O Rock in Rio 2026 já começou e, para quem tem diabetes, algumas medidas simples podem fazer diferença para aproveitar horas de shows, caminhadas e dança com mais segurança. Hidratação, monitoramento da glicose e um kit com os itens necessários para o tratamento estão entre os principais cuidados.
O festival acontece nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro, na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro.
Em entrevista à jornalista Laura Lany, do Um Diabético, a endocrinologista Denise Franco destacou os principais pontos aos quais as pessoas com diabetes devem ficar atentas antes de sair de casa e também durante o evento.
A orientação ganha importância porque um dia de festival pode representar várias horas em pé, deslocamentos entre os palcos, dança, mudanças na alimentação e exposição ao calor. Para quem utiliza insulina ou medicamentos que podem causar hipoglicemia, essa mudança na rotina exige atenção adicional.
1. Hidratação deve acompanhar o dia inteiro
O primeiro alerta de Denise Franco é direto: não esquecer da água.
“Primeira dica: hidratação. Leva sua aguinha com você”, orientou a endocrinologista durante a entrevista ao Um Diabético.
Em dias quentes, permanecer muitas horas ao ar livre e caminhar bastante aumenta a perda de líquidos. Por isso, a recomendação é manter a hidratação ao longo do evento e não esperar sentir muita sede para beber água.
2. Não deixe de monitorar a glicose
A rotina de monitoramento também não deve ficar em casa. Quem utiliza sensor de glicose deve acompanhar as leituras e tendências ao longo do festival. Quem utiliza glicosímetro precisa lembrar de levá-lo.
“Se você não usa sensor de glicose, está usando glicosímetro, leva com você. Não vai deixar em casa”, reforçou Denise.
A recomendação está alinhada às diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes. Em situações de atividade física, a SBD recomenda que pessoas com diabetes tipo 1 monitorem a glicose antes, durante e depois do exercício para reduzir o risco de variações importantes da glicemia e de hipoglicemia.
Embora ir a um festival não seja uma sessão programada de exercício, passar horas caminhando e dançando pode aumentar consideravelmente o nível habitual de atividade física.
3. Quem usa insulina precisa planejar como transportá-la
Outro item que não pode ser esquecido é a insulina para quem depende dela no tratamento.
“Terceira dica: insulina. Não esqueça sua insulina”, orientou a endocrinologista.
Além de levar a quantidade necessária para o período fora de casa, é importante seguir as recomendações de armazenamento específicas da insulina utilizada e evitar exposição inadequada ao calor.
Denise também recomenda que a pessoa se organize previamente em relação à documentação médica necessária para transportar seus medicamentos e insumos. Antes de sair de casa, vale consultar as regras atualizadas do festival sobre a entrada desses materiais.
4. Monte um kit para hipoglicemia
Uma das orientações mais importantes é carregar uma fonte de carboidrato de rápida absorção.
“Kit para hipoglicemia. Pega lá, guarda sua glicose, pode ser um saquinho de açúcar, pode ser aquele melzinho. Carboidrato de rápida absorção”, explicou Denise.
A Sociedade Brasileira de Diabetes também recomenda que pessoas sujeitas à hipoglicemia mantenham carboidratos de rápida absorção disponíveis durante atividades físicas.
De acordo com orientação publicada pela SBD, valores abaixo de 70 mg/dL caracterizam hipoglicemia. Uma das estratégias utilizadas para a correção é consumir aproximadamente 15 gramas de carboidrato de rápida absorção e verificar novamente a glicemia após cerca de 15 minutos. A conduta individual, no entanto, deve seguir a orientação da equipe de saúde.
5. Caminhar e dançar também podem mexer com a glicose
É fácil perder a noção do quanto o corpo se movimenta em um festival. O deslocamento até a Cidade do Rock, as caminhadas entre os palcos e horas dançando aumentam o gasto energético.
Para algumas pessoas que usam insulina, isso pode favorecer a queda da glicose durante o evento ou mesmo horas depois.
A SBD explica que a atividade física aumenta a sensibilidade à insulina e que episódios de hipoglicemia podem ocorrer durante e depois do exercício. Por outro lado, atividades mais intensas também podem provocar elevação temporária da glicose em determinadas situações. A resposta é individual.
Por isso, não existe uma regra única de ajuste de insulina ou alimentação para todo mundo. Mudanças nas doses devem ser previamente discutidas com a equipe responsável pelo tratamento.
6. Não deixe alimentação e tratamento em segundo plano
Com tantos shows e atrações, os horários habituais podem mudar. O problema é simplesmente esquecer que o tratamento continua fazendo parte do dia.
Para quem utiliza insulina, especialmente, alimentação, quantidade de carboidratos, atividade física e dose aplicada estão relacionadas. A SBD destaca que estratégias para prevenir hipoglicemia durante atividade física podem envolver alimentação, monitoramento e ajustes individualizados de insulina definidos com a equipe de saúde.
Antes do festival, portanto, vale pensar em quanto tempo a pessoa ficará fora, quais medicamentos serão necessários e como fará o monitoramento.
7. Avise quem estiver com você
Outro cuidado simples é não deixar que uma emergência pegue todo mundo de surpresa.
Quem vai acompanhado pode explicar a pelo menos uma pessoa do grupo que tem diabetes, onde estão os itens para correção de uma hipoglicemia e o que costuma fazer caso a glicose caia.
A própria diretriz da SBD recomenda que pessoas com diabetes tipo 1 informem companheiros de atividade física sobre a condição e mantenham carboidratos de rápida absorção disponíveis.
Em caso de mal-estar importante, alteração de consciência ou impossibilidade de tratar uma hipoglicemia sozinho, é necessário procurar atendimento médico imediatamente.
Diabetes não precisa ficar entre a pessoa e o festival
O objetivo dos cuidados não é transformar o Rock in Rio em uma lista de restrições. É justamente o contrário: planejamento permite que a pessoa tenha os recursos necessários para lidar com situações que podem surgir durante muitas horas de festival.
Foi essa também a mensagem deixada na conversa entre Denise Franco e Laura Lany: pessoas com diabetes podem viver as experiências que desejam sem abandonar os cuidados necessários com a saúde.
Antes de sair para a Cidade do Rock, uma checagem rápida pode ajudar: insulina e demais medicamentos, sistema de monitoramento da glicose, carboidrato de rápida absorção, hidratação e documentação necessária.
Depois disso, é hora de aproveitar os shows.
