Corticoides podem aumentar a glicose no sangue e dificultar o controle do diabetes. Por isso, quem usa esses medicamentos precisa acompanhar a glicemia e conversar com o médico sobre o tratamento.
A endocrinologista e pesquisadora Denise Franco e o endocrinologista e Coordenador do Departamento de Educação em Diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Fernando Valente, explicaram como o medicamento pode interferir na glicose durante entrevista ao DiabetesCast.
O efeito acontece porque os corticoides aumentam a resistência à insulina. Além disso, eles fazem o fígado liberar mais glicose na circulação.
O impacto varia conforme o medicamento, a dose e o tempo de uso. Por isso, o acompanhamento muda de acordo com cada pessoa.
1. Monitore a glicose com mais atenção
A primeira orientação é acompanhar a glicose durante o uso do corticoide. O medicamento pode alterar o padrão habitual da glicemia, principalmente em quem já convive com diabetes.
Segundo os especialistas, o horário dessa alteração também pode variar conforme o corticoide utilizado.
A prednisona e a prednisolona, por exemplo, podem provocar aumento da glicose algumas horas após a tomada. Os especialistas citaram o período entre meio-dia e 16h como um momento em que essa elevação pode aparecer quando a pessoa toma o medicamento pela manhã.
Já a dexametasona tem ação mais prolongada. Nesse caso, a hiperglicemia pode permanecer ao longo do dia.
Por isso, observar a glicose durante o tratamento ajuda a identificar mudanças relacionadas ao medicamento.
2. Converse com o médico sobre ajustes no tratamento
O uso de corticoide pode exigir ajustes no tratamento do diabetes. A necessidade depende do tipo de diabetes, do medicamento utilizado, da dose e da resposta de cada pessoa.
Os especialistas explicaram que pessoas que usam insulina podem precisar de mudanças na dose durante o tratamento. No entanto, qualquer alteração deve acontecer com orientação médica.
O mesmo vale para quem usa outros medicamentos para controlar a glicose.
Além disso, o tipo de corticoide influencia esse acompanhamento. Medicamentos de ação mais prolongada podem dificultar o ajuste da insulina porque permanecem atuando por mais tempo.
3. Não interrompa o corticoide por conta própria
Outra orientação apresentada pelos especialistas envolve a retirada do medicamento.
O uso prolongado de corticoides pode reduzir a produção natural de cortisol pelo organismo. Isso acontece porque o corpo recebe o hormônio por meio do medicamento e diminui o estímulo para que as glândulas suprarrenais produzam cortisol.
Por isso, quando a pessoa usa corticoide por um período prolongado, a retirada pode precisar acontecer de forma gradual.
Segundo os especialistas, interromper o medicamento de maneira abrupta pode deixar o organismo com pouco cortisol. Essa situação pode provocar queda da glicose e da pressão e, em casos graves, levar a desmaio ou coma.
Corticoide não deve ser evitado sem orientação
Apesar do efeito sobre a glicose, os especialistas ressaltaram que o corticoide pode ser necessário para tratar algumas condições de saúde.
Por isso, a presença do diabetes não significa que a pessoa deva evitar o medicamento quando existe indicação médica.
O ponto central é acompanhar a glicose e informar o profissional que acompanha o diabetes quando outro médico prescrever um novo medicamento.
A avaliação também considera qual corticoide será utilizado, a dose, o tempo de tratamento e a forma como cada organismo responde.
