Quem convive com diabetes costuma prestar atenção na quantidade de açúcar dos alimentos. No entanto, um detalhe frequentemente ignorado pode influenciar diretamente a glicose: a forma como as frutas são combinadas nas refeições. Segundo a nutricionista educadora em diabetes Tarcila Campos, algumas associações podem aumentar a carga de carboidratos consumida sem que a pessoa perceba.
Durante participação no DiabetesCast, a especialista explicou que todas as frutas contêm frutose, o açúcar natural da fruta. Quando consumida, essa frutose é transformada em glicose no organismo. Portanto, a quantidade ingerida continua sendo um dos fatores mais importantes para quem busca controle glicêmico.
Fruta não é proibida pra quem tem diabetes
Segundo Tarcila Campos, um dos erros mais comuns é dividir as frutas entre permitidas e proibidas. Ela afirma que frutas como banana, manga, melancia, uva e laranja podem fazer parte da alimentação de pessoas com diabetes. No entanto, a quantidade consumida faz diferença.
Nesse contexto, a nutricionista destaca que o foco deve estar no tamanho das porções e na composição da refeição. Além disso, ela lembra que cada pessoa apresenta uma resposta diferente aos alimentos, especialmente quando existem diabetes tipo 1, diabetes tipo 2 ou pré-diabetes.
A combinação da fruta pode mudar o impacto na glicose
Para explicar como isso acontece, Tarcila Campos usa o exemplo da banana. Segundo ela, uma banana pode conter entre 20 e 25 gramas de carboidrato, dependendo do tamanho. No entanto, muitas pessoas adicionam aveia, mel, leite ou iogurte sem considerar o total de carboidratos consumidos.
Nesse cenário, um lanche que parecia simples pode alcançar cerca de 50 gramas de carboidrato. Portanto, a combinação dos alimentos passa a ter um papel importante no controle da glicose.
A nutricionista explica que aveia e leite também contêm carboidratos. Por outro lado, ingredientes como chia e castanhas podem complementar a refeição sem aumentar tanto essa carga.
Chia e castanhas aparecem como alternativas
Segundo Tarcila Campos, algumas combinações ajudam a equilibrar melhor a refeição. Ela cita o uso de sementes de chia e castanhas junto das frutas como alternativas para quem deseja reduzir o impacto glicêmico sem abrir mão do sabor.
Além disso, essas combinações permitem variar os lanches ao longo do dia. Enquanto isso, o excesso de ingredientes ricos em carboidratos pode aumentar mais rapidamente a glicose após a refeição.
A forma de consumir a fruta também interfere
A especialista também chama atenção para outro detalhe que costuma passar despercebido. Segundo ela, comer uma fruta em pedaços produz um efeito diferente de consumir a mesma fruta amassada ou batida.
Isso acontece porque a estrutura do alimento influencia a digestão e a absorção dos carboidratos. Portanto, frutas consumidas em preparações líquidas tendem a ser absorvidas mais rapidamente pelo organismo.
Ao comentar o exemplo da banana, Tarcila explica que amassar a fruta e acrescentar mel significa unir uma digestão mais rápida ao açúcar adicionado.
Suco merece atenção especial
Outro ponto destacado pela nutricionista envolve os sucos. Segundo ela, o processo de transformar frutas em bebida concentra carboidratos e acelera a absorção.
Ela cita o caso do suco integral de uva. Embora seja produzido apenas com a fruta e sem adição de açúcar, um copo de 200 ml pode conter cerca de 30 gramas de carboidrato. Além disso, por estar na forma líquida, o organismo absorve esse conteúdo de maneira mais rápida.
Por esse motivo, a especialista afirma que muitas vezes vale mais a pena consumir a fruta inteira do que o suco.
Controle glicêmico envolve contexto e não apenas um alimento
Ao longo da entrevista, Tarcila Campos reforça que o controle da glicose depende de um conjunto de fatores. Segundo ela, não existe uma regra única para todas as pessoas.
Nesse contexto, a nutricionista recomenda observar a quantidade consumida, o momento da refeição e os alimentos que acompanham a fruta. Além disso, ela sugere usar a palma da mão como referência prática para ajudar no controle das porções.
Ela também lembra que frutas fornecem vitaminas, minerais e fibras. Portanto, a orientação não é retirar esses alimentos da rotina, mas entender como inseri-los de forma compatível com os objetivos de controle glicêmico.
