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    Tratamento

    Quanto custa viver com diabetes nos EUA? Seguro de saúde pode mudar toda a conta

    Nos Estados Unidos, o custo do tratamento varia conforme o seguro, o estado e os medicamentos utilizados.
    Estefane Moitinho6 de setembro de 2026Nenhum comentário9 Mins Read
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    Pessoa segura caixa de insulina Lyumjev e sensor Dexcom G7 dentro de um carro
    Insulina Lyumjev e sistema de monitorização contínua da glicose Dexcom G7.
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    “Quanto custa não morrer de diabetes nos Estados Unidos? Depende de quem te contratou.”

    A frase foi dita por um médico que vive nos Estados Unidos e também tem diabetes. Em um vídeo que viralizou nas redes sociais, ele mostrou os produtos que utiliza no tratamento e comparou o preço dos itens sem seguro com o valor que efetivamente paga.

    Entre os produtos apresentados estão a insulina Lyumjev, de ação ultrarrápida, e um sensor para monitoramento contínuo da glicose. Segundo o relato, a conta chegaria a quase US$ 600, cerca de R$ 3.060. Com o plano de saúde oferecido pelo empregador, porém, ele afirma ter desembolsado US$ 35, aproximadamente R$ 179, pela insulina e nada pelo sensor.

    O exemplo chama atenção, mas não representa uma regra para todas as pessoas com diabetes que vivem nos Estados Unidos. O valor pago pelo paciente pode mudar conforme o tipo de seguro, o empregador, o estado onde mora, as regras do plano e os medicamentos e dispositivos utilizados.

    O diabetes representa um alto custo para o sistema de saúde

    O impacto financeiro do diabetes nos Estados Unidos é expressivo. Um estudo publicado pela American Diabetes Association na revista Diabetes Care estimou que, em 2022, pessoas diagnosticadas com diabetes tiveram despesas médicas médias de US$ 19.736 por ano, o equivalente a aproximadamente R$ 100.700.

    Desse total, US$ 12.022, cerca de R$ 61.300, foram atribuídos diretamente ao diabetes. O levantamento considerou gastos com consultas, hospitalizações, medicamentos, insulina, materiais para o tratamento e outras despesas relacionadas à assistência médica.

    O estudo também estimou que as despesas médicas das pessoas com diabetes eram, em média, 2,6 vezes maiores do que seriam esperadas para pessoas de idade e sexo semelhantes sem a doença.

    Esses números representam os gastos médicos totais e não necessariamente quanto o paciente paga do próprio bolso, já que incluem valores pagos por seguradoras, programas públicos e pacientes.

    O seguro define parte importante da conta

    Nos Estados Unidos, uma parcela do tratamento pode ser coberta pelo seguro, mas o paciente ainda pode pagar mensalidades, franquia, copagamentos ou uma porcentagem do valor de determinados serviços.

    A franquia é o valor pago antes que o plano passe a assumir determinadas despesas. O copagamento corresponde a uma quantia fixa cobrada em alguns atendimentos ou medicamentos. No cosseguro, o paciente paga uma porcentagem do custo.

    Também existe o limite anual de despesas do próprio bolso para determinados serviços cobertos. Nos planos do Marketplace, esse limite pode chegar, em 2026, a US$ 10.600, aproximadamente R$ 54 mil, para uma pessoa. Para uma família, pode chegar a US$ 21.200, cerca de R$ 108 mil.

    Esse limite não inclui necessariamente a mensalidade do seguro nem despesas com serviços não cobertos ou realizados fora das condições previstas pelo plano.

    Por isso, ter seguro não significa tratamento gratuito. A cobertura pode reduzir o valor pago diretamente pelo paciente, mas ainda pode existir uma parcela significativa de despesas.

    O emprego pode influenciar o acesso ao tratamento

    O seguro oferecido pelo empregador é uma das principais formas de cobertura de saúde para adultos em idade de trabalhar nos Estados Unidos.

    Segundo a KFF, o custo médio anual de um plano de saúde empresarial em 2025 era de US$ 9.325, aproximadamente R$ 47.600, para cobertura individual. Na cobertura familiar, a média chegou a US$ 26.993, cerca de R$ 137.700.

    O trabalhador, porém, não necessariamente paga todo esse valor. Em média, sua contribuição anual foi de US$ 1.440, aproximadamente R$ 7.300, para cobertura individual e US$ 6.850, cerca de R$ 34.900, para cobertura familiar. O restante é financiado pelo empregador.

    Para uma pessoa com diabetes, o tipo de plano pode fazer diferença na rotina. As regras determinam quais medicamentos são cobertos, quanto será pago por consultas e exames e quais dispositivos de monitoramento estão incluídos.

    Uma mudança de emprego também pode significar uma mudança na cobertura de saúde. É nesse contexto que o vídeo viralizado ganha relevância. O médico mostra como o plano oferecido pelo empregador pode transformar o valor que chega ao bolso do paciente.

    O estado onde a pessoa mora também faz diferença

    Os Estados Unidos não possuem uma única regra para todos os seguros de saúde privados.

    Alguns estados estabeleceram limites para o valor que determinados segurados podem pagar pela insulina. Segundo a American Diabetes Association, 29 estados e o Distrito de Columbia possuem algum tipo de limite para copagamentos de insulina em planos comerciais regulamentados pelos estados.

    Os valores variam.

    No Alabama, por exemplo, existe limite de US$ 100 para uma quantidade de insulina suficiente para 30 dias. Em Connecticut, o limite é de US$ 25. Na Califórnia, determinados planos têm limite de US$ 35 para 30 dias de insulina.

