presença de açúcares adicionados. De forma geral, quanto mais simples for a lista de ingredientes e maior for o percentual de cacau, melhor tende a ser a escolha.
Quantidade e momento do consumo também influenciam
Mesmo o chocolate amargo deve ser consumido em porções moderadas. A recomendação geral é consumir entre 20 e 30 gramas por vez, o equivalente a dois ou três quadradinhos de uma barra. No entanto, essa quantidade pode variar conforme o plano alimentar de cada pessoa.
Quem utiliza a contagem de carboidratos também deve incluir o chocolate no cálculo, assim como qualquer outro alimento fonte de carboidrato.
O momento do consumo também interfere na resposta da glicemia.
“A dica é consumir chocolate junto com uma refeição que contenha proteínas, fibras e gorduras saudáveis pode ajudar a minimizar o impacto na glicemia”, explica Tarcila Campos.
Consumir chocolate após uma refeição costuma provocar uma resposta diferente daquela observada quando o alimento é ingerido em jejum ou isoladamente.
Alimentação consciente pode ajudar a comer menos
Outra estratégia recomendada pela nutricionista é praticar o mindful eating, conhecido como alimentação consciente.
A proposta consiste em prestar atenção ao alimento durante o consumo, sem distrações.
“Separe dois quadradinhos de chocolate 70% ou mais, coloque um pedaço na boca, feche os olhos e deixe o chocolate ir derretendo sem morder. Essa plena experiência permite apreciar melhor o sabor, a textura, o aroma e todo o potencial do chocolate, sem distrações”, orienta Tarcila Campos.
Segundo a especialista, essa prática aumenta a percepção de prazer e pode facilitar o consumo de uma quantidade menor.
5 dicas para comer chocolate no Dia Mundial do Chocolate tendo diabetes
- Escolha chocolates com pelo menos 60% de cacau, dando preferência aos que possuem 70% ou mais.
- Leia a lista de ingredientes e evite produtos em que o açúcar aparece como primeiro ingrediente.
- Consuma entre 20 e 30 gramas por vez, respeitando seu plano alimentar.
- Prefira comer o chocolate após refeições que contenham proteínas, fibras e gorduras saudáveis.
- Faça alimentação consciente, apreciando o chocolate sem distrações e em pequenas porções.
Monitorar a glicemia ajuda a entender a resposta do organismo
Cada organismo responde de forma diferente ao consumo de chocolate. Por isso, pessoas que utilizam insulina podem acompanhar a glicemia após o consumo para observar como o organismo reage. Esse monitoramento também pode auxiliar nos ajustes do plano alimentar junto ao nutricionista ou endocrinologista.
