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    Alimentação

    Quer comer uma sobremesa depois do almoço? Saiba as melhores opções para quem tem diabetes

    Frutas com iogurte, chocolate amargo e até bolo podem entrar no cardápio; especialistas explicam como fazer escolhas mais equilibradas
    Estefane Moitinho14 de agosto de 2026Nenhum comentário8 Mins Read
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    Quer comer uma sobremesa depois do almoço?
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    A vontade de comer algo doce depois do almoço é comum e não significa que pessoas com diabetes precisam eliminar a sobremesa da rotina. O cuidado está em entender como cada alimento se encaixa na alimentação, considerando sua composição, quantidade e frequência de consumo.

    Não existe uma única dieta indicada para todas as pessoas com diabetes. A alimentação deve ser equilibrada e adaptada às necessidades individuais, sem a necessidade de excluir completamente alimentos específicos.

    Durante um episódio do DiabetesCast, do portal Um Diabético, a nutricionista Juliana Batista e a endocrinologista Denise Franco explicaram como diferentes alimentos podem ser incluídos na rotina e quais cuidados devem ser considerados, principalmente para quem utiliza a contagem de carboidratos.

    Frutas com iogurte natural

    Uma combinação simples para a sobremesa é utilizar uma fruta inteira acompanhada de iogurte natural sem açúcar adicionado. Morango, maçã, pera e outras frutas podem ser utilizadas de acordo com a preferência e o planejamento alimentar.

    Além de fornecer fibras, vitaminas e minerais, a fruta também contém carboidratos. Por isso, quem faz a contagem precisa considerar a quantidade consumida.

    No podcast, Juliana explicou que a estimativa da quantidade de fruta também pode ser feita visualmente quando a pessoa está fora de casa e não tem uma balança ou tabela nutricional à disposição.

    “A fruta, a gente vai treinar também o paciente conforme o tamanho da mão.”

    A nutricionista também diferenciou a fruta inteira do suco ao explicar o que acontece com as fibras durante o preparo.

    “O suco da fruta vai muito mais fruto em um copo, a fibra fica na casca, vai para o lixo e ali só está a parte doce.”

    Por isso, entre as duas opções, a fruta inteira tende a ser uma escolha mais interessante.

    Chocolate amargo em pequena quantidade

    O chocolate não precisa ser completamente excluído da alimentação de quem tem diabetes. A escolha do produto e a quantidade consumida, porém, precisam ser consideradas.

    A Diabetes UK afirma que pessoas com diabetes podem consumir chocolate, mas recomenda pequenas quantidades e menor frequência. A organização cita o chocolate amargo com maior concentração de cacau como uma possibilidade.

    Mesmo os chocolates com maior percentual de cacau continuam fornecendo calorias e gordura e podem conter açúcar. Por isso, antes de considerar na sobremesa é importante consultar a tabela nutricional ajuda a identificar a quantidade de carboidratos e o valor energético do produto.

    Esse é um dos motivos pelos quais Juliana alerta para o risco de observar somente o carboidrato ao fazer escolhas alimentares.

    “Muitas vezes quando a gente fala em diabetes, a pessoa vem muito logo assim, carboidrato é que impacta na glicose, então eu fico controlando o carboidrato e esqueço de controlar calorias.”

    A contagem de carboidratos, portanto, é uma estratégia específica e não substitui a avaliação da alimentação como um todo.

    Uma pequena fatia de bolo

    O bolo também pode aparecer no cardápio de sobremesa para uma pessoa com diabetes. Nesse caso, a receita e o tamanho da fatia fazem diferença.

    A Diabetes UK considera que pessoas com diabetes podem consumir bolo, desde que tenham atenção à quantidade e à frequência.

    No DiabetesCast, o alimento foi usado pelos especialistas para demonstrar como uma preparação pode ter diferentes quantidades de carboidratos dependendo de sua composição.

    Juliana contou que utiliza medidas caseiras para ajudar os pacientes a desenvolver uma percepção visual das quantidades.

    “O que eu faço muito com vocês é falar assim, chuta, depois você vê a tabela nutricional.”

    A estratégia funciona como um exercício para que a pessoa consiga fazer estimativas quando não tem uma balança ou aplicativo disponível.

    A especialista também mostrou durante o episódio que a quantidade de carboidratos pode variar conforme a receita e os ingredientes utilizados. Por isso, não existe uma quantidade fixa que possa ser aplicada a qualquer pedaço de bolo.

    Goiabada com queijo

    A tradicional combinação de goiabada com queijo também pode aparecer como sobremesa, mas a quantidade de goiabada merece atenção por sua concentração de açúcar.

    O alimento foi citado por Juliana durante a explicação sobre doces em calda e outras preparações açucaradas.

    “Tipo goiabada, essas coisas, ele tem mais, porque é uma quantidade de açúcar quase igual a um tanto de fruta.”

