A batata-doce costuma aparecer entre as escolhas de quem busca controlar a glicose, enquanto a batata inglesa ainda gera dúvidas sobre seu consumo por pessoas com diabetes. Mas será que uma delas oferece vantagens na alimentação de quem convive com a condição?
Segundo a nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos, integrante do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a escolha não deve considerar apenas o tipo de carboidrato, mas também a quantidade consumida e a composição da refeição.
Durante participação no DiabetesCast, a especialista explicou que alimentos como batata, batata-doce, inhame, cará, mandioca e mandioquinha podem fazer parte da alimentação de quem tem diabetes, desde que estejam inseridos em um planejamento nutricional individualizado.
Batata-doce e batata inglesa podem fazer parte da alimentação
A presença de carboidratos não significa que um alimento precise ser excluído da rotina de quem tem diabetes. Tarcila explica que esses nutrientes fornecem energia ao organismo e que a alimentação deve considerar diferentes fontes, sem estabelecer proibições generalizadas.
Ao comentar sobre os alimentos que recomenda incluir na rotina, a nutricionista citou diferentes tubérculos, entre eles a batata inglesa e a batata-doce, além de mandioca, inhame e mandioquinha.
A especialista também destacou que a quantidade consumida precisa ser considerada. Durante a entrevista, ela questionou se o problema estaria na batata-doce ou no consumo de uma quantidade muito grande desse alimento em uma única refeição.
Essa avaliação faz parte do planejamento alimentar, que deve considerar as necessidades nutricionais e a resposta individual de cada pessoa.
O que influencia a glicose após o consumo?
A resposta da glicose não depende exclusivamente do alimento escolhido. Segundo Tarcila Campos, a quantidade de carboidratos, a combinação com outros nutrientes e as características individuais podem modificar a maneira como a glicose se comporta após uma refeição.
A nutricionista explicou que consumir um alimento isoladamente pode produzir uma resposta diferente daquela observada quando ele aparece acompanhado de outros componentes da refeição. Essa combinação faz parte do conceito de matriz nutricional, que considera os nutrientes presentes nos alimentos consumidos.
Por isso, a especialista defende que o planejamento alimentar não seja baseado apenas em listas de alimentos permitidos ou proibidos, mas na adaptação das escolhas e quantidades para cada pessoa.
Horário e tratamento também entram na avaliação
Outro aspecto mencionado por Tarcila é o horário das refeições, que pode influenciar a resposta glicêmica de acordo com as características individuais e a resistência à insulina.
A especialista também destacou que o planejamento precisa considerar fatores como a medicação utilizada, a quantidade de insulina, a prática de atividade física e o sono, já que todos podem interferir no comportamento da glicose.
No DiabetesCast, a nutricionista reforçou que não existe uma quantidade de carboidratos adequada para todas as pessoas com diabetes. A definição deve considerar as necessidades de cada indivíduo e fazer parte do acompanhamento nutricional.
