Presente na rotina de milhões de pessoas, o café é uma paixão que atravessa gerações e faz parte do dia a dia de quem convive com diabetes. Mas, neste Dia Mundial do Café, a relação entre café e glicose ainda exige atenção, especialmente para quem precisa monitorar os níveis de açúcar no sangue e entender como a bebida se encaixa no controle glicêmico.
De acordo com especialistas, o efeito do café na glicose existe, mas não é o principal fator envolvido no controle glicêmico. A forma de consumo e o contexto da alimentação fazem diferença maior.
Cafeína tem efeito na glicemia, mas impacto é limitado
A nutricionista e membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Maristela Strufaldi, explica que a cafeína pode provocar uma alteração discreta na glicemia. No entanto, esse efeito costuma ser pequeno.
Segundo ela, não existe recomendação para retirar a bebida da rotina de quem tem diabetes. Algumas pessoas não apresentam qualquer alteração nos níveis de glicose após o consumo da bebida.
A especialista destaca que diversos fatores influenciam a glicemia ao longo do dia. Entre eles estão qualidade do sono, prática de atividade física e composição das refeições. Nesse cenário, o café não ocupa posição central.
Forma de consumo do café interfere mais do que a bebida
O impacto do café e glicose depende, principalmente, do que acompanha a bebida. A forma de preparo e os ingredientes adicionados mudam o efeito no organismo.
Quando a bebida é consumida com açúcar, ocorre aumento da glicemia por causa do carboidrato simples. Já o uso de adoçantes não provoca esse mesmo efeito. No caso do café com leite, a presença de lactose também influencia os níveis de glicose.
Além disso, o que acompanha o café também deve ser considerado. Alimentos como pães e biscoitos contribuem para o aumento da glicemia, o que pode gerar interpretação equivocada sobre o papel da bebida.
Estudos apontam relação entre café e risco de diabetes tipo 2
A nutricionista Carol Netto, educadora em diabetes, afirma que há pesquisas que associam o consumo de café à redução do risco de desenvolver diabetes tipo 2. Esse efeito estaria relacionado à melhora da sensibilidade à insulina e ao metabolismo da glicose.
Alguns estudos também indicam que o café pode contribuir para o controle de peso. A cafeína aumenta o gasto energético, o que pode influenciar o balanço calórico diário.
Outro ponto observado é a presença de compostos antioxidantes e anti-inflamatórios no café. Essas substâncias podem ter papel na proteção contra complicações associadas ao diabetes.
No entanto, a nutricionista ressalta que os estudos ainda são limitados e apresentam resultados variados. Portanto, não há consenso definitivo sobre todos os efeitos do café no metabolismo da glicose.
Consumo excessivo de cafeína exige atenção
Apesar de não haver restrição para o consumo moderado, a ingestão excessiva de cafeína pode trazer efeitos indesejados. Entre eles estão insônia, ansiedade e alterações cardíacas em pessoas sensíveis.
Além disso, existem estudos que indicam aumento da glicemia em situações de consumo elevado de cafeína. Por outro lado, há pesquisas que mostram melhora no controle glicêmico em pessoas com diabetes tipo 2 que consomem café regularmente.
Diante dessas variações, a recomendação é avaliar cada caso de forma individual. A resposta ao café pode variar entre diferentes pessoas.

Quantidade recomendada e orientação individual
A recomendação geral para adultos varia entre duas e cinco xícaras de café coado por dia. Quantidades acima desse limite podem trazer impactos negativos.
A orientação também inclui observar como o café é consumido na rotina. O tipo de adoçante, a presença de leite e os alimentos que acompanham a bebida devem ser considerados no controle da glicemia.

Especialistas indicam que pessoas com diabetes acompanhem os níveis de glicose após o consumo para entender como o organismo reage. Esse monitoramento ajuda a ajustar hábitos de forma prática.
Café pode fazer parte da rotina de quem tem diabetes
Os dados disponíveis mostram que o café pode ser incluído na alimentação de pessoas com diabetes. O principal ponto está na forma de consumo e no contexto da dieta.
A análise do café e glicose deve considerar o conjunto de fatores que influenciam o controle glicêmico. Entre eles estão alimentação, atividade física, sono e uso de medicamentos.
O acompanhamento com profissional de saúde permite ajustar a ingestão de acordo com a resposta individual e o plano alimentar.