Para quem tem diabetes, porém, a escolha dos alimentos pode gerar dúvidas, principalmente quando a glicose já está mais alta ao acordar.
Pão, frutas, café, queijo e iogurte costumam aparecer na mesa do café da manhã.
Nesse momento, saber como está a glicose antes de comer pode ajudar a definir a composição da primeira refeição do dia. A nutricionista Carol Netto, especialista em diabetes, explica que a ideia não é criar um cardápio específico para cada valor de glicemia, mas entender como fazer escolhas mais adequadas dentro da rotina.
Segundo ela, uma das estratégias é observar a quantidade de carboidratos e dar preferência, quando possível, a alimentos com menor índice glicêmico.
A glicose antes do café da manhã faz diferença
A primeira orientação da nutricionista é saber como está a glicemia antes de comer. Essa informação ajuda a avaliar a refeição que será feita naquele momento.
Para quem acorda com a glicose mais alta, Carol explica que alimentos com pouco ou nenhum carboidrato podem ser uma alternativa. Quando houver uma fonte de carboidrato, a preferência pode ser por opções com maior quantidade de fibras.
Isso não significa que o café da manhã precise ser totalmente sem carboidratos. A quantidade consumida e a combinação com os outros alimentos também fazem parte dessa avaliação.
Pão francês ou integral?
O pão é um dos alimentos mais presentes no café da manhã e também um dos que costumam gerar dúvidas entre pessoas com diabetes.
Na comparação entre o pão francês e o pão de forma integral, a versão integral tende a ser uma escolha mais interessante por conter mais fibras. Ainda assim, ela continua fornecendo carboidratos, portanto a quantidade consumida também precisa ser considerada.
Já o pão francês apresenta índice glicêmico mais alto. Por isso, quando a glicemia já está elevada ao acordar, Carol não o considera a melhor escolha para aquele momento.
Para quem ainda optar pelo pão francês, a nutricionista cita algumas formas de compor a refeição. Uma delas é combinar o pão com uma fonte de gordura, como a manteiga, e retirar o miolo.
A orientação não transforma o pão francês em uma opção de baixo índice glicêmico. A ideia é considerar como os alimentos são combinados e qual é a situação da glicemia naquele dia.
Ovo e queijo ajudam a variar a refeição
Quando a intenção é reduzir a quantidade de carboidratos do café da manhã, o ovo pode ser uma alternativa. O alimento não contém carboidratos e é fonte de proteína.
O queijo também pode entrar nessa composição. Nesse caso, porém, é preciso prestar atenção à quantidade, já que o alimento também fornece gordura.
São opções que podem ajudar a montar uma refeição diferente nos dias em que a glicose está mais alta, sem depender exclusivamente do pão como fonte de carboidrato no café da manhã.
Fruta não precisa sair do prato
A fruta também pode fazer parte da alimentação de quem tem diabetes. O cuidado está na escolha e na quantidade consumida.
Carol Netto cita o morango como exemplo de fruta com menor índice glicêmico. A banana apresenta um índice um pouco maior, mas isso não significa que precise ser excluída da rotina.
O tamanho da porção faz diferença. Por isso, a escolha da fruta não deve ser analisada isoladamente. É preciso considerar quanto será consumido e quais outros alimentos estarão presentes na mesma refeição.
E o iogurte?
O iogurte também pode fazer parte do café da manhã. Para quem acorda com a glicemia mais alta, Carol cita o iogurte zero entre as opções que podem ser consideradas.
Ainda assim, vale observar o rótulo e a quantidade consumida. Os produtos disponíveis têm diferentes composições e podem apresentar quantidades distintas de carboidratos.
Por isso, não basta olhar apenas se o produto é “zero”. A composição nutricional e a porção consumida também precisam entrar na avaliação.
Café sem açúcar é a melhor opção
Para quem não abre mão do cafezinho pela manhã, a bebida pode continuar na rotina.
A recomendação da nutricionista é dar preferência ao café sem açúcar. Caso a pessoa use açúcar, a orientação é colocar uma quantidade pequena. Quem faz contagem de carboidratos também precisa considerar esse açúcar no cálculo da refeição.
O cuidado é importante porque o açúcar adicionado ao café também contribui para o consumo de carboidratos, mesmo quando utilizado em pequenas quantidades.
Glicose alta não significa ficar sem comer
As opções citadas pela nutricionista são exemplos, e não uma lista que precisa ser seguida por todas as pessoas com diabetes.
Quem não costuma comer ovo, queijo ou iogurte, por exemplo, pode fazer outras escolhas. O mais importante é entender o que deve ser observado ao montar a refeição: a quantidade de carboidratos, a presença de fibras, a composição dos alimentos e a resposta da glicemia.
A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) reforça que a alimentação deve ser individualizada e não baseada em restrições rígidas. A entidade recomenda considerar as preferências e necessidades de cada pessoa, além de priorizar alimentos ricos em fibras e minimamente processados e reduzir o consumo de carboidratos refinados e açúcares adicionados.
Por isso, acordar com a glicose alta não significa deixar de tomar café da manhã ou retirar todos os carboidratos da refeição. Significa fazer uma escolha mais consciente diante daquele cenário.
Também é importante acompanhar como a glicemia se comporta depois das refeições. Esse acompanhamento pode ajudar a pessoa e sua equipe de saúde a entender quais escolhas funcionam melhor dentro da sua rotina.
Por que a glicose pode estar alta ao acordar?
A glicemia elevada pela manhã não está necessariamente relacionada ao que foi consumido na noite anterior.
Uma das possíveis explicações é o fenômeno do alvorecer, que está relacionado às alterações hormonais que acontecem nas primeiras horas da manhã. Nesse período, o organismo aumenta a liberação de glicose para disponibilizar energia ao despertar.
Em pessoas com diabetes, esse processo pode contribuir para uma elevação da glicemia. Foi também esse o motivo citado por Tom Bueno no vídeo ao contar que costuma acordar com a glicose mais alta.
Se isso acontece com frequência, observar os valores ao longo dos dias pode ajudar a identificar se existe um padrão. Essa informação pode ser útil para que a equipe de saúde avalie o que está acontecendo e, se necessário, faça ajustes no tratamento.
O café da manhã é apenas uma parte do controle
A glicemia encontrada ao acordar pode trazer informações importantes, mas não deve ser analisada de forma isolada.
A composição do café da manhã, a quantidade de carboidratos, a resposta após a refeição e o comportamento da glicose ao longo do dia ajudam a formar um quadro mais completo.
Por isso, quando a glicemia aparece frequentemente elevada pela manhã, a recomendação não é simplesmente cortar alimentos da rotina. Vale observar o padrão e conversar com a equipe de saúde para investigar as possíveis causas.
A alimentação pode ser adaptada de acordo com as necessidades de cada pessoa. E, quando o cenário muda, fazer boas escolhas e acompanhar a resposta da glicose pode ser mais útil do que seguir uma lista fixa de alimentos permitidos ou proibidos.
