A Bienal do Livro de São Paulo está movimentando o Distrito Anhembi nesta semana, reunindo leitores, autores, editoras e atividades culturais.
Em sua maior edição, o evento também chama atenção para a diversidade de assuntos que chegam às páginas dos livros, entre eles temas relacionados à saúde. O diabetes é um deles.
A condição aparece em livros voltados para adultos e crianças, além de iniciativas que utilizam a literatura e a educação para levar informação a diferentes públicos.
Um exemplo está na própria programação da Bienal deste ano. A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) participa do evento com uma ação voltada à saúde e à educação em diabetes.
Bienal chega à maior edição da história
A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo acontece até 13 de setembro, no Distrito Anhembi. Segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL), organizadora do evento, esta é a maior edição da história da Bienal.
São 269 expositores, 350 autores nacionais e internacionais, 11 espaços culturais e 3.450 horas de programação. A expectativa é receber mais de 700 mil visitantes durante os dez dias do evento.
A movimentação chama atenção também porque acontece em um momento de desafios para a leitura no Brasil.
A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro em parceria com a Fundação Itaú, mostrou que 53% dos brasileiros não leram sequer parte de um livro nos três meses anteriores ao levantamento.
O estudo também apontou uma redução de 6,7 milhões de leitores em quatro anos. Pela primeira vez desde o início da série histórica, a proporção de não leitores superou a de leitores no país.
Os números mostram um cenário de queda na leitura, mas a movimentação da Bienal evidencia que ainda existe um público interessado em histórias, autores e assuntos específicos.
O tema ou assunto, inclusive, está entre os principais fatores considerados pelos leitores na escolha de um livro. Na pesquisa mais recente, 33% citaram esse aspecto.
É nesse espaço que assuntos ligados à saúde também podem encontrar seus leitores.
Diabetes também ocupa espaço na Bienal
A presença do diabetes na Bienal não ficou apenas nos livros.
A Sociedade Brasileira de Diabetes participou da Bienal entre os dias 5 e 8 de setembro, no Espaço Saúde e Bem-Estar. Durante a ação, a entidade realizou medição de glicemia, aferição da pressão arterial e distribuição de materiais educativos sobre nutrição, saúde mental e cuidados relacionados ao diabetes.
No dia 7 de setembro, a SBD também distribuiu gratuitamente o livro Contos e Encantos no Diabetes.
A publicação reúne 23 contos produzidos por médicos, profissionais e estudantes da área da saúde. As histórias abordam diferentes experiências relacionadas ao diabetes e fazem parte de uma iniciativa que utiliza a literatura como ferramenta de educação e reflexão.
A participação da entidade cria uma conexão direta entre a proposta da Bienal e a educação em saúde. Em um espaço dedicado aos livros, o diabetes aparece tanto como assunto de leitura quanto como tema para orientação e conscientização.
Quando o diabetes vira história
Para quem vive com uma condição crônica, informação faz parte da rotina. Mas ela não precisa aparecer somente em manuais, cartilhas ou explicações técnicas.
Um livro pode apresentar uma situação cotidiana, acompanhar um personagem ou transformar um conceito de saúde em uma narrativa.
Isso pode ser especialmente relevante para crianças.
Termos como hiperglicemia, hipoglicemia, insulina e monitoramento da glicose podem parecer complexos quando apresentados apenas de maneira técnica. Em uma história ou atividade educativa, esses assuntos podem ser inseridos em situações que fazem parte do cotidiano infantil.
É nesse encontro entre informação e narrativa que os livros passam a ocupar também um espaço na educação em diabetes.
A literatura não substitui a orientação dos profissionais de saúde. Mas pode complementar esse processo e servir como ponto de partida para conversas entre crianças, familiares, professores e equipes de saúde.
Livros infantis levam o diabetes para o universo da leitura
A presença do diabetes na literatura não se limita às publicações destinadas ao público adulto. Há também obras voltadas para crianças que utilizam histórias, personagens e atividades para apresentar situações relacionadas à condição.
Algumas delas são:
O Superpoder da Lili
Voltado principalmente para crianças de 4 a 8 anos, o livro apresenta a rotina de uma criança com diabetes por meio de uma história ilustrada.
