Biscoito recheado enche os olhos de quase todo mundo, não importa a idade. Da criança que abre o pacote escondido antes do jantar ao adulto que guarda um maço na gaveta do trabalho, poucos alimentos despertam esse tipo de vontade imediata.
Mas quem convive com diabetes se depara, mais cedo ou mais tarde, com uma pergunta prática: afinal, o que tem dentro desse biscoito, e dá para comer sem prejudicar o controle da glicose? Para esclarecer, o Portal Um Diabético ouviu a nutricionista Carol Netto, que analisou o rótulo de um pacote tradicional.
Por que o biscoito eleva a glicose
A resposta começa na composição do produto. A maioria dos biscoitos, sejam doces, recheados, salgados ou de polvilho, é feita com farinha refinada e carboidratos simples. Esses ingredientes se transformam em glicose rapidamente dentro do corpo, o que provoca picos de açúcar logo após o consumo. Até os biscoitos do tipo água e sal, muitas vezes vistos como opção mais segura, têm bastante carboidrato e elevam a glicemia.
Além disso, a maioria desses produtos tem pouca ou nenhuma fibra. Sem fibra suficiente, não há nada para desacelerar a absorção do açúcar, o que intensifica o pico glicêmico. Existe ainda um terceiro fator de risco: a facilidade de comer além da conta. Como as porções são pequenas e o sabor é convidativo, é simples consumir vários biscoitos sem perceber a quantidade real ingerida.
O que diz a nutricionista sobre o biscoito recheado
Segundo a nutricionista Carol Netto, o biscoito recheado se enquadra numa categoria específica: a de caloria vazia. Ou seja, o produto entrega bastante energia, mas nenhum nutriente relevante para o organismo. Para ela, o alimento reúne carboidrato simples em excesso e gordura, sem oferecer vitaminas ou fibras que compensem esse impacto.
“O produto é uma caloria vazia. Não tem nutrientes importantes, tem bastante carboidrato simples e gordura, e a gente acaba consumindo sem perceber a quantidade”, alerta Carol Netto.
O papel da gordura no pico de glicose
O biscoito recheado combina açúcar e gordura, e essa mistura tem um efeito particular sobre a glicemia. A gordura retarda a digestão, então o pico de glicose aparece cerca de duas a três horas depois da ingestão, e não logo em seguida.
Esse atraso complica o cálculo da insulina e o monitoramento da glicemia. Na prática, isso pode gerar uma hiperglicemia tardia e inesperada, difícil de associar ao biscoito comido horas antes. Por isso, quem usa insulina rápida durante as refeições precisa reforçar a atenção nas horas seguintes ao consumo.
Quanto carboidrato há em três biscoitos
Os números ajudam a entender a dimensão do problema. Três unidades de biscoito recheado somam cerca de 22 gramas de carboidrato. Um pacote comum reúne, em média, vinte unidades. Nesse contexto, o total de carboidrato disponível numa embalagem inteira costuma ser bem maior do que a maioria das pessoas imagina ao abri-la.
Biscoito salgado e de polvilho também pedem atenção
O alerta não se limita aos biscoitos doces ou recheados. Biscoitos salgados e de polvilho também se transformam em glicose dentro do corpo e, em geral, trazem outro complicador: o alto teor de sódio. Portanto, quem troca o doce pela versão salgada, pensando estar fazendo uma escolha melhor, ainda precisa observar o rótulo e moderar a porção.
Vontade genuína, não proibição
Mesmo diante desses dados, a orientação de Carol Netto não é de proibição radical. Segundo ela, o biscoito recheado não é uma boa escolha nutricional para ninguém, com ou sem diabetes. Ainda assim, diante de uma vontade genuína ou de um momento especial, o consumo pode acontecer, desde que seja raro e em quantidade pequena.
Nesse sentido, o equilíbrio está em não transformar a exceção em hábito diário, e, quando possível, buscar alternativas que tragam menos impacto na glicemia.
