Quem convive com diabetes pode encontrar na internet e em feiras livres plantas vendidas com a promessa de ajudar a controlar a glicose. Entre elas está o chamado “chá da insulina”. Mas será que ele realmente consegue baixar a glicose?
A nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos, membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), explica que alguns estudos avaliam compostos presentes em plantas. No entanto, isso não significa que essas substâncias possam substituir medicamentos usados no tratamento do diabetes.
O que é o chamado “chá da insulina”?
O nome “chá da insulina” aparece associado a plantas comercializadas para pessoas que buscam controlar a glicose. Segundo Tarcila Campos, algumas plantas possuem compostos bioativos, como flavonoides e catequinas.
Essas substâncias podem apresentar efeitos em mecanismos relacionados à glicose e à ação da insulina. No entanto, a existência de um possível efeito em estudos não permite afirmar que a planta funcione como tratamento para o diabetes.
A especialista explica que alguns trabalhos avaliam plantas como a canela. Esses estudos observaram possíveis alterações na sinalização da insulina. Porém, os resultados encontrados não estabelecem uma concentração validada para uso em grandes grupos de pessoas.
Além disso, alguns estudos analisam compostos concentrados presentes nas plantas. Isso é diferente do consumo de uma infusão preparada em casa.
Chá para diabetes pode substituir medicamento?
Não. O principal ponto destacado pela nutricionista é a diferença entre consumir um chá como parte da rotina e utilizar uma planta com finalidade terapêutica.
Uma pessoa pode incluir uma xícara de chá na alimentação diária. No entanto, isso não transforma a bebida em um tratamento para uma doença crônica.
Tarcila explica que algumas pessoas interpretam a palavra “natural” como sinônimo de segurança. Essa associação pode levar alguém a acreditar que um chá oferece mais segurança do que um medicamento.
No entanto, alimentos e medicamentos passam por regras diferentes. Portanto, não é possível comparar uma erva vendida em uma feira com um medicamento desenvolvido para tratar uma doença.
Por que a dose do chá importa?
O possível efeito de uma planta depende também da quantidade e da concentração dos seus compostos. Por isso, o resultado observado em uma pesquisa não significa que qualquer forma de preparo produza o mesmo efeito.
A especialista explica que alguns trabalhos analisam determinados componentes das plantas. Esses componentes podem apresentar efeitos relacionados à sinalização da insulina ou ao transporte de glicose.
Ainda assim, existe uma diferença entre observar esse efeito em uma pesquisa e estabelecer uma recomendação para tratamento.
Nesse contexto, uma pessoa não deve interpretar um estudo sobre determinado composto como uma orientação para preparar um chá várias vezes ao dia.
O que pode acontecer ao trocar o tratamento por chá?
O principal problema aparece quando a pessoa deixa de seguir o tratamento indicado pela equipe de saúde para usar uma planta no lugar do medicamento.
Tarcila Campos explica que alguns produtos naturais podem apresentar algum efeito sobre a glicose. Porém, isso não significa que tenham dose definida para substituir uma medicação.
Os medicamentos passam por etapas de avaliação antes de chegarem às pessoas. Além disso, existe acompanhamento dos efeitos adversos durante o período de uso.
Esse acompanhamento permite atualizar informações de segurança e uso, inclusive por meio da bula.
No caso das ervas utilizadas como alimentos ou preparadas como chá, a regulamentação segue outra lógica. Por isso, não existe a mesma possibilidade de comparar diretamente os dois produtos.
Chá pode fazer parte da rotina de quem tem diabetes?
Sim, desde que a pessoa não use a bebida como substituição do tratamento.
O chá pode fazer parte do consumo diário de líquidos. Além disso, uma bebida quente pode contribuir para a rotina de hidratação.
A escolha também pode considerar o sabor e a preferência de cada pessoa. Entre as opções citadas na entrevista estão chá verde, canela, pata-de-vaca e a chamada folha da insulina.
O ponto central está na finalidade do consumo. Usar o chá como bebida é diferente de utilizá-lo como tratamento para reduzir a glicose.
