O consumo de panqueca por pessoas com diabetes ainda gera dúvidas na rotina alimentar, especialmente quando a receita leva farinha branca. No entanto, a avaliação sobre esse tipo de preparo não se baseia em proibição, mas na quantidade de carboidrato e na composição da refeição.
Segundo a nutricionista e Membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Maristela Strufaldi, a panqueca com massa tradicional pode ser incluída na alimentação, desde que haja atenção ao total de carboidratos, ao tipo de recheio e aos acompanhamentos.
Alimento não é proíbido para quem tem diabetes
De acordo com Maristela Strufaldi, a massa tradicional da panqueca usa farinha branca na composição, mas isso, por si só, não impede o consumo por quem tem diabetes. A orientação central é observar a quantidade de carboidrato presente na refeição.
Esse detalhe é importante porque, na prática, muitas pessoas recebem informações fragmentadas sobre alimentação e diabetes. Assim, acabam retirando pratos do dia a dia sem avaliar o todo. No caso da panqueca, a nutricionista deixa claro que o problema não está no alimento isolado, mas no quanto se come e em como ele entra na rotina alimentar.

Além disso, a especialista chama atenção para a contagem de carboidratos. Para quem usa insulina ou segue um plano alimentar estruturado, esse cálculo faz diferença no controle glicêmico. Nesse contexto, a panqueca pode ser consumida, mas precisa entrar na conta.
Recheio faz diferença na resposta da glicose
Maristela Strufaldi citou a panqueca com recheio de carne moída. Segundo ela, a presença da carne é um ponto favorável na composição da refeição. Isso porque a proteína ajuda a lentificar a entrada do carboidrato na corrente sanguínea.
Na prática, essa informação mostra que não basta olhar apenas para a massa. O recheio também interfere no comportamento da glicose após a refeição. Portanto, uma unidade recheada com fonte de proteína tende a ter resposta diferente de uma versão baseada apenas em carboidrato.
Por outro lado, isso não significa consumo sem critério. A nutricionista reforça que a pessoa deve contabilizar a quantidade de carboidrato, mesmo quando o prato traz proteína. Ou seja, a combinação ajuda, mas não elimina o impacto glicêmico.
Fibra pode deixar a refeição mais equilibrada
Outro ponto destacado por Maristela Strufaldi é a associação com alimentos ricos em fibra. Segundo ela, quando a refeição inclui salada, brócolis ou outro vegetal, a composição fica mais completa.
Esse aspecto interessa diretamente a quem busca reduzir oscilações da glicose depois das refeições. Além disso, mostra que a panqueca não precisa ser analisada sozinha. O acompanhamento também entra na avaliação do prato.
Enquanto isso, muita gente concentra a atenção apenas na troca entre massa tradicional e massa integral. No entanto, a entrevista mostra que a construção da refeição pesa mais do que esse recorte isolado. Portanto, proteína e fibra ampliam a discussão e ajudam a entender melhor o efeito do prato no organismo.
Quantidade continua sendo o ponto central
Um dos trechos mais úteis da fala da nutricionista é quando ela tira o foco da proibição e coloca a quantidade no centro da conversa. Segundo Maristela Strufaldi, se a pessoa comer 10 panquecas, seja com massa integral ou massa tradicional, pode haver impacto glicêmico.
Esse raciocínio vale para vários alimentos do dia a dia e ajuda a combater uma leitura simplista sobre o diabetes. Muitas vezes, o alimento ganha fama de “melhor” ou “pior” sem que se discuta a porção. No entanto, a resposta glicêmica não depende apenas do tipo de massa. Ela também depende do volume consumido e da necessidade individual.
Além disso, a nutricionista pontua que esse impacto pode variar conforme o esquema de tratamento e as necessidades nutricionais de cada pessoa. Nesse cenário, a mesma refeição não produz necessariamente o mesmo efeito para todos. Por isso, comparar experiências sem considerar o contexto pode levar a conclusões erradas.
Outros fatores definem a glicemia
Ao longo da entrevista, Maristela Strufaldi reforça uma ideia importante para quem convive com diabetes: a alimentação é um dos fatores que influenciam a glicose, mas não é o único. Sono, infecção, medicação e outros aspectos também entram nessa conta.
Esse ponto ajuda a colocar a panqueca no lugar certo dentro da rotina. Se a glicose subir após a refeição, a análise não deve recair de forma automática sobre um único alimento. Portanto, observar o padrão do dia, o momento da refeição e o esquema terapêutico é parte do processo.
Além disso, a especialista mostra que o controle glicêmico não se resume a excluir preparações comuns. A proposta é organizar o consumo com base em quantidade, composição e acompanhamento adequado. Nesse contexto, a panqueca deixa de ser tratada como exceção e passa a ser pensada dentro do plano alimentar.
O que essa orientação muda no dia a dia
Na rotina de quem vive com diabetes, a fala da nutricionista pode reduzir um tipo de insegurança comum: o medo de comer pratos conhecidos e perder o controle da glicose. Quando a orientação se apoia em quantidade, proteína, fibra e contagem de carboidrato, o tratamento fica mais objetivo.
Por outro lado, a entrevista também afasta a ideia de liberação automática. A massa tradicional não está proibida, mas isso não significa ausência de impacto. O que muda é a forma de avaliar o prato. Em vez de buscar uma resposta fechada, a pessoa passa a olhar para a refeição inteira.
Esse olhar é especialmente útil para quem come fora de casa, monta marmitas ou tenta adaptar receitas da rotina familiar. Portanto, entender o papel do recheio, dos vegetais e da porção pode ajudar mais do que trocar ingredientes sem critério.