    Essas regras não significam que qualquer pessoa nesses estados pagará automaticamente aquele valor. Os limites dependem do tipo de plano e da legislação aplicável.

    Assim, duas pessoas que usam a mesma insulina podem ter despesas diferentes mesmo vivendo no mesmo país.

    O preço sem seguro pode ser muito diferente do valor pago

    Outra característica do sistema norte-americano é a diferença entre o preço de referência de um medicamento ou dispositivo e o valor efetivamente desembolsado pelo paciente.

    O preço apresentado no mercado não necessariamente será o valor final pago por quem possui seguro. O plano pode negociar preços, estabelecer copagamentos ou assumir parte da despesa.

    Também existem programas de desconto e assistência oferecidos por fabricantes para determinados medicamentos e grupos de pacientes.

    Por isso, o valor mostrado no vídeo deve ser entendido como um exemplo individual. A comparação feita pelo médico mostra a diferença entre o preço considerado sem a cobertura do plano e aquilo que ele pagou dentro das condições específicas do seu seguro.

    Para quem não possui cobertura adequada, entretanto, medicamentos e insumos usados continuamente podem representar uma despesa importante, incluindo insulina, medicamentos, tiras de glicemia, agulhas, sensores, consultas e exames.

    Medicare tem regras específicas para a insulina

    A situação também muda para pessoas atendidas pelo Medicare, programa federal destinado principalmente a pessoas com 65 anos ou mais e a alguns outros grupos que atendem aos critérios de elegibilidade.

    Desde 2023, determinados beneficiários do Medicare passaram a contar com limite de US$ 35 por mês para a insulina coberta. Em 2026, a regra estabelece que o valor máximo de participação para um mês de fornecimento de cada insulina coberta pelo Medicare Part D é o menor entre US$ 35, 25% do preço máximo definido no programa de negociação de medicamentos ou 25% do preço negociado pelo plano.

    O valor de US$ 35 mostrado no vídeo, portanto, não deve ser apresentado como preço universal da insulina nos Estados Unidos. Ele corresponde à situação específica relatada pelo médico e também pode aparecer em determinados contextos de cobertura previstos na legislação.

    Medicaid também depende do estado

    O Medicaid é outro programa público de saúde disponível para pessoas que atendem aos critérios de elegibilidade, principalmente relacionados à renda e a determinados grupos.

    Em agosto de 2026, 41 estados, incluindo Washington, D.C., haviam adotado a expansão do Medicaid prevista pela Affordable Care Act. Outros 10 estados ainda não haviam adotado a expansão.

    A expansão ampliou a possibilidade de cobertura para adultos de baixa renda dentro de critérios definidos pelo programa. Como os estados participam da administração do Medicaid, existem diferenças nas regras e na cobertura disponível.

    Para uma pessoa com diabetes e renda mais baixa, isso pode representar uma diferença importante nas possibilidades de acesso ao cuidado.

    As regras atuais protegem pessoas com diabetes de uma condição preexistente

    Outra mudança importante veio com a Affordable Care Act.

    Nos planos do Marketplace, as seguradoras não podem recusar uma pessoa ou cobrar um valor maior simplesmente porque ela possui uma condição de saúde preexistente. O diabetes está entre as condições que entram nessa proteção.

    Isso significa que uma pessoa que já tinha diabetes antes de contratar o plano não pode ser excluída da cobertura por esse motivo.

    A proteção, entretanto, não elimina os custos do seguro. O beneficiário continua sujeito às regras financeiras do plano, incluindo mensalidades, franquias, copagamentos e cosseguro.

    No Brasil, o tratamento segue outra lógica de financiamento

    A comparação com o Brasil ajuda a entender por que a experiência pode ser diferente.

    No país, uma pessoa com diabetes pode buscar atendimento pelo Sistema Único de Saúde sem precisar contratar um seguro privado. O Ministério da Saúde informa que o SUS oferece acompanhamento integral e gratuito para pessoas com diabetes, incluindo tratamento medicamentoso e insulinas.

    Para o monitoramento da glicemia, a rede pública também disponibiliza determinados insumos dentro dos critérios estabelecidos. O Programa Farmácia Popular oferece gratuitamente medicamentos e insulinas para diabetes em farmácias credenciadas.

    Isso não significa que toda tecnologia ou medicamento disponível no mercado esteja automaticamente disponível para todos os pacientes pelo SUS. A incorporação de novas tecnologias depende de avaliações e critérios específicos.

    A principal diferença está na forma de financiamento. No Brasil, existe uma rede pública universal que permite o acesso ao cuidado independentemente da contratação de um seguro de saúde. Nos Estados Unidos, a cobertura é dividida entre diferentes modelos, como seguros empresariais, planos individuais e programas públicos.

    O seguro pode determinar o acesso ao tratamento

    O caso mostrado pelo médico evidencia como a cobertura de saúde pode alterar significativamente o custo do tratamento de uma pessoa com diabetes nos Estados Unidos.

    O valor de medicamentos e dispositivos pode ser alto, mas a parcela efetivamente paga pelo paciente depende das regras do plano, da cobertura oferecida pelo empregador, do estado onde a pessoa vive e dos programas públicos ou de assistência aos quais tem acesso.

    Para quem convive com diabetes, essa diferença pode representar centenas ou milhares de dólares ao longo do ano. No sistema norte-americano, o custo do tratamento está diretamente ligado à forma como cada pessoa está inserida no sistema de saúde.

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    Estefane Moitinho

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