Um vídeo que ultrapassou 2 milhões de visualizações chamou atenção ao mostrar a rotina de Duncan, um pitbull que convive com diabetes em cachorro desde filhote. Hoje, com quase 7 anos, ele permanece tranquilo durante um teste de glicemia, exame que faz parte do acompanhamento da doença e ajuda a avaliar os níveis de glicose no sangue.
A reação do animal despertou dúvidas sobre como o diabetes afeta cães, quais são os principais sinais da doença e por que o tratamento é diferente do realizado em gatos.
Diabetes em cachorro é diferente do diabetes em gatos
Embora cães e gatos possam desenvolver diabetes, o tipo mais comum da doença varia entre as espécies. Essa diferença interfere diretamente no tratamento e nas possibilidades de controle.
Segundo a médica-veterinária endocrinologista Profa. Dra. Sofia Borin Crivellenti, professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e membro da diretoria da Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (ABEV), os cães apresentam, na maioria dos casos, diabetes mellitus tipo 1.
Nesse tipo da doença, o pâncreas perde a capacidade de produzir insulina, hormônio responsável por permitir a entrada da glicose nas células. A principal hipótese é que isso ocorra por uma doença imunomediada, na qual o próprio organismo destrói as células produtoras de insulina.
Como consequência, o cachorro passa a depender da aplicação de insulina durante toda a vida.
Já os gatos desenvolvem, com maior frequência, diabetes tipo 2. Nesses casos, o organismo ainda produz insulina, porém apresenta resistência à ação desse hormônio.
Além disso, cães e gatos também podem desenvolver diabetes tipo 3, forma menos frequente da doença. Nos cães, ela costuma estar relacionada ao hipercortisolismo, conhecido como síndrome de Cushing. Nos gatos, uma das doenças associadas é a acromegalia.
Quais sinais podem indicar diabetes em cães e gatos?
Os sinais costumam ser semelhantes nas duas espécies. Entre os principais estão:
- aumento da ingestão de água;
- aumento da produção de urina;
- aumento do apetite;
- perda de peso.
Nos cães, também pode ocorrer perda de musculatura, principalmente na região das costas, além do desenvolvimento de catarata.
Nos gatos, existe um sinal característico. Em vez de apoiarem apenas as pontas das patas, eles passam a caminhar com toda a pata encostando no chão. Essa alteração recebe o nome de andar plantígrado ou palmígrado.
Como é feito o diagnóstico do diabetes em cachorro?
O diagnóstico segue critérios semelhantes para cães e gatos. O médico-veterinário avalia os sinais clínicos e confirma a doença por meio da presença de hiperglicemia, que corresponde ao aumento da glicose no sangue, e da glicosúria, que é a presença de glicose na urina.
Apesar do diagnóstico ser parecido entre as espécies, o tratamento apresenta diferenças importantes.
Os cães precisam utilizar insulina durante toda a vida. Já alguns gatos podem entrar em remissão quando a glicemia é controlada rapidamente e os fatores que causam resistência à insulina são identificados e tratados.
A especialista explica que remissão não significa cura. Isso apenas indica que, por determinado período, o animal pode deixar de precisar da aplicação de insulina.
Alimentação, monitoramento e atividade física fazem parte do tratamento
O tratamento do diabetes em cães e gatos envolve mais do que a aplicação de insulina.
A alimentação deve ser adaptada à condição do animal. Existem dietas formuladas para ajudar na estabilidade da glicemia, no controle do apetite e na manutenção do peso corporal.
O monitoramento da glicose pode ser realizado com glicosímetros ou por sistemas flash de monitoramento, que utilizam sensores capazes de medir continuamente a glicose sem necessidade de perfurações frequentes.
A frequência das medições depende do tipo de insulina utilizada e deve ser definida pelo médico-veterinário.
A especialista ressalta que uma única medição da glicemia não representa, sozinha, o controle da doença. O resultado pode variar conforme a alimentação, a atividade física e outras condições de saúde do animal.
A prática regular de exercícios também integra o tratamento. Caminhadas leves ajudam os cães a controlar melhor a glicemia e manter o peso corporal. Nos gatos, brincadeiras e atividades que estimulam o movimento também contribuem para esse controle.
É possível prevenir o diabetes em pets?
A possibilidade de prevenção depende do tipo de diabetes. Nos cães, o diabetes tipo 1 não pode ser prevenido.
Já nos gatos, reduzir a obesidade e o sedentarismo ajuda a diminuir o risco de diabetes tipo 2.
Além disso, identificar e tratar doenças endócrinas pode reduzir o risco de diabetes tipo 3 em cães e gatos.
Cetoacidose diabética exige atendimento imediato
A complicação mais grave do diabetes é a cetoacidose diabética.
Ela ocorre quando a falta de insulina faz o organismo utilizar gordura como fonte de energia, levando ao acúmulo de corpos cetônicos.
Nessa situação, o animal pode apresentar perda do apetite, desidratação, vômitos, diarreia, sonolência, dificuldade para respirar, coma e até hálito com cheiro de acetona.
Segundo Sofia Borin Crivellenti, seguir corretamente o tratamento, manter as consultas de acompanhamento, controlar pulgas e carrapatos, manter vacinação e vermifugação em dia e considerar a castração são medidas que ajudam a reduzir esse risco.
A especialista também destaca que o diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento antes do surgimento de complicações. Nos gatos, isso também aumenta a chance de remissão da doença.
