O mau hálito pode ter diferentes causas, em pessoas com diabetes, porém, uma alteração no cheiro da respiração pode indicar mudanças que precisam de avaliação.
Durante participação no DiabetesCast, a dentista Bruna Ricci, que convive com diabetes tipo 1 há 29 anos, explicou como a saúde bucal se relaciona com o controle da glicemia.
Segundo a profissional, o dentista também pode perceber sinais que levantam a suspeita de diabetes. Entre eles estão alterações na gengiva, redução da salivação e o chamado hálito cetônico.
Quando o mau hálito pode ter relação com diabetes
Bruna Ricci explicou que pessoas com diabetes podem apresentar alteração no hálito relacionada às cetonas. Esse cheiro pode ser percebido como semelhante ao de fruta estragada.
A profissional relatou que já identificou uma pessoa com diabetes por meio do hálito cetônico durante um atendimento.
Nesse contexto, o dentista pode reconhecer a alteração e orientar o paciente a procurar avaliação médica.
No entanto, o mau hálito em uma pessoa com diabetes não significa, por si só, que a glicemia esteja alta ou que exista uma complicação do diabetes.
A doença periodontal também pode causar mau hálito. Por isso, a avaliação da boca ajuda a identificar a origem do problema.

Diabetes também pode afetar a gengiva
A doença periodontal atinge os tecidos que ficam ao redor dos dentes, incluindo a gengiva e o osso.
De acordo com Bruna Ricci, o problema começa com a gengivite, que provoca inflamação na gengiva. A presença de bactérias e biofilme pode desencadear essa inflamação.
Quando a pessoa mantém a placa bacteriana, a inflamação pode continuar e evoluir para periodontite.
Em pessoas com diabetes, a doença periodontal pode apresentar progressão mais rápida. Com isso, o paciente pode perder mais rapidamente os tecidos que sustentam o dente.
Por isso, a dentista alerta para um sinal que muitas pessoas acabam ignorando: o sangramento da gengiva.
Gengiva saudável não deve sangrar
Bruna Ricci explica que uma gengiva saudável não deve sangrar durante a escovação ou quando recebe estímulo.
O sangramento pode aparecer no momento da escovação ou durante o uso do fio dental. Em alguns casos, a pessoa não enxerga o sangue, mas percebe um gosto de sangue na boca.
Nesse contexto, o sangramento indica a presença de inflamação e merece avaliação odontológica.
Além disso, a doença periodontal pode permanecer silenciosa durante parte da sua evolução. Por isso, a ausência de dor não significa necessariamente ausência de problema.
Doença periodontal e diabetes podem influenciar um ao outro
A relação entre diabetes e doença periodontal ocorre nos dois sentidos.
O diabetes pode aumentar o risco e a progressão da doença periodontal. Por outro lado, uma doença periodontal ativa pode dificultar o controle da glicemia.
Bruna Ricci explica que a periodontite provoca uma inflamação nos tecidos que sustentam os dentes. Em casos de doença periodontal moderada, a área inflamada pode ser extensa.
Nesse contexto, a inflamação pode interferir no controle glicêmico e estar associada à resistência à insulina.
Por outro lado, a glicemia elevada pode dificultar o controle e a cicatrização da doença periodontal.
Isso significa que o cuidado odontológico precisa fazer parte do acompanhamento de quem convive com diabetes.
Boca seca também pode aparecer em quem tem diabetes
A boca seca, chamada de xerostomia, também aparece entre os sinais discutidos pela dentista.
A saliva ajuda a manter a boca úmida, promove a limpeza dos tecidos e participa do controle do pH depois da alimentação.
Quando a pessoa apresenta redução da salivação, aumenta a presença de bactérias na boca. Além disso, a falta de saliva pode favorecer problemas como cáries e alterações na gengiva.
A hiperglicemia também pode estar relacionada à sede e à boca seca. No entanto, Bruna Ricci destaca que nem toda xerostomia em uma pessoa com diabetes resulta da glicemia.
Alguns medicamentos também podem provocar boca seca. Portanto, o profissional precisa avaliar cada caso antes de relacionar o sintoma ao diabetes.
Língua branca pode aparecer com a redução da saliva
A redução da salivação também pode favorecer o acúmulo de bactérias na língua. Esse acúmulo pode formar uma camada esbranquiçada, chamada de saburra lingual.
Segundo Bruna Ricci, a pessoa deve incluir a higienização da língua nos cuidados diários. Ela pode utilizar um raspador ou a própria escova, caso consiga realizar a limpeza sem desconforto.
Nesse contexto, a higiene da língua complementa os cuidados com dentes e gengiva.
Periodontite pode levar à perda do dente
A doença periodontal pode destruir os tecidos que sustentam os dentes. Quando o problema avança, o paciente pode perder parte do suporte ósseo.
Segundo Bruna Ricci, alguns pacientes chegam ao consultório com perda óssea importante sem perceber a evolução da doença.
A dentista também relatou casos de pessoas jovens com perda periodontal que levantaram a necessidade de investigar outras condições.
Em uma dessas situações, a alteração periodontal levou a uma triagem para diabetes. O caso teve resultado positivo, segundo o relato da profissional.
Por isso, a avaliação odontológica também pode contribuir para identificar alterações que precisam de investigação médica.
O tratamento da boca pode ajudar no controle da glicemia
Bruna Ricci explica que controlar a doença periodontal não faz a hemoglobina glicada cair de forma automática para uma faixa específica.
Por outro lado, tratar uma inflamação ativa pode facilitar o controle da glicemia em alguns pacientes.
A profissional relaciona esse efeito à inflamação e à resistência à insulina. Portanto, o tratamento periodontal pode integrar os cuidados necessários para quem convive com diabetes.
O que observar na saúde bucal
Entre os sinais citados durante a entrevista estão:
- Sangramento durante a escovação ou uso do fio dental
- Gosto de sangue na boca
- Mau hálito
- Hálito com cheiro relacionado a cetonas
- Boca seca
- Dificuldade para falar por causa da falta de saliva
- Camada branca sobre a língua
- Alterações na gengiva
A presença desses sinais não permite identificar sozinha a causa do problema. Portanto, a avaliação de profissionais de saúde ajuda a definir o que está acontecendo.
Cuidados odontológicos fazem parte do tratamento do diabetes
Bruna Ricci defende que a saúde bucal e a saúde geral não devem ser tratadas separadamente.
No caso do diabetes, esse cuidado envolve acompanhar a condição da gengiva, observar alterações na salivação e manter a higiene da boca.
Além disso, o acompanhamento odontológico permite identificar alterações que podem exigir investigação médica.