Na rotina de quem convive com diabetes, o copo de suco costuma gerar mais dúvida do que a fruta inteira. Isso acontece porque a bebida muda a forma de consumo, reduz a fibra e pode concentrar mais carboidrato em pouco volume. Nesse contexto, a nutricionista e Membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Maristela Strufaldi, explicou no DiabetesCast que a fruta deve ter prioridade, mas alguns sucos podem ser considerados com mais cuidado e dentro de uma lógica de diluição, porção e contagem de carboidrato.
A partir da entrevista, quatro opções aparecem como referências para esse raciocínio: limão, maracujá, abacaxi e morango. No entanto, a fala da especialista não trata essas bebidas como “liberadas”.
Pelo contrário, ela reforça que a avaliação precisa levar em conta o volume consumido, a concentração e o impacto glicêmico de cada preparo. Além disso, a água segue como principal bebida para hidratação.
Fruta inteira deve vir antes do suco no diabetes
Maristela Strufaldi faz um ponto central para quem tem diabetes: priorizar a fruta inteira tende a ser melhor do que optar pela bebida. Segundo ela, na fruta há mais fibra e melhor possibilidade de porcionar o carboidrato. Já no suco, a fruta é espremida, perde fibra e pode concentrar uma taxa maior de carboidrato, o que se transforma em desafio para o controle glicêmico.
Esse detalhe muda a forma como o tema precisa ser tratado. Portanto, a matéria não parte da ideia de “melhores sucos” como sinônimo de consumo livre. O que a entrevista mostra é outra coisa: alguns preparos podem ser mais interessantes do que outros, desde que sejam mais diluídos e consumidos com atenção à quantidade. Além disso, bebidas açucaradas e sucos de caixinha com adição de açúcar ficam fora dessa lógica, porque o alimento líquido tende a produzir pico de açúcar mais veloz.
1. Suco de limão aparece como a opção com menor impacto
Entre os exemplos citados por Maristela Strufaldi, o suco de limão ocupa lugar de destaque. Segundo a nutricionista, o limão sem adição de açúcar não deve gerar impacto glicêmico relevante, porque não tem taxa expressiva de frutose. Além disso, ela afirma que diferentes tipos de limão podem ser usados, como limão rosa, siciliano e taiti.
Na prática, isso explica por que o limão costuma surgir como uma alternativa quando a pessoa quer variar a bebida sem recorrer ao refrigerante zero ou a sucos mais concentrados. Ainda assim, a orientação não elimina o cuidado com o preparo. O ponto central segue sendo a ausência de açúcar e a preferência por versões simples, sem adição que aumente a carga de carboidrato.
2. Suco de maracujá pode entrar, mas precisa ser contabilizado
O maracujá aparece na fala da especialista como um exemplo de suco que contém carboidrato e, por isso, deve entrar na contagem. Segundo Maristela Strufaldi, bebidas como suco de maracujá ou de abacaxi apresentam variação entre 8 e 10 gramas de carboidrato, a depender do volume. Portanto, a recomendação passa longe de improviso.
Nesse contexto, o maracujá pode ser considerado, mas não como opção neutra para a glicose. Além disso, a nutricionista reforça que sucos mais diluídos tendem a ser mais interessantes. Isso significa que a forma de preparo pesa tanto quanto a escolha da fruta. Em outras palavras, a pessoa não deve olhar apenas para o nome do suco, mas para quanto da fruta foi usado e quanto líquido entrou na receita.
3. Suco de abacaxi exige a mesma lógica de porção e diluição
O abacaxi entra no mesmo grupo do maracujá na entrevista. Segundo Maristela Strufaldi, ele também apresenta carboidrato e pode ficar na faixa de 8 a 10 gramas, conforme o volume servido. Portanto, o abacaxi não foi citado como um suco sem impacto, mas como uma bebida que pode ser considerada quando a pessoa entende a porção e contabiliza o carboidrato.
Esse ponto é relevante porque, na rotina, muita gente tende a avaliar a bebida apenas pelo sabor ou pela fama da fruta. No entanto, a especialista desloca a discussão para quantidade e concentração. Além disso, ela deixa claro que não existe receita pronta. O mesmo suco pode ter comportamentos diferentes conforme o modo de preparo.
4. Suco de morango entra como opção, mas depende da quantidade usada
O morango também aparece como uma alternativa possível. Segundo a nutricionista da SBD, o suco de morango pode ser interessante porque a fruta tem menos carboidrato em sua composição. No entanto, ela mesma faz a ressalva central da entrevista: é preciso observar quanto morango foi utilizado. Se a pessoa usar 20 unidades, por exemplo, o preparo pode chegar a cerca de 20 gramas de carboidrato.
Esse trecho resume a lógica geral da matéria. Não é só a escolha da fruta que importa. Além disso, quantidade e concentração seguem como fatores decisivos para o impacto na glicose. Por isso, o morango aparece como opção possível, mas não como atalho para consumo sem controle.
O outro lado dos ‘melhores sucos’
Ao longo da conversa, Maristela Strufaldi também mostra o que pesa contra vários sucos consumidos no dia a dia. O exemplo mais claro é o suco de laranja de padaria. Segundo ela, esse preparo pode levar quatro ou cinco laranjas, o que equivale quase a dois pães franceses e produz absorção mais veloz. Além disso, ao transformar a fruta em bebida, a pessoa perde a fibra, que ajuda tanto no controle das taxas de açúcar quanto no funcionamento intestinal.