No café da manhã de muitas pessoas, o pão francês aparece acompanhado apenas de manteiga e café. Para quem tem diabetes tipo 2, no entanto, a combinação pode fazer diferença na resposta da glicose.
Segundo a nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos Ferraz, membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a orientação não precisa ser retirar o pão da alimentação. A estratégia pode envolver quantidade e combinação.
Pão pode fazer parte da alimentação de quem tem diabetes?
Tarcila explica que pessoas com diabetes tipo 2 não precisam eliminar alimentos como pão, arroz ou feijão. O planejamento deve considerar a realidade e os hábitos de cada pessoa.
No caso do pão francês, a nutricionista aponta que o alimento contém carboidrato e pode ser absorvido rapidamente. Por isso, ela recomenda atenção à quantidade e à composição da refeição.
A referência usada pela especialista é um pão de aproximadamente 50 gramas. Ela também cita a possibilidade de retirar parte do miolo para reduzir a quantidade consumida.
No entanto, o ponto central está na combinação. Comer o pão junto com uma fonte de proteína pode ajudar a montar uma refeição mais equilibrada.

Ovo pode ajudar no controle da glicose?
Uma das opções citadas por Tarcila é combinar o pão com ovo mexido. A nutricionista explica que consumir apenas um alimento com carboidrato e absorção mais rápida pode favorecer uma elevação maior da glicose. Por outro lado, acrescentar uma fonte de proteína muda a composição da refeição.
A estratégia também pode evitar a soma de diferentes fontes de carboidrato no mesmo momento.
Por exemplo, uma pessoa pode comer o pão com ovo e deixar a fruta para outro horário. Dessa forma, ela evita juntar pão e fruta na mesma refeição, aumentando a quantidade total de carboidrato.
Com ou sem proteína?
A proposta não significa que o pão precise sair do cardápio. Tarcila defende uma adaptação baseada na alimentação que a pessoa já faz.
Além do ovo, a proteína pode aparecer de outras formas, conforme o planejamento alimentar individual. O objetivo é combinar os alimentos e controlar a quantidade de carboidrato consumida.
A nutricionista ressalta que não existe uma regra única para todas as pessoas com diabetes tipo 2. A resposta da glicose pode variar de acordo com o organismo, os medicamentos utilizados, a quantidade ingerida e a combinação dos alimentos.
Por que a quantidade importa?
O diabetes tipo 2 envolve resistência à insulina. Nesse contexto, Tarcila explica que a quantidade de carboidrato ganha importância no planejamento das refeições.
Por isso, trocar um alimento por outro sem considerar a quantidade não resolve necessariamente o problema. Uma pessoa pode substituir o pão por outro alimento considerado mais saudável e ainda consumir uma quantidade elevada de carboidrato.
A nutricionista também destaca que a monitorização da glicose pode ajudar a entender como cada pessoa responde às refeições. Quando existe acesso ao glicosímetro ou ao sensor, é possível observar os valores antes e depois da alimentação.
Esse acompanhamento permite identificar quais combinações funcionam melhor para cada organismo. Assim, o planejamento pode considerar o que a pessoa gosta de comer sem transformar o diagnóstico em uma lista de alimentos proibidos.
Pão, diabetes e alimentação individualizada
Para Tarcila, o planejamento alimentar precisa considerar os hábitos, o acesso aos alimentos e as preferências de cada pessoa.
Portanto, quem recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 2 não precisa necessariamente abandonar o pão francês. A orientação é observar a quantidade, combinar o alimento com uma fonte de proteína e avaliar a resposta da glicose quando houver possibilidade de monitorização da glicemia.
