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    Início - Estudo do Hospital das Clínicas em SP mostra benefícios do sensor de glicose em crianças e adolescentes pelo SUS
    ISPAD 2026

    Estudo do Hospital das Clínicas em SP mostra benefícios do sensor de glicose em crianças e adolescentes pelo SUS

    Pesquisa do Hospital das Clínicas de São Paulo acompanhou 79 crianças e adolescentes e identificou melhora no controle glicêmico após seis meses de uso dos sensores.
    Estefane Moitinho5 de novembro de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Criança com sensor de glicose no braço enquanto uma mulher acompanha os níveis de glicose pelo celular.
    Estudo apresentado no ISPAD 2026 mostra benefícios do sensor de glicose para crianças e adolescentes atendidos pelo SUS.
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    Os benefícios do uso do sensor de glicose por crianças e adolescentes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ganharam destaque no ISPAD 2026, congresso internacional dedicado ao diabetes na infância e adolescência, realizado no Rio de Janeiro.

    Um estudo desenvolvido no Hospital das Clínicas de São Paulo acompanhou 79 pacientes que receberam os dispositivos pelo SUS e identificou melhorias importantes no controle glicêmico ao longo de seis meses. Entre os resultados estão a redução de quase um ponto percentual na hemoglobina glicada, o aumento de mais de 10% no tempo no alvo e a diminuição de internações e episódios de cetoacidose.

    Durante a cobertura do ISPAD 2026, o jornalista Tom Bueno, do Portal Um Diabético, conversou com Daniel Barreto, médico residente e integrante da equipe responsável pelo estudo, sobre os principais resultados da pesquisa do sensor.

    “No nosso estudo a gente conseguiu beneficiar 79 dos nossos pacientes todos com o sensor porque o SUS proveu e os resultados foram muito bons, foi muito interessante ver como melhorou os parâmetros, o perfil glicêmico desses pacientes”, destacou.

    O que mudou após seis meses de uso do sensor?

    Um dos resultados que mais chamaram a atenção dos pesquisadores foi a redução da hemoglobina glicada, exame que indica a média dos níveis de glicose no sangue nos últimos dois a três meses.

    Segundo Daniel, a melhora observada em apenas seis meses foi um dos principais resultados do acompanhamento.

    “Além da percepção do cuidado das famílias e das crianças, o que mais chamou a atenção foi a queda na glicada, que quase alcançou um ponto a menos em 6 meses”, afirmou.

    Outro resultado positivo foi o aumento de mais de 10% no tempo no alvo, indicador que representa o período em que a glicose permanece dentro da faixa desejada.

    Na infância e adolescência, manter a glicose dentro da faixa recomendada é especialmente importante para reduzir o risco de complicações ao longo da vida. A melhora desses indicadores sugere um controle glicêmico mais adequado, embora os resultados observados em seis meses não permitam determinar, isoladamente, os efeitos da tecnologia a longo prazo.

    Diferentemente de uma medição isolada, o sensor fornece informações frequentes sobre as variações da glicose, ajudando as famílias e os profissionais de saúde a identificar padrões e avaliar possíveis ajustes no tratamento.

    Menos internações e episódios de cetoacidose

    Além da melhora nos indicadores glicêmicos, os pesquisadores observaram uma diminuição nas internações e nos episódios de cetoacidose entre os participantes.

    A cetoacidose diabética é uma complicação grave que ocorre quando há falta importante de insulina no organismo, provocando o acúmulo de cetonas no sangue. A situação exige atendimento médico imediato e pode levar à hospitalização.

    “A gente percebeu também menos internação, menos cetoacidose”, relatou Daniel durante a entrevista.

    A monitorização contínua pode ajudar a identificar alterações na glicose e permitir uma resposta mais rápida, especialmente quando os dispositivos oferecem alertas para valores elevados ou baixos.

    Embora o estudo tenha apresentado resultados positivos, a entrevista não detalhou os números de internações e episódios de cetoacidose antes e depois do acompanhamento. Por isso, ainda não é possível quantificar essa redução com as informações divulgadas.

    Como os sensores ajudam crianças e adolescentes?

    O acompanhamento da glicose pode representar um desafio durante a infância e adolescência, principalmente pelas mudanças na alimentação, nas atividades físicas e nas necessidades de insulina ao longo do crescimento.

    Os sensores permitem acompanhar as tendências da glicose durante o dia e a noite, reduzindo a necessidade de medições frequentes na ponta do dedo, embora essas verificações ainda possam ser necessárias em algumas situações.

    Para as famílias, o acesso às informações pode facilitar a identificação de episódios de hipoglicemia e hiperglicemia e contribuir para decisões mais seguras no cotidiano.

    Entretanto, os dispositivos não substituem a administração de insulina nem o acompanhamento médico. A interpretação dos dados deve fazer parte do tratamento orientado pela equipe de saúde.

    Resultados também podem beneficiar o SUS

    Outro ponto destacado pelo pesquisador foi o possível impacto da monitorização contínua nos custos da saúde pública.

    Internações relacionadas a complicações do diabetes exigem estrutura hospitalar e atendimento especializado. Por isso, evitar esses episódios pode representar benefícios para os pacientes e para o sistema de saúde.

    “Porque se você evita essas internações você evita muito mais gastos”, explicou Daniel.

    Apesar dessa possibilidade, a entrevista não apresentou uma análise econômica detalhada que permita calcular a economia gerada pelo uso do sensor.

    A apresentação do estudo no ISPAD 2026 dá visibilidade a uma experiência brasileira de utilização da monitorização contínua da glicose no atendimento público. O trabalho desenvolvido pela equipe do Hospital das Clínicas de São Paulo mostra resultados observados na prática clínica e contribui para as discussões sobre o acesso a essa tecnologia.

    Os avanços identificados nos 79 participantes ao longo de seis meses reforçam a importância de investigar como a disponibilização dos sensores pode contribuir para melhorar o acompanhamento, a segurança e a qualidade de vida de crianças e adolescentes com diabetes atendidos pelo SUS.

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    Estefane Moitinho

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