Conviver com diabetes tipo 1 vai além da aplicação diária de insulina. Para muitas pessoas, o tratamento também envolve medo de hipoglicemia, dificuldades financeiras e impacto emocional. Foi justamente essa realidade que levou a jovem Cibelly Pereira Ferraz de Souza e Silva, de 19 anos, a emocionar milhares de pessoas nas redes sociais ao abrir, pela primeira vez, um sensor de glicose FreeStyle Libre.
Moradora de São Sebastião, no Distrito Federal, Cibelly gravou um vídeo chorando ao receber o dispositivo. Segundo ela, o sensor sempre foi um sonho desde o diagnóstico do diabetes, que aconteceu quando tinha 11 anos.
Diabetes tipo 1 mudou a rotina ainda na infância
Cibelly contou ao jornalismo do Um Diabético que descobriu o diabetes após apresentar sintomas como sede excessiva, cãibras frequentes e aumento da glicose. A confirmação aconteceu depois de exames de sangue realizados em Minas Gerais, onde morava na época.
Ela foi internada no Hospital Materno Infantil de Brasília e iniciou o tratamento ainda na infância. No entanto, a adaptação ao diabetes não aconteceu de forma simples.
Segundo a jovem, o primeiro contato com o diagnóstico gerou medo. Além disso, ela afirma que enfrentou dificuldades psicológicas durante a adolescência, principalmente relacionadas à vergonha de aplicar insulina e medir a glicose em público.
“Eu tinha vergonha de mostrar para o mundo que eu tinha diabetes”, relatou.
Enquanto estudava no ensino médio, Cibelly diz que evitava aplicar insulina perto de colegas. No entanto, afirma que começou a lidar melhor com a condição após concluir os estudos.
Sensor de glicose surgiu como ferramenta de segurança
No vídeo, Cibelly explica que o maior motivo para desejar o sensor de glicose estava relacionado ao medo das hipoglicemias durante a madrugada.
Segundo ela, já houve momentos em que deixou de aplicar insulina à noite por receio de a glicose cair enquanto dormia. Além disso, relatou medo de morar sozinha e passar mal sem conseguir pedir ajuda.
Nesse contexto, o sensor apareceu como uma possibilidade de aumentar a segurança no tratamento. Isso porque o dispositivo emite alertas quando a glicose sobe ou cai rapidamente.
“Eu não quero viver com medo”, afirmou.
A jovem também destacou que sensores e bombas de insulina não substituem os cuidados diários, mas podem ajudar pessoas com diabetes a monitorarem a glicose de forma mais frequente.
Alto custo dificulta acesso à tecnologia no diabetes
Cibelly contou que tentou conseguir acesso ao sensor pelo SUS. No entanto, afirmou que nunca conseguiu atender aos critérios exigidos para receber a tecnologia.
Segundo ela, o controle glicêmico inadequado acabou se tornando um obstáculo para obter justamente um recurso que poderia auxiliar na melhora da glicemia.
Além disso, a jovem disse que tentou solicitar auxílio pelo INSS para ajudar nos custos do tratamento, mas não obteve aprovação.
O primeiro sensor foi comprado após uma promoção divulgada em grupos de pessoas com diabetes. A entrega aconteceu no local onde ela trabalha. Ao abrir a embalagem, Cibelly chorou.
“É uma coisa tão simples, mas que faz diferença enorme na vida de um diabético”, disse.
Vídeo sobre diabetes repercutiu nas redes sociais
O relato gerou identificação entre pessoas com diabetes e familiares que acompanham as dificuldades do tratamento no Brasil. Além disso, usuários comentaram sobre o impacto financeiro de tecnologias como sensores de glicose.
Durante o depoimento, Cibelly também falou sobre doações de insulina para outras pessoas que enfrentam dificuldades no tratamento. Segundo ela, a própria família já ajudou pacientes que precisavam do medicamento.
Ainda assim, a jovem defende que o diabetes precisa de mais atenção dentro da saúde pública, principalmente quando o assunto envolve acesso a tecnologias para monitoramento glicêmico.
