Quem convive com diabetes costuma associar a alimentação ao controle dos carboidratos. No entanto, a escolha da gordura também influencia a qualidade da refeição e pode contribuir para um controle glicêmico mais estável quando faz parte de uma combinação equilibrada.
Segundo a nutricionista Tarcila Campos, mestre em Nutrição e integrante do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), nem toda gordura deve ser vista da mesma forma. Durante participação no DiabetesCast, do Portal Um Diabético, ela explicou que algumas fontes podem ser utilizadas de maneira estratégica na rotina alimentar, enquanto outras exigem maior atenção.
As 3 melhores gorduras para quem tem diabetes
De acordo com Tarcila Campos, três grupos de alimentos se destacam por fornecer gorduras de melhor qualidade e podem fazer parte da alimentação de pessoas com diabetes.
1. Castanhas e sementes
Castanhas, nozes, amêndoas, amendoim, pistache e sementes como linhaça e girassol estão entre as principais recomendações da nutricionista.
Segundo ela, esses alimentos fornecem gorduras insaturadas e podem ser consumidos como lanche ou adicionados às refeições. Além disso, podem acompanhar frutas para tornar a absorção dos carboidratos mais lenta.
A nutricionista explica que essa combinação para quem tem diabetes pode favorecer uma resposta glicêmica mais gradual em algumas pessoas, principalmente quando a fruta é consumida junto com uma pequena porção de castanhas.
2. Peixes
Sardinha, atum e salmão também aparecem entre as principais fontes de gordura recomendadas.
Além da proteína, esses peixes fornecem gorduras insaturadas. Por esse motivo, podem ser utilizados no almoço, no jantar ou até em lanches rápidos, como um sanduíche preparado com pão sírio.
No entanto, Tarcila faz um alerta sobre o modo de preparo. Quando o peixe é empanado e frito por imersão, ele recebe uma quantidade maior de gordura e perde parte das características nutricicionais esperadas. Por isso, a orientação é dar preferência às versões assadas, grelhadas ou cozidas.
3. Abacate e azeite de oliva
O abacate integra o grupo das oleaginosas e também é citado como uma fonte de gordura de boa qualidade.
Segundo a nutricionista, ele pode ser consumido em preparações doces ou salgadas. Entre as possibilidades estão o creme de abacate com leite ou proteína e o guacamole preparado com tomate, cebola e azeite.
Enquanto isso, o azeite de oliva pode substituir outras gorduras de adição, principalmente para temperar saladas ou complementar refeições. Por ter origem vegetal, ele apresenta um perfil nutricional diferente da manteiga.
Índice glicêmico não deve ser o único critério
Durante a entrevista, Tarcila explica que muitas pessoas escolhem os alimentos apenas pelo índice glicêmico. No entanto, essa estratégia pode levar a interpretações equivocadas.
Ela cita a batata frita como exemplo. A gordura da fritura reduz a velocidade de absorção do carboidrato, o que pode diminuir o índice glicêmico em comparação com a batata cozida. Ainda assim, isso não torna a batata frita uma opção mais saudável.
Segundo a nutricionista, é preciso considerar a qualidade da gordura presente no alimento e o impacto da refeição como um todo.
Quantidade e combinação fazem diferença
A nutricionista reforça que nenhuma gordura deve ser consumida sem considerar a quantidade.
Além disso, refeições com grande quantidade de gordura podem provocar aumento da glicose várias horas depois da alimentação, dependendo da resposta de cada pessoa.
Nesse contexto, ela destaca que o planejamento alimentar precisa ser individualizado. A escolha dos alimentos deve considerar o tratamento utilizado, os objetivos da pessoa e a resposta observada na monitorização da glicose quando disponível.
