Mais uma cidade do interior de São Paulo começou a fornecer gratuitamente sensores de monitorização contínua da glicose para pessoas com diabetes tipo 1. Indaiatuba iniciou a entrega da tecnologia para crianças, adolescentes e gestantes acompanhados pela rede municipal de saúde.
A iniciativa coloca o município ao lado de outras cidades paulistas que criaram programas próprios para ampliar o acesso aos sensores de glicose, entre elas Atibaia, São Sebastião, Rio Claro e, mais recentemente, Ribeirão Preto.
Em Indaiatuba, os primeiros dispositivos foram entregues em agosto a sete crianças. Nesta primeira etapa, a Prefeitura prevê beneficiar 80 pacientes, com investimento superior a R$ 600 mil por ano.
O fornecimento integra o Programa Municipal de Atenção Integral às Pessoas com Diabetes, instituído pela Lei Municipal nº 8.540.
É importante entender, no entanto, que se trata de uma política municipal. Os critérios adotados em Indaiatuba valem para a rede pública da cidade e não significam que todas as pessoas com diabetes tipo 1 tenham acesso aos sensores pelo SUS em qualquer município brasileiro.
Quem poderá receber o sensor de glicose em Indaiatuba
O protocolo de Indaiatuba estabelece dois grupos prioritários. Poderão receber os sensores crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 com idade entre 2 anos e 17 anos, 11 meses e 29 dias, além de gestantes com diagnóstico prévio de diabetes tipo 1.
Os pacientes precisam ser acompanhados pela rede municipal de saúde e também devem cumprir os critérios clínicos, assistenciais e documentais definidos pela Secretaria Municipal de Saúde.
Portanto, estar dentro da faixa etária ou ser gestante com diabetes tipo 1 não significa receber automaticamente o dispositivo.
Como conseguir o sensor pela rede pública
Segundo a Prefeitura, quando os critérios estabelecidos pelo protocolo forem atendidos, o médico fará a indicação do sensor e será aberto um processo administrativo. A documentação será analisada pela equipe técnica da Secretaria Municipal de Saúde.
Depois da autorização, o paciente ou responsável deverá comparecer a dois atendimentos presenciais no Centro de Especialidades da Mulher e da Criança (Cesmuc).
Nessa etapa serão realizadas a aplicação do sensor, o treinamento e as orientações para o uso adequado do equipamento.
A partir da terceira retirada, os sensores serão disponibilizados pelo Centro de Assistência Farmacêutica, no Jardim Esplanada.
Sensor permite acompanhar a glicose ao longo do dia
A monitorização contínua da glicose muda a quantidade de informações disponíveis para quem precisa tomar decisões diariamente sobre o tratamento do diabetes.
O pequeno dispositivo aplicado sobre a pele mede a glicose no líquido intersticial. Dependendo do sistema, as informações podem ser visualizadas por meio de um leitor ou aplicativo compatível.
Além de mostrar os valores de glicose, esses sistemas permitem observar o comportamento glicêmico ao longo do dia, incluindo tendências de subida e queda.
Isso reduz a dependência de múltiplas medições por punção na ponta dos dedos e fornece informações que podem auxiliar pacientes, familiares e profissionais de saúde no acompanhamento do tratamento.
Para famílias de crianças com diabetes tipo 1, ter acesso a essas informações pode ser especialmente relevante durante o sono, na escola, na prática de atividade física e em outras situações da rotina.
O sensor, entretanto, não substitui a insulina nem o acompanhamento da equipe de saúde.
Tecnologia precisa fazer parte de uma linha de cuidado
A própria Secretaria Municipal de Saúde de Indaiatuba reforça que a entrega dos sensores é apenas uma das etapas do acompanhamento.
“O monitoramento contínuo da glicose traz ganhos importantes para grupos que apresentam maior vulnerabilidade e risco de complicações. No entanto, o sucesso do tratamento continua associado ao acompanhamento multiprofissional, às consultas regulares, à educação em saúde e à adesão às orientações da equipe assistencial”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Flávio Brito, durante o anúncio.
O programa municipal reúne profissionais de medicina, enfermagem, psicologia, farmácia e nutrição e prevê ações educativas, preventivas e terapêuticas.