    O queijo acrescenta proteína e gordura à combinação, mas não elimina os carboidratos presentes na goiabada.

    A composição da refeição pode influenciar a velocidade com que a glicose aumenta, mas a quantidade total de carboidratos continua sendo relevante para quem faz esse acompanhamento.

    Iogurte natural com cacau

    Para quem gosta de chocolate, o iogurte natural com cacau em pó sem açúcar é outra possibilidade de sobremesa.

    O cuidado está em diferenciar o cacau puro dos achocolatados, que podem conter açúcar adicionado. Também vale observar o rótulo do iogurte, principalmente nas versões saborizadas ou adoçadas.

    A preparação da sobremesa pode ser complementada com uma pequena quantidade de castanhas ou sementes, de acordo com o planejamento alimentar individual.

    A proposta é utilizar o cacau para acrescentar sabor à sobremesa sem depender necessariamente de produtos prontos com maior quantidade de açúcar.

    Fruta com chocolate amargo

    Outra forma de variar a sobremesa é combinar uma fruta inteira com uma pequena quantidade de chocolate amargo. Morango com alguns pedaços de chocolate é um exemplo simples.

    A fruta acrescenta fibras e outros nutrientes à sobremesa, enquanto o chocolate pode trazer maior concentração de cacau, dependendo do produto escolhido.

    A combinação, no entanto, não transforma o chocolate em um alimento de consumo livre. A quantidade continua sendo importante, especialmente porque o chocolate é mais concentrado em calorias e gordura.

    E os doces diet? Também precisam de atenção

    A palavra “diet” na embalagem pode levar à impressão de que o produto é automaticamente mais adequado para quem tem diabetes. Mas a classificação não significa, necessariamente, que o alimento tenha poucas calorias ou carboidratos.

    Dependendo do produto, determinado ingrediente pode ter sido retirado ou substituído, enquanto outros componentes continuam presentes. Por isso, um doce diet ainda pode fornecer gordura, calorias e carboidratos.

    A recomendação é consultar a tabela nutricional e verificar a composição e a quantidade por porção, em vez de escolher o produto apenas pela indicação “diet”.

    A questão se relaciona diretamente à explicação de Juliana sobre a necessidade de olhar para a alimentação de maneira mais ampla:

    “Muitas vezes quando a gente fala em diabetes, a pessoa vem muito logo assim, carboidrato é que impacta na glicose, então eu fico controlando o carboidrato e esqueço de controlar calorias.”

    Assim, uma sobremesa diet pode fazer parte da alimentação, mas não deve ser entendida automaticamente como uma opção melhor ou consumida sem considerar a quantidade.

    Contar carboidratos não significa comer sem limite

    A contagem de carboidratos pode ajudar principalmente quem utiliza insulina a ajustar o tratamento de acordo com a quantidade de carboidratos ingerida. A estratégia também pode contribuir para uma alimentação mais flexível.

    Juliana explicou que o método permite adaptar diferentes alimentos à rotina, em vez de trabalhar apenas com refeições fixas.

    “A contagem de carboidrato vai deixar a alimentação mais flexível, você podendo comer diferentes coisas no dia a dia e ajustando a insulina conforme o seu organismo necessita.”

    Mas essa flexibilidade não significa ignorar os demais aspectos da alimentação.

    Para Denise Franco, o cuidado com o diabetes precisa considerar diferentes aspectos da saúde, e não apenas o valor da glicemia.

    “Hoje, se pensar numa pessoa que tem diabetes, eu tenho que pensar ele como um todo, não é só um controle glicêmico.”

    A endocrinologista também destaca a importância do acompanhamento nutricional para adaptar as escolhas à realidade de cada pessoa.

    Afinal, qual sobremesa escolher depois do almoço?

    Não existe uma sobremesa única indicada para todas as pessoas com diabetes. Frutas com iogurte natural, chocolate amargo, uma pequena fatia de bolo, goiabada com queijo, iogurte com cacau e fruta acompanhada de chocolate são algumas possibilidades para variar a refeição.

    A escolha deve levar em consideração a quantidade, a frequência de consumo e a composição da sobremesa, além dos demais alimentos presentes na rotina.

    Para quem utiliza contagem de carboidratos, o acompanhamento com nutricionista e equipe de saúde ajuda a entender como cada alimento pode ser incluído no planejamento alimentar.

    E, para Denise Franco, a alimentação de quem tem diabetes não precisa ser completamente diferente daquela recomendada para a população em geral:

    “A alimentação de quem tem diabetes é uma alimentação saudável. É uma alimentação como qualquer outra pessoa deveria ter.”

    Assim, a sobremesa não precisa ser encarada como proibida, mas também não deve ser consumida sem atenção apenas porque é feita com ingredientes considerados mais adequados ou porque leva a indicação “diet”. O equilíbrio da alimentação e a individualização do tratamento continuam sendo fundamentais.

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    Estefane Moitinho

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