Uma bomba de insulina compacta, que pode ser controlada pelo celular e integrada ao relógio inteligente. Essa é uma das novidades apresentadas durante o ISPAD 2026, congresso internacional sobre diabetes na infância e adolescência, realizado no Rio de Janeiro. A tecnologia já está disponível nos Estados Unidos, mas ainda não tem previsão confirmada de chegada ao Brasil.
Desenvolvida pela MiniMed, a MiniMed Flex tem aproximadamente metade do tamanho da MiniMed 780G e dispensa a tela tradicional do equipamento. O objetivo é oferecer mais discrição e praticidade para pessoas que utilizam sistemas de infusão contínua de insulina.
Durante a cobertura do Portal Um Diabético, a enfermeira e educadora em diabetes Gisele Filgueiras apresentou o dispositivo e mostrou como a tecnologia se conecta a sensores e outros equipamentos.
“Uma bomba compacta e bem discreta. Quem imaginaria que a gente ia chegar nesse nível, né?”, comentou.
Como funciona a bomba de insulina compacta?
A MiniMed Flex é um sistema de administração automatizada de insulina que utiliza um aplicativo instalado em um celular compatível para controlar suas funções.
Pelo aplicativo MiniMed Flex, o usuário pode administrar doses de insulina, ajustar configurações, acompanhar informações da glicose e gerenciar alertas do equipamento.
A bomba também utiliza a tecnologia SmartGuard, um algoritmo que recebe os dados do sensor de glicose e ajusta automaticamente a administração de insulina, ajudando a manter os níveis dentro da faixa desejada.
Segundo a fabricante, o equipamento possui reservatório com capacidade para até 300 unidades de insulina, apesar do tamanho reduzido.
O sistema foi desenvolvido para funcionar com celulares compatíveis com iOS e Android, permitindo que parte importante do gerenciamento do tratamento seja realizada diretamente pelo smartphone.
E como funciona a integração com o relógio?
Uma das características que despertaram interesse durante a apresentação foi a conectividade com dispositivos inteligentes.
A MiniMed confirma que o sistema pode ser integrado ao Apple Watch, permitindo visualizar informações da bomba e do sensor de glicose diretamente no relógio.
Na prática, isso significa que o usuário pode consultar determinados dados do tratamento sem precisar retirar o celular do bolso a todo momento.
Entretanto, o relógio funciona como uma tela secundária. Não é possível administrar doses de insulina ou gerenciar alertas diretamente por ele. Essas funções continuam disponíveis pelo aplicativo no smartphone.
Além disso, o Apple Watch precisa permanecer conectado ao celular compatível para receber as informações atualizadas.
Integração com sensores de glicose
Outro diferencial da MiniMed Flex é a compatibilidade com diferentes sensores de monitoramento contínuo da glicose.
Entre eles está o Simplera Sync, que acompanha os níveis de glicose ao longo do dia e envia as informações ao sistema automatizado.
A bomba também é compatível com o Instinct, sensor desenvolvido pela Abbott em parceria com a MiniMed.
Durante a demonstração, Gisele apresentou a MiniMed 780G, modelo já conhecido no Brasil, para mostrar como os sistemas de infusão de insulina evoluíram.
“Então a gente tem esse modelo aqui, 780G, que ele tá integrado aqui com sensor Semplera. Então é um sensor que a gente troca uma vez a cada sete dias, não precisa de calibração, ele já vem com transmissor”, explicou.
A integração entre bomba e sensor permite que o sistema utilize as informações de glicose para ajustar automaticamente a administração de insulina, reduzindo parte das decisões manuais exigidas no tratamento.
Menos trocas e mais praticidade
Além do tamanho compacto, a nova bomba mantém compatibilidade com diferentes conjuntos de infusão da MiniMed, incluindo modelos utilizados em sistemas anteriores.
Um deles é o conjunto de infusão Extended, desenvolvido para permanecer em uso por até sete dias, conforme as orientações do fabricante.
Isso pode reduzir a frequência das trocas e facilitar a rotina de quem utiliza bomba de insulina diariamente.
A evolução desses equipamentos envolve não apenas a redução do tamanho, mas também a integração com sensores, a automação e a possibilidade de utilizar acessórios por períodos mais longos.
Quando a nova bomba de insulina chega ao Brasil?
A MiniMed Flex recebeu autorização da agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA, em março de 2026, e começou a ser comercializada no país em junho do mesmo ano.
O lançamento ocorreu inicialmente com o sensor Simplera Sync. Em agosto, a fabricante também iniciou a comercialização da integração com o Instinct.
Nos Estados Unidos, a bomba é indicada para pessoas a partir dos 7 anos que necessitam de tratamento com insulina, conforme as condições de uso autorizadas.
No Brasil, ainda não há uma data confirmada para a chegada do equipamento. A disponibilidade depende de etapas regulatórias e comerciais, além das condições de acesso à tecnologia no país.
Durante a apresentação no ISPAD 2026, Gisele demonstrou entusiasmo com a possibilidade de o sistema também ser disponibilizado aos pacientes brasileiros.
“Então essa é uma das novidades, que a gente está com o coração aqui quentinho e torcendo para que chegue logo aqui”, afirmou.
A expectativa acompanha os avanços das bombas de insulina, que estão se tornando menores, mais conectadas e adaptadas às necessidades das pessoas com diabetes. Para os pacientes brasileiros, a chegada de novas tecnologias pode representar mais opções de tratamento, desde que acompanhada de condições adequadas de acesso.
