Leite integral, semidesnatado ou desnatado? Para quem tem diabetes, a escolha pode fazer diferença principalmente pela quantidade de gordura presente em cada opção. No entanto, nenhum desses tipos precisa ser retirado automaticamente da alimentação.
Segundo Tarcila Campos, nutricionista e educadora em diabetes ligada ao Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes, o leite fornece proteína, cálcio e vitamina D. Por isso, pode fazer parte da alimentação de pessoas com diabetes, considerando a quantidade e o contexto da refeição.
Integral, semidesnatado e desnatado?
A principal diferença entre os três tipos de leite está na quantidade de gordura. A redução desse nutriente não significa retirar a proteína ou o carboidrato do alimento.
O leite continua contendo lactose, que é o açúcar naturalmente presente no leite. Além disso, mantém nutrientes como proteína, cálcio e vitamina D.
Por isso, a escolha entre integral, semidesnatado e desnatado deve considerar o objetivo alimentar de cada pessoa. Quem precisa controlar o consumo de gordura e colesterol pode optar por versões com menor quantidade desse nutriente.
A gordura pode interferir na glicose?
A quantidade de gordura pode influenciar a resposta da glicose após o consumo. Segundo Tarcila, alimentos com mais gordura podem provocar uma elevação mais tardia e prolongada da glicemia.
Esse efeito pode aparecer, por exemplo, quando uma pessoa consome leite antes de dormir. O leite com maior quantidade de gordura pode contribuir para uma elevação da glicose que permanece por mais tempo.
Ainda assim, o resultado não depende somente do leite. O que acompanha a bebida também precisa entrar na avaliação.
Achocolatados, mingaus e farinhas açucaradas podem acrescentar carboidratos à refeição. Portanto, a resposta da glicose precisa ser analisada considerando o conjunto dos alimentos consumidos.

Leite desnatado é melhor para controlar a glicose?
O leite desnatado contém menos gordura, mas continua tendo proteína e lactose. Por isso, não deve ser tratado como um alimento composto apenas por carboidrato.
A menor quantidade de gordura pode alterar a velocidade da resposta glicêmica. No entanto, isso não significa que o desnatado seja automaticamente a melhor opção para todas as pessoas com diabetes.
Tarcila explica que a escolha depende da estratégia nutricional. Uma pessoa com pré-diabetes, excesso de peso e alterações no colesterol, por exemplo, pode ter indicação de consumir uma versão com menos gordura.
Nesse contexto, o leite semidesnatado ou desnatado pode fazer parte do planejamento alimentar.

Leite sem lactose tem menos açúcar?
Não. O leite sem lactose continua contendo lactose, o que muda é o processo de fabricação. A indústria adiciona uma enzima para facilitar a quebra da lactose presente no leite.
Por isso, escolher um leite sem lactose não significa retirar o açúcar natural do alimento. A versão pode atender a necessidades específicas, mas não deve ser escolhida apenas por causa do diabetes.
Qual leite escolher?
Não existe um único tipo de leite indicado para todas as pessoas com diabetes. A escolha depende da alimentação, da quantidade consumida e dos objetivos nutricionais.
Para algumas pessoas, reduzir a quantidade de gordura pode ajudar na estratégia alimentar. Para outras, o leite integral pode continuar fazendo parte da rotina.
Tarcila cita o caso de uma criança com dificuldade de crescimento. Nessa situação, o leite integral pode ser uma opção dentro do planejamento alimentar.
Por outro lado, uma criança que já recebe outros alimentos pode ter a alimentação ajustada com uma versão com menos gordura.
A quantidade também importa. Consumir leite desnatado ou semidesnatado não significa que seja possível aumentar a porção sem considerar o restante da alimentação.
Leite causa diabetes ou piora a doença?
A ideia de que o leite causa diabetes ou que deve ser retirado por provocar inflamação não encontra, segundo Tarcila, evidência científica suficiente para justificar uma recomendação geral de exclusão.
A nutricionista afirma que não existe, no nível de evidência apresentado na entrevista, um estudo que determine a retirada do leite da alimentação de pessoas com diabetes.
Ela também cita estudos que apontam possíveis benefícios associados ao consumo de leite e iogurte, incluindo aspectos relacionados à microbiota intestinal e ao controle glicêmico.
O cálcio também aparece nessa discussão. Segundo a nutricionista, esse mineral participa de processos relacionados ao funcionamento da insulina.
O leite pode fazer parte da alimentação de quem tem diabetes?
Para Tarcila, o leite pode fazer parte da alimentação de uma pessoa com diabetes quando está inserido em um planejamento adequado.
A escolha deve considerar o tipo de leite, a quantidade, a frequência e os alimentos consumidos junto. Além disso, as necessidades mudam conforme a pessoa e o objetivo nutricional.
Assim, o leite integral não precisa ser tratado como proibido. Da mesma forma, escolher uma versão com menos gordura não significa que a quantidade consumida deixe de importar.
