A reutilização da agulha da caneta de insulina ainda faz parte da rotina de muitas pessoas com diabetes. No entanto, o hábito pode interferir na aplicação da insulina e aumentar riscos no local da aplicação.
A orientação foi reforçada pela enfermeira e educadora em diabetes Gisele Filgueiras em um vídeo publicado nas redes sociais. Segundo ela, o ideal é trocar a agulha a cada uso da caneta.
De acordo com Gisele, descartar a agulha logo após a aplicação ajuda a evitar esquecimentos e reduz problemas durante o uso da caneta na próxima dose.
Reutilizar agulha da insulina pode aumentar entrada de ar
Segundo Gisele Filgueiras, manter a agulha acoplada na caneta pode favorecer a entrada de ar no dispositivo. Nesse contexto, a pessoa pode precisar retirar mais unidades de insulina durante o teste da gota.
Ela explica que o teste serve para retirar o ar antes da aplicação. No entanto, quando existe bolha de ar na caneta, pode ocorrer desperdício maior de insulina.
“Usei agora, apliquei, já descarta a sua agulha e guarda a sua caneta”, orienta a educadora em diabetes.
Além disso, ela afirma que a reutilização altera a estrutura da agulha com o passar das aplicações.
Agulha perde lubrificação após várias aplicações
Segundo Gisele, a agulha possui uma camada de lubrificação que facilita a entrada na pele durante a aplicação da insulina. No entanto, essa proteção diminui após usos repetidos.
Com isso, a ponta da agulha pode sofrer deformações. Ainda segundo ela, a estrutura passa a ficar “esgarçada”, o que pode causar desconforto e dificultar a aplicação.
Nesse contexto, a reutilização também pode aumentar o risco de entrada de ar e provocar dor no local.
Além disso, Gisele cita o risco de lipodistrofia, alteração que afeta o tecido abaixo da pele e pode prejudicar a absorção da insulina.
Quantas vezes a mesma agulha pode ser usada?
Gisele Filgueiras explica que não existe uma quantidade máxima universal para reutilização. No entanto, ela afirma que os danos na agulha costumam aumentar após três ou quatro aplicações.
Ainda assim, ela reconhece que muitas pessoas enfrentam dificuldade de acesso às agulhas no tratamento do diabetes.
Por outro lado, a educadora reforça que a agulha não é reutilizável e orienta reduzir ao máximo o número de reaproveitamentos quando não houver outra opção.
“Se você precisar reutilizar, tenta reutilizar numa quantidade menor”, afirma.
Ela também sugere que cada pessoa estabeleça um limite reduzido de reutilização, como quatro ou cinco usos no máximo.
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O que a Sociedade Brasileira de Diabetes orienta sobre aplicação de insulina
A Sociedade Brasileira de Diabetes orienta que a aplicação correta da insulina faz parte do controle do diabetes e ajuda a evitar complicações relacionadas ao tratamento.
Segundo a entidade, o rodízio dos locais de aplicação também reduz o risco de lipodistrofia. Além disso, alterações na pele podem interferir na absorção da insulina e impactar a glicemia.
A SBD também destaca que materiais utilizados na aplicação precisam seguir orientações de uso e descarte para diminuir riscos de lesões e problemas durante o tratamento.
Reutilização da agulha ainda faz parte da rotina de quem vive com diabetes
O reaproveitamento de agulhas costuma acontecer por diferentes motivos. Entre eles estão custo, dificuldade de acesso aos insumos e tentativas de prolongar o material disponível em casa.
Enquanto isso, profissionais de saúde alertam que mudanças simples na rotina de aplicação podem ajudar a reduzir dores, falhas na aplicação e alterações na pele.
No caso das canetas de insulina, retirar e descartar a agulha após cada uso também ajuda a evitar a entrada de ar no sistema e reduz riscos relacionados à reutilização.
