O consumo de bebida alcoólica ainda gera dúvidas entre pessoas com diabetes tipo 1. Afinal, quem usa insulina pode beber? Segundo o endocrinologista Levimar Rocha Araújo, o álcool pode fazer parte da rotina de algumas pessoas, mas exige planejamento, monitoramento da glicose e atenção redobrada durante a madrugada.
Ao jornalismo do ‘Um Diabético’, o médico explicou que o diabetes tipo 1 não impede totalmente o consumo de bebida alcoólica. No entanto, ele reforça que algumas condições precisam ser avaliadas antes. Pessoas com alterações hepáticas, gestantes ou pacientes com outras complicações devem evitar o álcool.
Além disso, o endocrinologista afirma que o preparo antes da ingestão da bebida faz diferença para reduzir riscos, principalmente episódios de hipoglicemia.
Diabetes tipo 1 exige preparo antes do consumo de álcool
Segundo Levimar Rocha Araújo, o primeiro passo é avaliar se o diabetes está controlado. Nesse contexto, a orientação individual com endocrinologista e nutricionista ajuda na escolha da bebida e nos ajustes da alimentação e da insulina.
O médico explica que, no dia do consumo de álcool, algumas pessoas podem precisar reduzir a dose de insulina entre 20% e 30%, principalmente no período da noite. Já quem utiliza bomba de insulina pode usar basal temporário entre 8 e 12 horas.
Além disso, ele alerta que o maior risco não acontece durante a festa. Segundo o especialista, a hipoglicemia costuma aparecer horas depois da ingestão alcoólica, principalmente durante a madrugada.
Escolha da bebida interfere na glicemia
A escolha da bebida alcoólica também pode influenciar o controle glicêmico. Segundo o endocrinologista, a cerveja possui carboidrato e menor quantidade de álcool. Já o vinho apresenta menos carboidrato.
Por outro lado, as bebidas destiladas não possuem carboidrato. Nesse caso, o cuidado deve ser maior, porque o risco de hipoglicemia pode aumentar.
O médico também recomenda planejamento alimentar antes e durante o consumo da bebida. Além disso, orienta monitorar a glicose ao longo da noite e programar alarmes no celular para verificar os níveis durante a madrugada.
Monitorização da glicose reduz riscos durante a madrugada
Entre as orientações citadas pelo endocrinologista está começar a consumir bebida alcoólica com glicemia acima de 120 mg/dL. Segundo ele, essa medida ajuda a reduzir o risco de quedas importantes da glicose horas depois.
Além disso, Levimar Rocha Araújo orienta avisar amigos e pessoas próximas sobre o diagnóstico de diabetes. Isso porque uma hipoglicemia relacionada ao álcool pode causar confusão mental e dificultar o reconhecimento dos sintomas.
Enquanto isso, o médico também chama atenção para a diferença entre cetoacidose diabética e cetose alcoólica. Segundo ele, as duas situações não são iguais e exigem cuidados específicos.
Glucagon pode não funcionar em hipoglicemia causada pelo álcool
Outro alerta importante envolve o uso do glucagon. Segundo o endocrinologista, o medicamento pode não funcionar em episódios de hipoglicemia associados ao álcool.
Isso acontece porque o fígado fica focado em metabolizar a bebida alcoólica. Nesse contexto, o glucagon perde efeito e pode não conseguir elevar a glicose adequadamente.
Além disso, o especialista reforça que médicos não recomendam o consumo de bebida alcoólica como forma de prevenção cardiovascular. Embora alguns estudos discutam pequenas quantidades de álcool, ele afirma que nenhum profissional deve indicar a bebida como tratamento.
5 dicas para consumir bebida alcoólica convivendo com diabetes
- Avalie se o diabetes está controlado antes de consumir álcool
- Converse com endocrinologista e nutricionista sobre a escolha da bebida
- Ajuste a insulina conforme orientação médica
- Monitore a glicose durante a madrugada
- Avise amigos sobre o diabetes e os riscos de hipoglicemia
