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    Entenda como o cão de alerta identifica hipoglicemia e hiperglicemia em quem tem diabetes pelo cheiro

    Entenda como cães treinados identificam alterações da glicose pelo olfato e por que eles trabalham em conjunto com o sensor de glicose
    Laura Lany3 de julho de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Diabetes cães de ajuda
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    Pessoas com diabetes convivem diariamente com o desafio de identificar rapidamente alterações na glicose. Além dos sensores de monitorização contínua, existe outro recurso que ainda é pouco conhecido no Brasil: o cão de alerta para diabetes, treinado para reconhecer mudanças no organismo por meio do olfato.

    Enquanto vídeos desses cães são comuns em outros países, a realidade brasileira ainda é diferente. O desconhecimento sobre o trabalho desses animais dificulta até mesmo o acesso deles a locais públicos. Em entrevista ao DiabetesCast, o adestrador de cães de alerta Glauco Lima, que atua há mais de 37 anos com treinamento de cães e já treinou mais de 1.800 animais no Brasil, explicou como funciona esse trabalho e por que ele pode contribuir para a rotina de pessoas com diabetes.

    Como o cão de alerta identifica alterações da glicose de quem tem diabetes

    O treinamento começa a partir da capacidade olfativa dos cães. Segundo Glauco Lima, o organismo libera substâncias diferentes quando a glicose está muito baixa ou muito alta. O cachorro aprende a reconhecer essas alterações durante o treinamento com pessoas com diabetes.

    Na hipoglicemia, o principal composto utilizado é o isopreno, liberado em maior quantidade durante a respiração quando a glicose está caindo. Nesse contexto, o cão aprende a associar esse odor a uma resposta específica.

    Diabetes cães de ajuda

    Já na hiperglicemia, o treinamento utiliza amostras relacionadas ao aumento da produção de cetonas. Segundo Glauco, o cheiro pode lembrar o de removedor de esmalte. Durante o processo, o treinador coleta essas amostras para ensinar o animal a reconhecer o padrão característico daquele momento.

    “O trabalho é um conjunto junto com o sensor”, explicou o adestrador durante a entrevista.

    O treinamento ensina o cachorro a reconhecer o cheiro e avisar a pessoa com diabetes

    Reconhecer o odor não basta. Além disso, o cão precisa aprender como avisará a pessoa quando identificar uma alteração.

    Segundo Glauco Lima, alguns animais são treinados para tocar a pata no tutor. Outros aprendem a pegar um pequeno colar de couro com a boca e entregá-lo como sinal de alerta. Somente depois desse aviso a pessoa deve conferir os valores da glicose utilizando o sensor.

    O treinamento também estabelece limites para que o cachorro faça o alerta antes que a glicose atinja níveis mais críticos. Na hipoglicemia, por exemplo, o objetivo não é esperar que a glicose chegue a 70 mg/dL. O treinamento busca fazer o cão avisar quando os valores ainda estão próximos de 75 mg/dL e em queda.

    Na hiperglicemia acontece o mesmo processo. Glauco explica que utiliza o sensor para acompanhar a glicose durante o treinamento e define previamente o ponto em que deseja que o cachorro faça a marcação. No exemplo apresentado, o alerta começa quando a glicose se aproxima de 185 mg/dL, antes que continue aumentando.

    O cão trabalha junto com o sensor de glicose

    Embora muitas pessoas imaginem que o cachorro substitui a tecnologia, Glauco Lima afirma que isso não acontece.

    Segundo ele, o cão de alerta funciona como uma ferramenta complementar. O sensor continua sendo o equipamento responsável por confirmar os valores da glicose e orientar a tomada de decisões.

    Ainda assim, o treinador explica que o cachorro pode perceber alterações antes mesmo de alguns sensores registrarem a mudança.

    De acordo com sua experiência, em determinadas situações o cão consegue emitir o alerta entre 12 e 20 minutos antes da leitura do sensor. No entanto, ele reforça que a confirmação sempre deve ocorrer por meio da monitorização da glicose.

    Além disso, o cachorro também pode oferecer uma camada extra de segurança caso ocorra alguma falha tecnológica, como perda de calibração, problemas na leitura ou falta de bateria do sensor. Por esse motivo, Glauco reforça que os dois recursos devem atuar em conjunto, e não competir entre si.

    O treinamento começa ainda nos primeiros meses de vida

    Segundo Glauco Lima, as chamadas janelas sociais do cachorro iniciam por volta dos 21 dias de vida e seguem até aproximadamente quatro meses. Nesse período, o filhote desenvolve experiências importantes relacionadas aos estímulos do ambiente.

    Por isso, o treinamento costuma começar quando o cão tem cerca de 60 dias. Nessa fase, o animal já entra em contato com o odor da pessoa que será acompanhada.

    O treinamento utiliza reforço positivo. O cachorro aprende a associar aquele cheiro à alimentação, às brincadeiras e às recompensas. Aos poucos, ele passa a procurar espontaneamente o odor que aprendeu a identificar.

    Além disso, o treinador realiza entrevistas com a família e conversa com a equipe médica que acompanha a pessoa com diabetes. Essas informações ajudam a entender em quais horários ocorrem as hipoglicemias, quais situações aumentam o risco e como adaptar o treinamento à rotina do futuro tutor.

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    Laura Lany

    Gerente de Conteúdo e Redes Sociais - Jornalista mineira, natural de Uberlândia, Laura é descolada, sensível e criativa. Traz para o projeto uma visão estratégica e conectada com as tendências digitais. É responsável pela distribuição dos conteúdos nas redes sociais, escreve reportagens especiais para o portal e atua na produção audiovisual. Desde que abraçou a causa do diabetes, há três anos, mergulhou no universo do Um Diabético com dedicação e empatia. Está constantemente se atualizando para potencializar o alcance e o impacto do nosso conteúdo.

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