O monitoramento da glicose, o uso de insulina e os cuidados com a alimentação aparecem inseridos na narrativa, aproximando assuntos da rotina do tratamento do universo infantil.
Alegria de Viver: Uma mensagem positiva sobre diabetes infantil
Escrito por Julia Gus Russowsky e ilustrado por Héctor Gómez, o livro conta a história de Juju, uma menina que convive com diabetes tipo 1.
A proposta trabalha a representatividade e procura mostrar que o diagnóstico faz parte da vida da criança, mas não define quem ela é. A renda da obra é destinada ao Instituto da Criança com Diabetes.
Aprendo com o Diabetes: Exercitando os números de 0 a 10
A obra une educação matemática e educação em diabetes.
As atividades trabalham os números de zero a dez e incorporam situações presentes na rotina de crianças com diabetes tipo 1, como hipoglicemia e hiperglicemia, utilização do glicosímetro, aplicação de insulina, uso de bomba de infusão e cuidados com alimentação e atividade física.
O material também tem uma proposta voltada à inclusão de estudantes com diabetes no ambiente escolar.
E os livros para adultos?
O diabetes também aparece em publicações voltadas para adultos, com diferentes abordagens sobre alimentação, tratamento, comportamento, experiências pessoais e convivência com a condição.
O próprio Um Diabético já reuniu algumas dessas obras em uma seleção publicada anteriormente. Entre os títulos estão Carmen H. Wills: 75 anos superando o diabetes tipo 1, A Revolução da Glicose, Diabetes sem Medo e A Bíblia do Diabetes.
As propostas são diferentes, mas mostram que existe mais de uma maneira de levar o tema para a literatura. Há espaço para informação, relatos, educação e experiências pessoais.
Educação em diabetes também pode acontecer pela leitura
A educação em diabetes costuma estar associada às orientações dadas por médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais de saúde.
Essas informações continuam sendo fundamentais para o cuidado.
Ao mesmo tempo, livros e materiais educativos podem ajudar a reforçar o conhecimento no dia a dia.
Para uma criança, um personagem que também precisa acompanhar a glicemia pode ajudar na compreensão da própria rotina. Para os pais, uma história pode servir como ponto de partida para conversar sobre o tratamento. Para professores, materiais específicos podem contribuir para um ambiente escolar mais preparado para receber um estudante com diabetes.
A literatura também amplia a representação de pessoas que convivem com condições crônicas.
A pessoa com diabetes deixa de aparecer apenas como alguém que precisa seguir recomendações médicas e passa a ocupar outros lugares: como personagem, leitor, autor ou protagonista de uma história.
Um espaço para informação e representatividade
Falar sobre diabetes por meio da literatura também pode ajudar a ampliar a compreensão de quem não convive diretamente com a condição.
Uma história infantil, por exemplo, pode mostrar para outras crianças por que um colega precisa medir a glicose ou utilizar insulina. Um livro voltado para adultos pode apresentar experiências que ajudam familiares a entender melhor os desafios da rotina.
Para quem tem diabetes, encontrar uma experiência semelhante nas páginas de um livro também pode trazer identificação.
Isso não significa romantizar a condição ou ignorar as dificuldades do tratamento. A proposta é mostrar que o diabetes pode fazer parte da vida sem definir toda a identidade de uma pessoa.
A Bienal também é espaço para falar de saúde
A presença da SBD e de livros relacionados ao diabetes na Bienal mostra como um evento dedicado à leitura pode reunir diferentes formas de conhecimento.
De um lado, estão autores, histórias e lançamentos. De outro, ações de educação em saúde, materiais informativos e iniciativas que utilizam os livros para aproximar o público de temas que fazem parte da vida cotidiana.
A Bienal não muda, sozinha, o cenário nacional de leitura. Os dados mais recentes mostram que o Brasil ainda enfrenta o desafio de formar e manter leitores.
Mas a movimentação observada na Bienal do livro em São Paulo revela que os livros continuam criando espaços para diferentes assuntos e experiências.
Em meio às filas, lançamentos e encontros que movimentam a Bienal, o diabetes aparece em um espaço que vai além dos consultórios e dos materiais técnicos.
Chega às histórias, às atividades educativas e aos livros, ampliando as possibilidades de falar sobre uma condição que faz parte da vida de milhões de pessoas.
