Uma discussão entre Luana Piovani e Pedro Scooby sobre piolhos nos filhos ganhou tanta repercussão nas redes sociais que acabou sendo usada pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro para fazer uma ação de conscientização sobre o problema.
A polêmica começou depois que Luana publicou imagens de piolhos que, segundo ela, haviam sido retirados do cabelo da filha Liz. A atriz também mostrou machucados que seriam do filho Bem e criticou os cuidados do ex-marido durante o período em que as crianças estiveram com ele.


Scooby rebateu as acusações e afirmou que a filha já teria chegado de Portugal com piolhos. A discussão sobre onde teria ocorrido a infestação se espalhou pelas redes sociais e gerou memes e comentários.
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio aproveitou a repercussão para transformar o assunto em informação de saúde. Em uma publicação nas redes sociais, o órgão usou a frase “Não deixe o piolho surfar essa onda!”, em referência ao episódio, e explicou o que é o piolho, como ocorre a transmissão e quais medidas ajudam na prevenção. A orientação da rede municipal é procurar uma Clínica da Família ou Centro Municipal de Saúde diante de uma infestação.

Mas toda essa discussão também abre espaço para esclarecer uma dúvida que pode surgir entre pessoas com diabetes: ter glicose elevada, o chamado popularmente de “sangue doce”, aumenta a chance de pegar piolho?
A resposta é não.
Segundo a endocrinologista e pesquisadora Dra. Denise Franco, referência no tratamento do diabetes no Brasil, ter diabetes ou apresentar glicose elevada não facilita a infestação por piolhos ou lêndeas.
“O diabetes ou a glicose alta não facilitam pegar piolho ou lêndea”, explica a endocrinologista.
Quando uma pessoa com diabetes já está com piolho, porém, existem alguns cuidados que merecem atenção, principalmente por causa da coceira, das possíveis lesões no couro cabeludo e do comportamento da glicemia.
Piolho não é atraído por “sangue doce”
O piolho da cabeça, conhecido cientificamente como Pediculus humanus capitis, é um inseto parasita que vive próximo ao couro cabeludo e se alimenta de sangue humano.
O fato de se alimentar de sangue não significa que o parasita escolha uma pessoa de acordo com a quantidade de glicose presente nele.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a principal forma de transmissão do piolho da cabeça é o contato direto entre o cabelo de uma pessoa infestada e o cabelo de outra pessoa.
O piolho não pula nem voa. Ele se movimenta rastejando. A transmissão por objetos usados recentemente por uma pessoa infestada também pode acontecer, embora seja considerada menos comum.
A proximidade física ajuda a explicar por que a pediculose é tão frequente entre crianças, especialmente em ambientes nos quais elas mantêm contato próximo.
Não existe, portanto, evidência de que uma pessoa com diabetes seja mais atraente para o piolho por apresentar níveis mais elevados de glicose.
Piolho não significa falta de higiene
Outro mito que costuma acompanhar a pediculose é a ideia de que a infestação ocorre por falta de higiene.
De acordo com o CDC, pegar piolho da cabeça não está relacionado à limpeza da pessoa ou do ambiente. Qualquer pessoa exposta ao contato necessário para a transmissão pode apresentar a infestação.
Apesar de ser mais frequente entre crianças em idade pré-escolar e escolar, o problema não é exclusivo da infância. Adultos também podem pegar piolho, especialmente familiares, cuidadores e outras pessoas que mantenham contato próximo com alguém infestado.
É justamente nesse ponto que Denise Franco reforça que pessoas com diabetes, independentemente da idade, devem prestar atenção a alguns aspectos quando a pediculose já está instalada.
4 cuidados para quem tem diabetes e está com piolho
1. Monitorar a glicose
Um dos principais sintomas da pediculose é a coceira no couro cabeludo. O CDC também cita irritabilidade e dificuldade para dormir entre manifestações que podem acompanhar a infestação.
Segundo Denise Franco, dependendo da pessoa, todo esse desconforto pode ser acompanhado por alterações nos níveis de glicose.
