O exercício físico é um dos pilares do tratamento do diabetes, mas praticá-lo com segurança exige mais do que escolher uma modalidade. O controle da glicose, a hidratação, o uso adequado da insulina e o planejamento da atividade influenciam diretamente o desempenho e ajudam a reduzir o risco de complicações.
O tema foi esclarescido no DiabetesCast pelo professor de Educação Física e fisiologista do exercício William Komatsu, que estuda diabetes há mais de 20 anos, e pela endocrinologista e pesquisadora Denise Franco. Durante a conversa, ambos reforçaram que o exercício físico faz parte do tratamento do diabetes e deve receber a mesma atenção dada aos medicamentos.
Exercício físico é parte do tratamento do diabetes
Para Denise Franco, o exercício físico é um dos pilares do tratamento do diabetes. Além do controle glicêmico, ele contribui para a saúde cardiovascular, preservação da massa muscular e melhora da qualidade de vida.
A endocrinologista lembra que existe uma diferença entre atividade física e exercício físico. Qualquer movimento corporal que aumente o gasto energético é considerado atividade física. Caminhar até o trabalho, subir escadas, passear com o cachorro ou lavar a louça são alguns exemplos.
Já o exercício físico é planejado, estruturado e realizado com um objetivo específico. Segundo William Komatsu, essa diferença é importante porque o exercício deve ser encarado como uma prescrição.
“Ele tem indicação, contraindicação, efeitos esperados e precisa ser individualizado. É como um medicamento”, explica o fisiologista.
Por isso, os especialistas defendem que a recomendação do exercício esteja registrada na própria receita médica. Mais do que orientar o paciente a “fazer caminhada”, é importante definir frequência, intensidade, duração e modalidade mais adequada para cada pessoa.
Diagnóstico não deve afastar a prática de exercícios
Muitas pessoas reduzem ou até interrompem a prática de exercícios após receberem o diagnóstico de diabetes por medo de episódios de hipoglicemia ou por não saberem como agir diante das alterações da glicose.
Segundo Denise Franco, esse comportamento é comum, mas o caminho não deve ser evitar o exercício. O ideal é receber orientação adequada para praticá-lo com segurança.
William Komatsu reforça que o exercício deve ser incorporado desde o início do tratamento. Para ele, da mesma forma que uma pessoa inicia o uso de medicamentos após o diagnóstico, também deveria iniciar um programa de exercícios físicos individualizado.
Os especialistas destacam que o movimento não deve ser encarado apenas como estratégia para emagrecimento ou estética. O exercício faz parte do tratamento e precisa ser valorizado por profissionais de saúde e pacientes.
Crianças e adolescentes também precisam se movimentar
O receio de uma hipoglicemia faz muitos pais limitarem as brincadeiras das crianças com diabetes. No entanto, William Komatsu afirma que essa proteção excessiva pode trazer consequências.
Durante seu mestrado, ele avaliou adolescentes com e sem diabetes e observou que aqueles com diabetes apresentavam menor condicionamento físico. Segundo o pesquisador, isso acontecia porque eram menos ativos no dia a dia.
Enquanto muitas crianças sem diabetes brincavam constantemente, as que conviviam com a condição permaneciam mais tempo paradas devido ao receio dos familiares.
Para o especialista, crianças precisam brincar, correr e participar das atividades próprias da idade. A orientação é que os cuidados estejam voltados para o monitoramento da glicemia e não para impedir o movimento.
Já entre adolescentes, a recomendação é incentivar modalidades com as quais eles tenham maior afinidade. A musculação, por exemplo, pode ser realizada desde que haja orientação adequada de um profissional de Educação Física.
William também lembra que não existem evidências científicas que sustentem a ideia de que a musculação prejudica o crescimento quando realizada de forma correta e supervisionada.
5 cuidados para melhorar o desempenho no exercício quando se convive com diabetes
- Monitore a glicose antes de iniciar o exercício: oresultado ajuda a decidir se é necessário ajustar a alimentação, a insulina ou até adiar a atividade.
- Pratique um exercício planejado e orientado: além da atividade física do dia a dia, um programa individualizado faz parte do tratamento do diabetes.
- Mantenha uma boa hidratação: água e eletrólitos também influenciam o desempenho durante o exercício, não apenas a glicose.
- Evite pensar que glicose alta significa mais energia: a hiperglicemia pode prejudicar a resposta do organismo durante a atividade física, principalmente quando há falta de insulina ou desidratação.
- Durma bem e mantenha uma rotina regular de treinos: a qualidade do sono e a frequência do exercício ajudam no desempenho físico e favorecem o controle da glicose.