Cães e gatos com diabetes podem apresentar mudanças no comportamento quando a glicose fica muito baixa ou muito alta. Alguns sinais aparecem de forma rápida e podem ser percebidos pelo responsável em casa.
Segundo Anna Maria Schnabel, endocrinologista de cães e gatos, sócia fundadora e diretora da Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (ABEV), reconhecer esses sinais ajuda o responsável a identificar situações que precisam de avaliação veterinária.
Quais sinais podem indicar glicose baixa no pet?
A hipoglicemia ocorre quando a glicose fica baixa. O problema exige atenção principalmente em cães e gatos que convivem com diabetes e recebem insulina.
Os primeiros sinais podem incluir fraqueza, hipersalivação, sonolência, prostração, comportamento diferente e desorientação. Além disso, o animal pode apresentar tremores, dificuldade para andar e falta de coordenação.
Em situações mais graves, o animal pode ter convulsões, perder a consciência ou apresentar dificuldade para responder.
Por isso, uma mudança repentina no comportamento pode indicar uma alteração da glicose. O responsável precisa observar também a capacidade do animal de se alimentar e engolir.
O que fazer quando o pet apresenta sinais de hipoglicemia?
Se o animal estiver consciente, conseguir engolir e tiver condições de se alimentar, o responsável pode oferecer alimento conforme as orientações dadas anteriormente pelo veterinário.
Em episódios relacionados ao uso de insulina, o veterinário também pode orientar o uso de uma fonte de carboidrato de ação rápida.
No entanto, o responsável não deve colocar alimento ou líquido na boca de um animal muito prostrado, inconsciente, com tremores intensos ou em convulsão. Nesses casos, existe risco de aspiração.
A situação exige atendimento veterinário imediato. Em episódios graves, o profissional pode precisar administrar glicose por via intravenosa.
Mesmo que o animal melhore depois de comer, o responsável deve informar o episódio ao veterinário. O profissional pode precisar avaliar a dose de insulina.
Como identificar glicose alta em cães e gatos?
A hiperglicemia também provoca sinais que podem ser percebidos em casa. Entre os principais estão aumento da sede, aumento do volume ou da frequência da urina e aumento do apetite.
Além disso, o animal pode perder peso mesmo mantendo a alimentação.
Em cães, o diabetes também pode estar relacionado ao desenvolvimento de catarata. Já em gatos, a glicose elevada por períodos prolongados pode provocar neuropatia periférica.
Essa alteração pode modificar a forma como o gato apoia as patas traseiras. Também pode dificultar movimentos como saltar.
Quando a glicose alta pode indicar uma emergência?
Quando o diabetes fica muito descompensado, o animal pode desenvolver cetoacidose diabética.
Nesse quadro, podem aparecer falta de apetite, vômitos e desidratação. A situação exige atendimento veterinário emergencial.
Por isso, o responsável deve observar o conjunto de sinais, e não apenas uma medição da glicose.
Qual glicose é considerada adequada para cães e gatos com diabetes?
Os valores usados para cães e gatos não seguem necessariamente os mesmos parâmetros utilizados para pessoas.
Segundo Anna Maria Schnabel, a meta do tratamento depende da espécie, do tipo de insulina, do momento da medição e do quadro clínico.
Um menor valor da glicemia durante o período de ação da insulina, em torno de 100 a 250 mg/dL, pode ser usado como faixa-alvo para avaliar o tratamento de cães e gatos com diabetes.
Ainda assim, não existe um único número que determine sozinho se o tratamento está adequado.
O veterinário também considera os sinais clínicos, o peso do animal e a resposta ao tratamento.
Um único resultado da glicose pode enganar o responsável
Um dos erros frequentes no monitoramento do diabetes em cães e gatos é dar importância excessiva a uma única leitura.
As curvas glicêmicas e o conjunto de sinais clínicos ajudam mais na avaliação do tratamento do que uma medição isolada.
Além disso, o responsável não deve aumentar ou ajustar a dose de insulina por conta própria.
Leituras muito baixas também podem exigir confirmação quando o resultado não combina com os sinais apresentados pelo animal.
O que o responsável deve registrar durante o tratamento?
O acompanhamento diário pode fornecer informações úteis para a avaliação do diabetes.
O responsável deve registrar o horário e a dose da insulina, além da quantidade de alimento consumida pelo animal.
Também é importante acompanhar mudanças na ingestão de água, na urina, no peso e no comportamento.
Além disso, alimentação, exercício, doenças concomitantes e estresse podem interferir na glicemia.
Essas informações ajudam o veterinário a analisar o comportamento da glicose ao longo do tempo e avaliar a resposta ao tratamento.