Isso não significa que o piolho provoque diretamente uma hiperglicemia. A resposta do organismo ao desconforto e ao estresse pode variar entre as pessoas.
Por isso, quem tem diabetes deve manter a monitorização da glicose e observar se os valores apresentam um comportamento diferente do seu padrão habitual durante esse período.
2. Observar as feridas provocadas pela coceira
Coçar repetidamente o couro cabeludo pode provocar pequenas escoriações e feridas.
Segundo o CDC, a coceira causada pelos piolhos pode levar ao surgimento de lesões que, em alguns casos, podem sofrer infecção por bactérias presentes na própria pele.
Esse é um dos pontos que merecem atenção para quem tem diabetes.
Denise Franco explica que uma lesão pode funcionar como porta de entrada para uma infecção. Por isso, além de combater os piolhos, é importante observar como está o couro cabeludo e evitar que as feridas evoluam sem avaliação adequada.
3. Redobrar a atenção se a glicose estiver elevada
Aqui existe uma relação importante, mas completamente diferente do mito do “sangue doce”.
Glicose alta não atrai piolho.
Entretanto, quando a glicemia permanece elevada, alguns mecanismos de defesa do organismo podem ficar prejudicados, o que pode favorecer determinadas infecções.
A American Diabetes Association (ADA) explica que pessoas com diabetes podem apresentar alguns problemas de pele com maior frequência, incluindo infecções bacterianas.
A relação também pode ocorrer no sentido contrário. Quando uma infecção se instala no organismo, o controle da glicose pode ficar mais difícil.
Por isso, segundo Denise Franco, é importante observar o conjunto: feridas no couro cabeludo, possíveis sinais de infecção e comportamento da glicemia.
4. Procurar ajuda profissional quando necessário
Eliminar os piolhos é importante também para interromper o ciclo de coceira e reduzir o risco de novas lesões no couro cabeludo.
Denise Franco orienta procurar um profissional de saúde quando houver dúvidas sobre o tratamento ou quando surgirem feridas importantes. Dependendo da idade e da situação, a avaliação pode ser realizada por pediatra, clínico geral ou dermatologista.
Vermelhidão que aumenta, inchaço, calor no local, dor, presença de secreção ou piora das lesões são sinais que merecem avaliação profissional.
Para quem tem diabetes, alterações persistentes da glicose durante esse período também devem ser discutidas com a equipe responsável pelo acompanhamento da condição.
O que fazer quando alguém está com piolho?
Na ação publicada após a repercussão do caso de Luana Piovani e Pedro Scooby, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio reforçou medidas para reduzir a transmissão.
Entre as orientações estão observar regularmente o couro cabeludo, principalmente de crianças em idade escolar, evitar compartilhar objetos pessoais e verificar os cabelos quando houver casos de piolho na família ou na escola.
A Secretaria também orientou que, diante de uma infestação, a população do município procure uma Clínica da Família ou Centro Municipal de Saúde para receber atendimento e orientação das equipes de Saúde da Família.
Diabetes não explica por que alguém pegou piolho
A discussão envolvendo Luana Piovani e Pedro Scooby acabou transformando um episódio familiar em uma oportunidade para falar sobre um problema de saúde bastante comum.
Também ajuda a esclarecer mitos.
Ter piolho não significa falta de higiene. Da mesma forma, ter diabetes ou apresentar glicose elevada não faz com que alguém tenha maior chance de pegar piolho.
A principal forma de transmissão continua sendo o contato próximo com uma pessoa que já está infestada.
Para quem tem diabetes, a diferença está principalmente nos cuidados depois que o problema aparece: monitorar a glicose, observar as feridas provocadas pela coceira, ficar atento aos sinais de possível infecção e procurar avaliação profissional quando necessário.
Como reforça Denise Franco, diabetes e glicose alta não facilitam pegar piolho ou lêndea. O que muda é a atenção necessária às possíveis consequências das lesões e ao comportamento da glicemia durante esse período.
Fontes: Dra. Denise Franco, endocrinologista e pesquisadora; Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro; Centers for Disease Control and Prevention (CDC); American Diabetes Association (ADA).
