Para a cantora Paula Toller, do Kid Abelha, aprender a fazer a contagem de carboidratos foi uma das formas que encontrou para entender melhor a relação entre alimentação, insulina e glicose depois de receber o diagnóstico de diabetes tipo 1. Mais de uma década após começar esse processo, a cantora afirma que já sabe de memória a quantidade de carboidratos de alguns alimentos que fazem parte da sua rotina.
“Você sabe o quanto você vai comer naquela refeição e aí você sabe o quanto de insulina você tem que tomar”, explicou Paula ao falar sobre como utiliza a contagem de carboidratos no dia a dia.
No início, porém, ela não sabia como conseguiria memorizar tantas informações. Para organizar a nova rotina, passou a consultar tabelas com a quantidade de carboidratos dos alimentos e decidiu registrar o que comia nas refeições.
Como Paula Toller aprendeu a contar carboidratos
Paula começou a anotar as refeições, incluindo café da manhã, almoço e jantar, além dos alimentos consumidos e das respectivas quantidades. Ela também buscou materiais que apresentavam os valores de carboidratos de diferentes alimentos e preparações.
Paula Toller lembra que, no começo, imaginava que seria impossível decorar todas essas informações. Com o passar dos anos, entretanto, a repetição fez com que alguns valores se tornassem familiares.

Hoje, Paula Toller conta que consegue saber de memória a quantidade de carboidratos presente em alimentos como uma colher de arroz, uma torrada, um suco de laranja e uma laranja.
Segundo ela, esse aprendizado ajudou a organizar a rotina e a lidar com o diagnóstico sem entrar em pânico. A contagem passou a fazer parte da maneira como ela administra as refeições e calcula a quantidade de insulina necessária.
Diagnóstico de diabetes tipo 1 aconteceu aos 47 anos
A relação de Paula com o diabetes começou quando ela tinha 47 anos, durante uma consulta de rotina com um dermatologista. Segundo o relato da cantora, o médico percebeu que ela estava muito magra e decidiu solicitar um exame de sangue.
O resultado apontou uma glicose de 400 mg/dL em jejum, de acordo com Paula. A partir do diagnóstico, ela precisou aprender a lidar com uma rotina que envolvia controle da glicose, uso de insulina e atenção à quantidade de carboidratos consumida nas refeições.
A cantora afirma que o aprendizado foi uma maneira de entender como conviver com o diabetes tipo 1 e manter as atividades da rotina.
Contagem de carboidratos passou a fazer parte da rotina
Ao explicar sua experiência, Paula destacou que a contagem de carboidratos também pode ser compreendida como uma forma de conhecer melhor os alimentos consumidos ao longo do dia.
Para ela, saber a quantidade de carboidratos presente em uma refeição permite relacionar essa informação à quantidade de insulina que precisa utilizar.
A cantora também relatou que começou a registrar as refeições em um livro. Um dos registros apresentados por ela tem a data de 16 de fevereiro de 2009 e reúne informações sobre o que havia comido e as quantidades.
Esse processo ajudou Paula a transformar uma tarefa que inicialmente parecia impossível em algo incorporado à rotina. Depois de mais de uma década convivendo com o diabetes tipo 1, ela afirma que já reconhece de memória alguns alimentos que consome com frequência.
Diabetes tipo 1 também exige atenção à hipoglicemia
Paula também falou sobre uma situação que pode gerar dúvidas para quem não convive com diabetes: a necessidade de consumir açúcar quando ocorre uma hipoglicemia.
Durante o relato, ela explicou que uma pessoa com diabetes pode precisar consumir algo com açúcar quando a glicose cai demais. Por isso, segundo a cantora, é importante compreender que o cuidado com a alimentação não significa simplesmente evitar qualquer consumo de açúcar em todas as situações.
A hipoglicemia também aparece na rotina de Paula durante os shows. Ela contou que algumas pessoas já perguntaram como consegue cantar, pular e dançar durante uma apresentação de quase duas horas sem ter uma queda da glicose que provoque mal-estar.
Segundo a cantora, ela utiliza estratégias para dosar a insulina e mantém uma pessoa por perto com algo doce caso precise durante as apresentações.
Paula Toller fala sobre diabetes durante os shows
A cantora afirma que nunca precisou interromper um show por causa de uma hipoglicemia. Ela também considera importante compartilhar sua experiência para ajudar outras pessoas a entenderem melhor o diabetes e, principalmente, para ampliar a informação entre aqueles que convivem e cuidam de pessoas com a doença.
Paula também chama atenção para as diferenças que o diabetes pode trazer em cada fase da vida. Segundo ela, uma criança pode sentir que não consegue brincar como antes, enquanto um adolescente pode enfrentar dificuldades em situações sociais.
Além disso, o impacto da rotina não envolve apenas quem recebeu o diagnóstico. Familiares, irmãos, mães, colegas e outras pessoas próximas também precisam entender como participar dos cuidados.
