A hipoglicemia noturna representa um risco para pessoas com diabetes, principalmente em situações que envolvem consumo de bebida alcoólica durante a noite.
A nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos afirma que o álcool está entre os fatores associados à queda de glicose durante a madrugada.
O comportamento alimentar durante o consumo de álcool também interfere nesse cenário. Muitas pessoas deixam de comer quando decidem beber.
Consumo de álcool sem alimentação aumenta risco de hipoglicemia noturna
O consumo de bebida alcoólica costuma ocorrer no período noturno. Nesse momento, algumas pessoas optam por não se alimentar. Esse comportamento pode ocorrer por decisão individual ou por falta de opções de comida no local.
Segundo Tarcila Campos, essa combinação pode aumentar o risco de hipoglicemia noturna. A ausência de ingestão de alimentos reduz a disponibilidade de glicose no organismo durante o período de jejum noturno.

Álcool altera função do fígado e reduz liberação de glicose
O fígado exerce papel central no controle da glicose no sangue. O órgão armazena glicose e libera esse conteúdo conforme a necessidade do organismo. Durante o sono, esse mecanismo contribui para manter a glicemia em níveis estáveis.
Segundo Tarcila Campos, o álcool interfere nesse processo. Quando o álcool entra no organismo, o fígado prioriza a metabolização da substância.
O órgão direciona sua função para eliminar o álcool presente no sangue. Nesse processo, o fígado reduz a liberação de glicose armazenada. A redução dessa liberação compromete o equilíbrio da glicemia durante a madrugada.
Uso de insulina associado ao álcool aumenta risco de queda de glicose
Pessoas que utilizam insulina enfrentam um cenário específico durante o consumo de bebida alcoólica. A insulina basal continua atuando no organismo durante a noite.
Enquanto isso, o fígado não libera glicose na mesma intensidade. Segundo Tarcila Campos, essa combinação pode favorecer a ocorrência de hipoglicemia noturna.
A insulina mantém sua ação de redução da glicose no sangue. A ausência de liberação hepática de glicose amplia o risco de queda glicêmica.
Tipo de bebida não altera efeito do álcool no organismo
A percepção de que algumas bebidas alcoólicas seriam mais seguras não corresponde ao mecanismo envolvido.
Segundo Tarcila Campos, o efeito ocorre devido à presença de álcool, independente do tipo de bebida. O teor alcoólico e a quantidade ingerida devem ser considerados.
Em algumas situações, o consumo de várias unidades de uma bebida com menor teor alcoólico pode resultar em maior ingestão total de álcool.
O impacto no organismo permanece relacionado ao álcool. A presença de carboidrato em algumas bebidas não impede a ação do álcool no fígado.
Quantidade ingerida influencia risco de hipoglicemia durante a madrugada
A quantidade de bebida alcoólica consumida interfere no comportamento glicêmico. O volume total de álcool ingerido pode variar conforme o tipo e a quantidade de bebida.
Segundo Tarcila Campos, essa variável precisa ser considerada na avaliação do risco. O organismo responde ao álcool independentemente da forma de consumo.
A ingestão acumulada de álcool pode prolongar o tempo de ação no fígado. Esse fator contribui para o risco de hipoglicemia noturna.
Avaliação do contexto é necessária para reduzir riscos
A decisão sobre consumo de bebida alcoólica envolve fatores individuais. O uso de insulina, o padrão alimentar e o comportamento glicêmico devem ser considerados.
Segundo Tarcila Campos, a compreensão desses elementos permite avaliar riscos associados ao período noturno. A análise do comportamento da glicose durante a madrugada auxilia na tomada de decisão. O acompanhamento do tratamento também influencia o manejo dessas situações.