Acordar com a glicose alta costuma gerar dúvidas entre pessoas que convivem com diabetes. Em muitos casos, o problema pode ter relação direta com o que foi consumido antes de dormir.
Segundo a endocrinologista Denise Franco, fatores como excesso de gordura na refeição, correções inadequadas de hipoglicemia e até ausência de atividade física podem impactar a glicemia pela manhã.
Denise explicou que entender o comportamento da glicose exige observar padrões e analisar o que aconteceu nas horas anteriores.
Jantar pode influenciar glicose alta pela manhã
De acordo com Denise Franco, um dos motivos mais comuns para acordar com glicose alta está relacionado ao jantar ou aos lanches feitos antes de dormir.
Segundo ela, pessoas com diabetes tipo 1 podem esquecer de aplicar a insulina rápida para corrigir a refeição. Enquanto isso, pessoas com diabetes tipo 2 podem consumir uma quantidade maior de alimento sem perceber o impacto na glicemia.
A endocrinologista também alertou que refeições consideradas “leves” nem sempre resultam em glicose controlada no dia seguinte. Nesse contexto, a composição da comida faz diferença.
Gordura nos alimentos pode elevar glicemia horas depois
Denise explica que alimentos com gordura podem provocar aumento da glicose várias horas após a refeição.
Ela citou o exemplo do macarrão com molho. Segundo a médica, mesmo um molho vermelho pode conter gordura por causa do azeite usado no preparo. Portanto, o impacto na glicemia pode aparecer entre três e cinco horas depois da alimentação.
Além disso, a endocrinologista afirmou que muitas pessoas ajustam a insulina pensando apenas nos carboidratos e esquecem da gordura presente no prato.
Nesse cenário, a glicose pode permanecer estável no início da noite e subir durante a madrugada.
Hipoglicemia noturna também pode alterar glicose ao acordar
Outro ponto levantado por Denise Franco envolve a correção da hipoglicemia durante a noite. Segundo ela, o medo de ter uma queda de glicose durante o sono pode levar pessoas com diabetes a comer mais do que o necessário antes de dormir.
A endocrinologista contou o caso de uma paciente que estava com glicemia em 100 mg/dL antes de dormir. Com receio de hipoglicemia, ela comeu um alimento sem calcular a quantidade consumida. Na manhã seguinte, acordou com glicose em 210 mg/dL.
Segundo Denise, esse comportamento costuma acontecer porque a pessoa busca uma solução rápida durante a madrugada e nem sempre avalia o impacto daquele alimento.
Falta de exercício e falhas no tratamento entram na lista
Denise Franco também explicou que deixar de fazer atividade física pode interferir no controle glicêmico do dia seguinte.
Segundo ela, pessoas que usam insulina podem ajustar as doses considerando a prática de exercício. No entanto, quando a atividade não acontece, a glicose pode subir pela manhã.
Além disso, a endocrinologista afirmou que algumas pessoas esquecem medicações do período da noite. Em outros casos, o paciente acredita que não precisa tomar o remédio porque fez uma refeição menor.
Por outro lado, a médica alertou que acordar frequentemente com glicose alta exige avaliação do tratamento.
Fenômeno do alvorecer não explica todos os casos
Durante a conversa, Denise Franco também falou sobre o fenômeno do alvorecer, situação em que hormônios liberados durante a madrugada aumentam a resistência à insulina nas primeiras horas da manhã.
Segundo ela, o quadro costuma aparecer de forma repetitiva e pode ser mais intenso durante a puberdade.
Ainda assim, Denise alertou que o fenômeno do alvorecer não explica qualquer pico isolado de glicose. Portanto, analisar alimentação, uso de insulina e comportamento glicêmico continua sendo necessário.
Sensor de glicose pode ajudar a identificar padrões
Para Denise Franco, pessoas que usam sensor de glicose precisam observar mais do que o número mostrado na tela inicial.
Segundo ela, o gráfico ajuda a entender o horário em que a glicose começou a subir. Enquanto isso, quem não utiliza sensor pode recorrer à glicemia capilar em diferentes momentos da noite e da madrugada.
A endocrinologista afirmou que identificar padrões ajuda o paciente e o profissional de saúde a entender se o problema está relacionado à alimentação, à insulina basal ou a episódios de hipoglicemia.
