O tratamento do diabetes pode incluir diferentes tipos de insulina. Entre as mais conhecidas estão a NPH, a regular e a glargina. Cada uma possui tempo de ação, indicação e forma de uso diferentes. Além disso, o acesso pelo Sistema Único de Saúde (SUS) também muda conforme o tipo prescrito.
Muitas pessoas recebem o diagnóstico e encontram nomes diferentes nas receitas médicas. Isso costuma gerar dúvidas sobre horários de aplicação, efeito no organismo e disponibilidade no SUS.
O que é a insulina no tratamento do diabetes
A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas. Ela ajuda a glicose a entrar nas células para gerar energia. Quando esse processo não acontece de forma adequada, a glicose aumenta no sangue.
No diabetes tipo 1, o organismo deixa de produzir insulina. Nesses casos, a aplicação diária passa a ser necessária desde o diagnóstico. Já no diabetes tipo 2, parte dos pacientes ainda produz insulina, mas o organismo apresenta dificuldade para utilizá-la.
Com o avanço do diabetes tipo 2, algumas pessoas também passam a precisar de insulina.
Diferença entre NPH, regular e glargina
Os tipos de insulina são classificados conforme o tempo que levam para começar a agir e a duração do efeito no organismo.
NPH
A NPH é uma insulina de ação intermediária. Ela possui aparência leitosa e costuma ser usada para manter o controle da glicose entre as refeições e durante a madrugada. O objetivo da NPH é atuar como insulina basal. Em muitos casos, a aplicação ocorre duas vezes ao dia.
O SUS oferece a insulina NPH gratuitamente nas unidades de saúde. Muitas pessoas ainda utilizam esquemas com NPH e regular várias vezes ao dia, dependendo da resposta do organismo ao tratamento do diabetes.
Regular
A insulina regular é uma insulina de ação curta. Ela começa a agir entre 30 e 60 minutos após a aplicação. Esse tipo costuma ser utilizado antes das refeições para ajudar no controle da glicose após o consumo de carboidratos. Como o efeito não é imediato, a aplicação geralmente precisa acontecer algum tempo antes da alimentação. A insulina regular também está disponível gratuitamente no SUS para o tratamento do diabetes.
Glargina
A glargina é uma insulina de ação prolongada. Ela foi desenvolvida para manter o controle basal da glicose durante aproximadamente 24 horas. Diferente da NPH, a glargina apresenta ação mais estável e menor risco de hipoglicemia. Normalmente, ela exige apenas uma aplicação diária em horário fixo. A glargina faz parte do grupo conhecido como análogos de insulina.
SUS começou a substituir a NPH pela glargina
O Ministério da Saúde iniciou um processo de transição da insulina NPH para a glargina no SUS. A mudança começou em formato de projeto-piloto no Paraná, Paraíba, Amapá e Distrito Federal. Inicialmente, o foco está em crianças, adolescentes com diabetes tipo 1 e idosos acima de 80 anos.
Segundo reportagem publicada pelo Portal Um Diabético, a substituição ocorreu por causa da ampliação do acesso aos análogos de insulina e pelas dificuldades no fornecimento de insulinas humanas.
A troca não acontece automaticamente. O médico precisa avaliar dose, rotina e resposta glicêmica antes da substituição.
Outra diferença envolve a rotina de aplicação. A NPH precisa ser homogeneizada antes do uso e possui picos de ação ao longo do dia. Já a glargina libera insulina de forma contínua.
Como pegar insulina pelo SUS
A NPH e regular fazem parte da rede básica do SUS. A retirada normalmente acontece em Unidades Básicas de Saúde ou farmácias públicas, mediante apresentação de receita médica, documento pessoal e cartão do SUS.
Já a glargina costuma exigir cadastro em programas estaduais ou municipais. Em muitos locais, o paciente precisa apresentar laudo médico e exames.
Parte das pessoas ainda enfrenta dificuldades no acesso a endocrinologistas e acompanhamento especializado no sistema público.
Insulinas mais modernas já fazem parte da rotina de alguns pacientes
Além da NPH, regular e glargina, existem insulinas ultrarrápidas e opções de ação prolongada mais recentes. Entre elas estão lispro, asparte, glulisina e degludeca. Algumas começam a agir em poucos minutos e são utilizadas antes das refeições.
Também existe expectativa sobre a chegada de insulinas semanais no Brasil. Essas versões já existem em outros países e seguem em análise regulatória. A troca de dose, tipo ou horário da insulina não deve ser feita sem orientação médica.
