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    Início - Novo medicamento chega ao Brasil e pode atrasar os sintomas do diabetes tipo 1 em até dois anos; entenda como funciona
    ISPAD 2026

    Novo medicamento chega ao Brasil e pode atrasar os sintomas do diabetes tipo 1 em até dois anos; entenda como funciona

    Apresentado durante a cobertura do ISPAD 2026, o teplizumabe atua antes dos primeiros sintomas e representa um avanço na identificação e no tratamento precoce do diabetes tipo 1.
    Estefane Moitinho7 de novembro de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Frasco do medicamento Tzield, utilizado para atrasar os sintomas do diabetes tipo 1, ao lado de pessoa realizando teste de glicose.
    Tzield, novo medicamento aprovado no Brasil, pode atrasar em cerca de dois anos o aparecimento dos sintomas do diabetes tipo 1.
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    Um novo medicamento pode mudar a forma como o diabetes tipo 1 é acompanhado antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas. O Tzield, à base de teplizumabe, pode atrasar em aproximadamente dois anos a evolução para a fase clínica da condição, oferecendo mais tempo para pacientes e familiares se prepararem para o diagnóstico.

    A novidade foi apresentada pelos endocrinopediatras Thiago Arruda e Renata Lima, que participaram do lançamento do medicamento no Rio de Janeiro, durante o período do ISPAD 2026, congresso internacional de diabetes pediátrico realizado pela primeira vez no Brasil.

    A medicação recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março de 2026, para pessoas a partir dos 8 anos que estejam no estágio 2 do diabetes tipo 1.

    Como funciona o novo medicamento?

    O diabetes tipo 1 é uma condição autoimune em que o sistema imunológico ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Esse processo pode começar meses ou anos antes dos primeiros sintomas, como sede excessiva, aumento da frequência urinária e perda de peso.

    O teplizumabe é um anticorpo monoclonal que atua sobre determinadas células do sistema imunológico, ajudando a reduzir a agressão às células produtoras de insulina. Com isso, pode retardar a progressão para a fase em que a pessoa apresenta sintomas e precisa iniciar o tratamento com insulina.

    Durante o lançamento, Thiago Arruda destacou a importância dessa mudança na abordagem do diabetes tipo 1.

    “A ideia da medicação é a gente tratar antes de vir esses sintomas”, explicou.

    Segundo o especialista, durante muito tempo, o diagnóstico era realizado apenas quando crianças e adultos já apresentavam alterações importantes na glicose, algumas vezes acompanhadas de cetoacidose diabética, complicação grave que exige atendimento imediato.

    O que os estudos mostram sobre os dois anos?

    Os resultados que fundamentaram a aprovação do teplizumabe vieram de um estudo clínico com 76 participantes que apresentavam diabetes tipo 1 no estágio 2, mas ainda não tinham desenvolvido sintomas.

    Entre aqueles que receberam o medicamento, o tempo mediano até o diagnóstico clínico foi de aproximadamente 50 meses. Já no grupo que recebeu placebo, esse intervalo foi de 25 meses.

    A diferença representa cerca de dois anos a mais antes da manifestação clínica da condição. Entretanto, esse resultado corresponde à mediana observada no estudo e não significa que todos os pacientes terão o mesmo benefício.

    O medicamento também não representa uma cura para o diabetes tipo 1. Seu objetivo é retardar a progressão da condição em pessoas que atendem aos critérios de indicação.

    Quem pode receber o tratamento?

    O Tzield é indicado para adultos e crianças a partir dos 8 anos que estejam no estágio 2 do diabetes tipo 1. Nessa fase, a pessoa já apresenta alterações relacionadas à condição, mas ainda não desenvolveu os sintomas característicos.

    Para compreender melhor, o diabetes tipo 1 pode ser dividido em três estágios:

    • Estágio 1: presença de autoanticorpos associados ao diabetes tipo 1, com glicose dentro dos parâmetros normais e ausência de sintomas.
    • Estágio 2: presença de autoanticorpos e alterações da glicose, mas ainda sem sintomas clínicos.
    • Estágio 3: fase em que aparecem os sintomas e o tratamento com insulina se torna necessário.

    Por isso, ter um familiar com diabetes tipo 1 não significa que a pessoa automaticamente poderá receber o medicamento. É necessário realizar exames e confirmar a indicação por meio de avaliação médica.

    É possível descobrir o diabetes tipo 1 antes dos sintomas? Pesquisa clínica busca voluntários

    Como é feita a aplicação?

    O tratamento é administrado por infusão intravenosa durante 14 dias consecutivos, com acompanhamento de profissionais de saúde.

    Durante a apresentação, os especialistas explicaram que a aplicação geralmente ocorre em ambiente hospitalar, permitindo o monitoramento de possíveis efeitos adversos.

    Entre os riscos conhecidos estão alterações nas células sanguíneas, reações relacionadas à infusão e síndrome de liberação de citocinas, uma resposta inflamatória que pode exigir cuidados médicos. Por isso, o tratamento requer exames e acompanhamento especializado.

    Por que o rastreamento é tão importante?

    Uma das principais mensagens destacadas pelos endocrinopediatras foi a necessidade de identificar o diabetes tipo 1 antes do aparecimento dos sintomas.

    Pessoas com familiares de primeiro grau que convivem com a condição, como pais, irmãos ou filhos, apresentam risco aumentado e podem ser avaliadas por meio de exames de autoanticorpos.

    O rastreamento permite identificar alterações precoces e acompanhar a evolução do diabetes tipo 1. A investigação também pode ser considerada em outras situações, conforme a avaliação médica.

    Essa identificação antecipada pode ajudar a evitar que o diagnóstico aconteça apenas diante de complicações graves, como a cetoacidose diabética.

    Mais tempo para as famílias se prepararem

    Para Renata Lima, um dos principais benefícios dessa nova abordagem é permitir que pacientes e familiares tenham mais tempo para compreender o diabetes tipo 1 e se preparar para os cuidados necessários.

    “A gente consegue dar mais tempo para a pessoa se preparar, aprender a tomar insulina, aprender a contar carboidrato”, destacou a endocrinopediatra.

    Esse período pode ser importante para que crianças, adolescentes e seus responsáveis recebam orientações sobre monitoramento da glicose, alimentação e tratamento, caso a condição evolua para a fase clínica.

    A aprovação do Tzield representa um avanço no cuidado do diabetes tipo 1 no Brasil. Entretanto, a autorização da Anvisa não significa que o medicamento esteja imediatamente disponível em todos os serviços de saúde.

    A novidade reforça uma das principais discussões do ISPAD 2026: a possibilidade de identificar o diabetes tipo 1 mais cedo e, agora, também intervir antes do aparecimento dos primeiros sintomas.

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    Estefane Moitinho

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