O Portal Um Diabético apresenta mais uma associação de apoio a quem convive com diabetes no Brasil. Desta vez, a homenageada é a Associação Rio-Grandense de Apoio ao Diabético, a ARAD, de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.
Há mais de duas décadas, um grupo de voluntários mantém a entidade como uma das referências regionais em apoio a quem convive com diabetes na região.
A ARAD nasceu sem estrutura pública e segue funcionando assim até hoje, em local cedido pelo Sindicato dos Médicos de Novo Hamburgo e a sociedade de Medicina Segundo a presidente Rosana Blankenheim, a entidade é mantida pelo trabalho de voluntários e pela mensalidade dos associados. Não há patrocínio de empresas nem repasse de verba pública.
Quase três décadas de atuação voluntária
A ARAD não tem funcionários remunerados. Toda a rotina da associação, dos encontros educativos ao atendimento aos associados, depende de voluntários.
Rosana Inês Blankenheim, presidente da entidade, explica que o trabalho é regional e concentrado no diabetes tipo 2. Esse público representa a maior parte das pessoas atendidas.
Segundo ela, a associação impacta mais de 5 mil pessoas por ano, entre associados e famílias que participam das atividades.
“Manter esse alcance apenas com trabalho voluntário exige organização constante e parcerias com outras entidades da cidade. Assim, a associação consegue se manter ativa mesmo sem apoio institucional direto”, explica Rosana.

Exemplos de ações desenvolvidas pela associação
A ARAD promove encontros de educação em diabetes a cada quinze dias. Um dos exemplos foi uma orientação sobre alimentação ao diabético feita em parceria com uma associação médica local, com participação da nutricionista Maria de Lurdes Milan.
A entidade também já uniu forças com outras organizações para ampliar esse trabalho. Um exemplo foi uma palestra sobre pé diabético, que reuniu dezenas de famílias da região. A iniciativa contou com parceria da Federação Vozes do Advocacy em Diabetes e Obesidade e do Lions Club Novo Hamburgo Courocap.
Durante o encontro, o enfermeiro dermatológico e podiatra clínico Gabriel Teixeira falou sobre o pé diabético e suas complicações. Ele explicou que a condição pode aparecer em três formatos.
O pé isquêmico ocorre quando há baixa circulação, sem o aporte sanguíneo necessário. O pé neuropático aparece quando o paciente perde a sensibilidade motora dos pés. Já o pé misto reúne as duas situações.
O especialista deu orientações e chamou atenção para o formigamento, câimbra e dores que são sinais de alerta.
Na ação, o especialista reforçou alguns cuidados simples: secar bem os dedos após o banho, evitar o escalda-pés e cortar as unhas em linha reta. Segundo a associação, esse tipo de orientação prática ajuda a prevenir complicações mais graves.

Os obstáculos que a associação enfrenta todos os dias
Para Rosana, os problemas que mais afetam quem convive com diabetes na região se repetem. Ela cita falta de acesso a especialistas, ausência de diagnóstico precoce e escassez de políticas públicas.
Também aponta pouca informação disponível para a população e dificuldades socioeconômicas que dificultam o tratamento.
É por isso que a educação continuada faz tanta diferença, segundo ela.
“Muita gente só descobre o que precisa mudar quando participa dos encontros da associação”, completa a presidente.
O que é importante entender
A experiência da ARAD mostra como associações de pacientes seguem preenchendo lacunas que o poder público não cobre, principalmente fora dos grandes centros.
Educação em diabetes, orientação sobre pé diabético e apoio entre pares aparecem como frentes decisivas quando falta acesso a especialistas.
O trabalho voluntário, nesses casos, funciona como ponte entre o paciente e o cuidado que a rede pública muitas vezes não consegue oferecer.
Essa realidade se repete em diferentes regiões do país. Por isso, o Portal Um Diabético segue mapeando entidades como a ARAD em uma série dedicada às associações de pacientes no Brasil.
Cada uma delas revela, à sua maneira, o tamanho do espaço que falta ser ocupado por políticas públicas voltadas ao diabetes.

