Noortje de Brouwer recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1 justamente no ano em que realizaria o maior sonho da carreira: disputar os Jogos Olímpicos de Paris 2024. Durante anos, a atleta holandesa se preparou para esse momento.
Ao lado da irmã gêmea, Bregje de Brouwer, vinha conquistando resultados históricos para a natação artística do país. Em fevereiro de 2024, as duas garantiram a classificação para a segunda Olimpíada da carreira após conquistarem a medalha de prata no Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos, em Doha.

Poucas semanas depois, porém, a preparação para o maior evento esportivo do mundo sofreu uma reviravolta inesperada.
Em abril, menos de quatro meses antes da abertura dos Jogos Olímpicos, Noortje passou mal, desmaiou e precisou ser internada. Após exames, veio o diagnóstico de diabetes tipo 1.
Para qualquer atleta, receber uma notícia como essa tão perto de uma Olimpíada poderia significar o fim de um ciclo inteiro de preparação. Mas a história tomou outro caminho.
Os sintomas que pareciam fazer parte da rotina de treinos
Antes do diagnóstico, Noortje já vinha percebendo que algo estava diferente. Ela sentia uma sede constante, bebia grandes quantidades de água ao longo do dia e precisava ir ao banheiro repetidamente. Além disso, começou a perder peso e notou que seu corpo já não respondia da mesma forma durante os treinamentos.
Como a natação artística exige sessões intensas de preparação física diariamente, ela acreditava que aqueles sintomas eram consequência natural da carga de treinos.
Somente depois do desmaio e dos exames realizados no hospital descobriu que todos aqueles sinais eram causados pelo diabetes tipo 1.
A partir daquele momento, aplicações de insulina passaram a fazer parte da rotina diária da atleta.
Aprender a controlar o diabetes em meio à preparação olímpica
O diagnóstico aconteceu justamente quando Noortje e Bregje viviam uma das fases mais importantes da carreira.
Além da adaptação ao tratamento, era necessário continuar treinando para disputar uma Olimpíada.
Segundo Noortje, a primeira preocupação foi entender se ainda conseguiria competir em Paris.
Apesar do impacto inicial, a equipe médica transmitiu uma mensagem importante: pessoas com diabetes tipo 1 podem praticar esportes de alto rendimento, desde que recebam acompanhamento adequado e aprendam a controlar a condição.
Mesmo assim, os treinos precisaram ser adaptados. A intensidade das sessões foi reduzida em alguns momentos para permitir que seu organismo se ajustasse às novas doses de insulina e ao controle da glicemia.

A irmã gêmea, Bregje, acompanhou todo esse processo de perto. Segundo ela, a situação teve um grande impacto não apenas na preparação esportiva, mas também na saúde física e emocional da irmã.
Ainda assim, destacou a força mental de Noortje durante todo o período.
De um momento de incerteza a uma conquista histórica
Mesmo enfrentando todas essas mudanças, os resultados começaram a aparecer rapidamente.
Pouco tempo após o diagnóstico, as irmãs conquistaram, pela primeira vez, o título europeu da modalidade, vencendo tanto a prova técnica quanto a prova livre no Campeonato Europeu de Belgrado.
A conquista aumentou ainda mais a confiança da dupla para os Jogos Olímpicos.
Em Paris, Noortje entrou na piscina sabendo que carregava uma responsabilidade diferente daquela imaginada meses antes.
Além de representar seu país, também mostrava que um diagnóstico recente de diabetes tipo 1 não precisava impedir uma atleta de competir no mais alto nível.
O resultado foi histórico. Ao lado de Bregje, conquistou a medalha de bronze, a primeira medalha olímpica da Holanda na natação artística.
Uma nova rotina dentro e fora da piscina
Depois do diagnóstico, o controle da glicemia passou a fazer parte da preparação esportiva da mesma forma que os treinos técnicos.
Aplicações de insulina, monitorização constante e acompanhamento médico passaram a integrar a rotina diária da atleta.
Segundo Noortje, a experiência também trouxe um aprendizado importante sobre seus próprios limites.
Ela afirma que descobriu que o corpo é capaz de fazer muito mais do que imaginamos quando a mente permanece forte diante das dificuldades.
Essa mudança de perspectiva ajudou a enfrentar não apenas o desafio do diabetes, mas também toda a pressão envolvida em uma competição olímpica.
Um exemplo para outras pessoas com diabetes tipo 1
A história de Noortje de Brouwer vai além da medalha conquistada em Paris. Seu diagnóstico aconteceu em um momento em que muitas pessoas imaginariam ser impossível manter o mesmo nível de rendimento esportivo.
Em poucos meses, ela precisou aprender a conviver com uma doença crônica, reorganizar completamente sua rotina e continuar se preparando para a competição mais importante de sua carreira.
Ao subir ao pódio olímpico, mostrou que o diabetes tipo 1 exige adaptações, disciplina e cuidados constantes, mas não impede grandes conquistas.
Sua trajetória também reforça uma mensagem importante para crianças, adolescentes e adultos recém-diagnosticados: receber o diagnóstico pode mudar a rotina, mas não precisa mudar os sonhos.
Dentro da piscina, Noortje de Brouwer conquistou uma medalha olímpica. Fora dela, tornou-se mais um exemplo de que o diabetes tipo 1 não define até onde uma pessoa pode chegar.