Cidades estão criando programas próprios de acesso
A iniciativa de Indaiatuba reforça um movimento que vem ocorrendo em diferentes municípios brasileiros: diante da ausência de acesso universal aos sensores de monitorização contínua para todas as pessoas com diabetes tipo 1 pelo SUS, cidades têm estabelecido políticas próprias.
Há municípios que estabelecem limite de idade, outros exigem inscrição no CadÚnico e alguns incluem critérios clínicos adicionais ou determinados grupos prioritários.
Ribeirão Preto é um exemplo recente. A cidade começou a entregar os dispositivos em abril de 2026 para crianças e adolescentes com diabetes tipo 1. Na primeira etapa, 30 pacientes receberam os sensores, já aplicados, e as famílias passaram por capacitação. A Secretaria Municipal da Saúde estima cerca de 228 pessoas elegíveis para o programa.
Na cidade, podem participar pessoas de 2 a 17 anos com diabetes tipo 1 que cumpram os demais critérios estabelecidos pelo protocolo. A Prefeitura mantém, inclusive, um serviço específico para solicitação do sensor.
A diferença entre os programas reforça a necessidade de consultar as regras do município onde o paciente mora.
BOX | Municípios de SP com iniciativas de acesso ao sensor de glicose
Indaiatuba não está sozinha. Diferentes municípios do estado de São Paulo já criaram programas, protocolos ou iniciativas para disponibilizar sensores de monitorização da glicose pela rede pública.
Entre as cidades com iniciativas identificadas estão:
Atibaia: possui iniciativa municipal de monitorização contínua da glicose para crianças e adolescentes com diabetes tipo 1.
Birigui: possui legislação municipal relacionada ao fornecimento gratuito de sensor e equipamento para monitoramento da glicose a crianças e jovens, conforme os critérios locais.
São Sebastião: mantém iniciativa municipal de acesso à monitorização da glicose para pessoas com diabetes, com critérios próprios estabelecidos pela rede de saúde.
Rio Claro: a Fundação Municipal de Saúde realizou aquisição específica de leitores e sensores para crianças e adolescentes incluídos no Protocolo Municipal de Glicemia. Em processo público de 2023, foram destinados R$ 331,89 mil para a aquisição dos equipamentos. O município também aparece em Nota Técnica do NATJUS publicada em 2026 entre as localidades paulistas com iniciativa de fornecimento.
Ribeirão Preto: iniciou efetivamente as entregas em abril de 2026. O programa atende crianças e adolescentes de 2 a 17 anos com diabetes tipo 1 que cumpram os critérios municipais. A primeira entrega contemplou 30 pacientes, e a estimativa é de aproximadamente 228 pessoas elegíveis. Cada paciente contemplado recebe dois sensores por mês.
São Paulo, capital: também iniciou em 2026 uma política municipal de distribuição de sensores para crianças com diabetes tipo 1, de acordo com critérios definidos pela Secretaria Municipal da Saúde.
Mairinque: implantou iniciativa municipal para fornecimento de sensores a crianças com diabetes, conforme regras estabelecidas pela cidade.
Marília: também avançou em 2026 na disponibilização da tecnologia para crianças com diabetes tipo 1.
Há registros ainda de iniciativas em outros municípios paulistas, como Limeira, Mairiporã, São Caetano do Sul, Vinhedo, Iracemápolis, Santana de Parnaíba, São José da Bela Vista, Cunha e Ilhabela. Uma Nota Técnica do NATJUS publicada em 2026 também relaciona várias dessas Secretarias Municipais de Saúde entre instituições associadas ao fornecimento da tecnologia.
As regras não são iguais entre as cidades. A existência de um programa em determinado município não significa que qualquer morador com diabetes terá direito ao equipamento. Faixa etária, tipo de diabetes, critérios clínicos, CadÚnico, acompanhamento pela rede pública e documentação exigida podem variar.
Também é necessário diferenciar uma lei que autoriza o fornecimento de um programa que já possui compra, protocolo e entrega efetivamente implantados.
Por isso, quem mora em uma dessas cidades deve procurar a Secretaria Municipal de Saúde ou a unidade de referência para confirmar se o programa está ativo, quais são os critérios atuais e como solicitar o sensor.
