Quem convive com diabetes não precisa excluir a pizza da alimentação. No entanto, esse alimento exige alguns cuidados porque pode provocar aumento da glicose horas depois da refeição, principalmente durante a madrugada.
Segundo a endocrinologista e pesquisadora Denise Franco e a nutricionista Carol Netto, o impacto da pizza vai além da quantidade de carboidratos e envolve também o teor de gordura, o horário da refeição e o acompanhamento da glicemia.
Uma fatia média de pizza de muçarela contém cerca de 28 gramas de carboidrato e aproximadamente 12 a 13 gramas de gordura. Essa combinação faz com que muitas pessoas tenham uma glicemia aparentemente estável logo após comer, mas apresentem aumento três ou quatro horas depois.

Por que a pizza pode aumentar a glicose horas depois?
Segundo Carol Netto, muitas pessoas observam apenas os carboidratos da pizza e acabam ignorando o papel da gordura. No entanto, a gordura retarda a absorção dos carboidratos, fazendo com que a glicose permaneça elevada por mais tempo ou aumente apenas várias horas depois da refeição.
Na prática, isso significa que a glicemia pode estar dentro da meta logo após o jantar, mas subir durante a madrugada, quando muitas pessoas já estão dormindo.
Denise Franco explica que esse aumento pode acontecer três ou quatro horas após a refeição. Em alguns casos, esse intervalo pode ser ainda maior, dependendo da composição da pizza escolhida.
O horário faz diferença para quem tem diabetes
A primeira orientação destacada por Denise Franco é observar o horário em que a pizza será consumida.
Segundo a endocrinologista, comer pizza muito tarde reduz o tempo disponível para acompanhar a glicemia antes de dormir. Dessa forma, uma elevação que aconteça durante a madrugada pode passar despercebida.
Carol Netto reforça essa recomendação. Segundo ela, fazer a refeição mais cedo permite acompanhar a resposta da glicose enquanto a pessoa ainda está acordada.
A nutricionista orienta monitorar a glicemia nas horas seguintes, principalmente cerca de duas horas após a refeição.
Escolha pizzas com menos gordura
Outro ponto importante envolve o recheio. Denise Franco recomenda dar preferência às pizzas com menor quantidade de gordura. Segundo ela, opções com quatro queijos, catupiry e outros recheios mais gordurosos costumam dificultar a correção da glicemia durante a noite.
Carol Netto explica que a gordura interfere diretamente no comportamento da glicose porque desacelera a absorção dos carboidratos. Por isso, além da contagem de carboidratos, o teor de gordura também precisa ser considerado.
A quantidade consumida influencia a glicemia
Segundo Carol Netto, existe diferença entre comer uma fatia e consumir várias.
Quanto maior a quantidade de pizza, maior tende a ser a carga de carboidratos e gordura ingerida. Como consequência, a glicose pode atingir valores mais elevados e se tornar mais difícil de controlar nas horas seguintes.
Por isso, controlar a quantidade consumida ajuda a reduzir oscilações importantes da glicemia durante a madrugada.
Borda recheada também merece atenção
A nutricionista também orienta observar a borda da pizza.
Segundo Carol Netto, as bordas recheadas acrescentam ainda mais carboidratos à refeição. Além disso, muitos recheios utilizados nas bordas também aumentam a quantidade de gordura.
Retirar a borda pode reduzir a quantidade total de carboidratos ingeridos e diminuir parte do impacto da refeição sobre a glicemia.
Caminhar depois da pizza pode ajudar
Além da escolha da pizza, o comportamento após a refeição também pode fazer diferença.
Denise Franco orienta evitar deitar logo depois de comer. Ela sugere aproveitar o momento para passear com o cachorro ou realizar outra atividade leve antes de dormir.
Carol Netto faz uma recomendação semelhante. Segundo a nutricionista, uma caminhada de aproximadamente 20 minutos pode ajudar o organismo a utilizar melhor a glicose e reduzir o impacto glicêmico da refeição.
Essa orientação pode ser seguida tanto por pessoas com diabetes tipo 1 quanto por quem convive com diabetes tipo 2.
Quem usa insulina deve acompanhar a glicemia com mais atenção
Para quem faz tratamento com insulina, principalmente pessoas com diabetes tipo 1 que utilizam contagem de carboidratos, a pizza costuma exigir atenção adicional.
Segundo Carol Netto, refeições com maior quantidade de gordura podem exigir ajustes no tratamento, incluindo estratégias como o bolus duplo, quando indicado pela equipe de saúde.
A nutricionista lembra que cada organismo responde de forma diferente. Por isso, acompanhar a glicemia após consumir pizza permite entender como o corpo reage a esse tipo de refeição.
Ela também reforça que aplicar a insulina antes da refeição continua sendo uma medida importante para quem utiliza esse tratamento.
