Receber o diagnóstico de diabetes costuma trazer uma lista de perguntas sobre alimentação. Entre elas, uma das mais frequentes é: quem tem diabetes pode comer beterraba?
O motivo da dúvida é o sabor naturalmente doce desse legume. Muitas pessoas acreditam que, por ser doce, a beterraba contém muito açúcar e pode provocar um aumento importante da glicose no sangue. Mas essa relação não é tão simples quanto parece.
Segundo especialistas, a beterraba não é um alimento proibido para quem convive com diabetes. Pelo contrário. Quando faz parte de uma alimentação equilibrada, ela pode ser consumida normalmente, desde que sejam respeitadas as quantidades indicadas para cada pessoa.
O sabor doce não significa excesso de açúcar
O primeiro ponto que precisa ser entendido é que o sabor doce de um alimento não determina sozinho o impacto que ele terá sobre a glicemia.
A nutricionista Carol Neto explica que a beterraba é rica em vitaminas, minerais e fibras. Ela também contém carboidratos, que são transformados em glicose durante a digestão, mas isso não significa que ela provoque grandes picos glicêmicos.
As fibras presentes na beterraba ajudam justamente a desacelerar a absorção desses carboidratos pelo organismo.
Na prática, isso faz com que a glicose seja absorvida de forma mais lenta, reduzindo a velocidade da elevação da glicemia após a refeição.
Quantos carboidratos existem na beterraba?
Outro dado importante ajuda a desfazer esse mito.
De acordo com as informações apresentadas pela nutricionista, 100 gramas de beterraba contêm aproximadamente 10 gramas de carboidratos.
Para facilitar a comparação, essa quantidade equivale, aproximadamente, ao carboidrato encontrado em um terço de um pão francês.
Mas existe uma diferença importante.
Enquanto o pão francês é composto principalmente por carboidratos refinados, que costumam elevar a glicemia rapidamente, a beterraba possui fibras que retardam esse processo de absorção.
Isso significa que alimentos com a mesma quantidade de carboidratos podem provocar respostas glicêmicas diferentes dependendo da composição nutricional.
Afinal, quem tem diabetes pode comer beterraba?
Segundo a nutricionista Carol Netto, não existe recomendação para retirar a beterraba da alimentação apenas por causa do diabetes.
Segundo as orientações apresentadas no vídeo, o consumo pode fazer parte da rotina alimentar desde que haja equilíbrio, como acontece com qualquer outro alimento que contenha carboidratos.
Isso também significa que exageros devem ser evitados.
Consumir uma porção adequada dificilmente terá um impacto importante na glicemia. Já ingerir grandes quantidades poderá aumentar os níveis de glicose, da mesma forma que ocorre com outros alimentos ricos em carboidratos.
O prato inteiro influencia mais do que um único alimento
Outro erro bastante comum é analisar apenas um ingrediente da refeição.
Na prática, a glicemia depende da soma de todos os alimentos consumidos.
Se a beterraba estiver acompanhada de arroz, batata, massas ou outros carboidratos, será necessário considerar toda essa combinação no planejamento alimentar.
Por isso, nutricionistas recomendam olhar para o conjunto da refeição e não apenas para um alimento isolado.
Essa estratégia ajuda a manter um melhor controle glicêmico sem restringir alimentos desnecessariamente.
Beterraba também oferece outros benefícios
Além de fazer parte de uma alimentação saudável, a beterraba fornece nutrientes importantes para o organismo.
Ela é fonte de vitaminas, minerais e fibras, nutrientes que contribuem para uma alimentação equilibrada e variada.
Para muitas pessoas, seu sabor naturalmente adocicado ainda ajuda a reduzir a vontade de consumir doces industrializados, favorecendo escolhas mais saudáveis no dia a dia.
O que dizem as recomendações para pessoas com diabetes?
As principais diretrizes nacionais e internacionais reforçam que nenhum alimento isoladamente deve ser considerado proibido para quem tem diabetes.
O mais importante é manter uma alimentação balanceada, priorizando verduras, legumes, frutas, proteínas magras, grãos integrais e alimentos ricos em fibras, sempre respeitando as necessidades individuais e a orientação da equipe de saúde.
A conclusão
O sabor doce da beterraba pode enganar, mas isso não significa que ela faça mal para quem tem diabetes.
Quando consumida com moderação e inserida em uma alimentação equilibrada, ela pode fazer parte do cardápio sem comprometer o controle da glicose.
Mais do que eliminar alimentos por causa do sabor, o segredo está em conhecer a composição nutricicional de cada um deles, observar as porções e manter um plano alimentar adequado à sua realidade.
Em outras palavras: a beterraba não é uma vilã. Consumida com equilíbrio, ela pode ser uma aliada de uma alimentação saudável para pessoas com diabetes.
