Junho chega com bandeirolas coloridas, quadrilha e um cardápio que desperta atenção especial para quem vive com diabetes. Pé-de-moleque, canjica, bolo de fubá, paçoca e milho verde têm algo em comum: são ricos em carboidratos, e, portanto, merecem planejamento. A boa notícia é que não existe restrição absoluta. Com moderação, substituições inteligentes e monitorização da glicemia, apreciar a festa é possível.
Para ajudar nessa tarefa, o Portal Um Diabético consultou a nutricionista Daniela Gomes, coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), que orienta pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 a navegar por esse cardápio sem culpa, e sem comprometer o controle glicêmico.
O desafio do cardápio junino para quem tem diabetes
As comidas típicas das festas juninas costumam ser preparadas com ingredientes como milho, amendoim, mandioca e batata-doce, alimentos ricos em carboidratos e que fazem parte da cultura alimentar brasileira. Em muitas receitas, também são adicionados açúcar, leite condensado, coco ou outras fontes de gordura, o que pode aumentar o valor calórico e influenciar a resposta glicêmica após o consumo.
Isso não significa, porém, que pessoas com diabetes precisem evitar essas preparações. Com planejamento, atenção às porções e conhecimento sobre a quantidade de carboidratos presente nos alimentos, é possível participar das comemorações e incluir os pratos típicos dentro do plano alimentar.
“A proposta não é proibir alimentos, mas fazer escolhas conscientes. Conhecer a quantidade de carboidratos das preparações típicas e adequar o consumo ao tratamento permite aproveitar a festa junina com mais segurança e flexibilidade”, explica a nutricionista Daniela Gomes, Coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
Quanto carboidrato tem cada comida típica?
Para quem faz contagem de carboidratos, conhecer as quantidades dos alimentos mais comuns das festas juninas é o primeiro passo. Veja abaixo os valores por porção:
| Alimento | Porção | Carboidratos |
| Pé-de-moleque | 1 unidade (20 g) | 14 g |
| Paçoca | 1 unidade (30 g) | 20 g |
| Bolo de fubá | 1 fatia média (50 g) | 23 g |
| Canjica | 1 copo (240 ml) | 47 g |
| Milho verde | 1 espiga (65 g) | 15 g |
| Pipoca | 1 saco pequeno (20 g) | 12 g |
| Pinhão | 1 unidade (10 g) | 4 g |
Fonte: dados orientativos com base em referências nutricionais. Valores podem variar conforme preparo e marca.
Versão diet significa menos carboidrato? Nem sempre
Uma dúvida comum nas festas juninas é se os doces na versão diet ou zero açúcar são automaticamente melhores opções para pessoas com diabetes. A resposta é: depende. Embora esses produtos não contenham açúcar adicionado, isso não significa necessariamente que tenham menos carboidratos ou menos calorias.
Em muitos casos, outros ingredientes são utilizados para manter sabor, textura e volume, fazendo com que a diferença nutricional entre a versão tradicional e a diet seja menor do que se imagina. Por isso, a leitura do rótulo e a atenção à quantidade total de carboidratos continuam sendo fundamentais.
A comparação abaixo mostra que a diferença pode ser menor do que parece:
| Alimento | Versão tradicional | Versão diet (0% açúcar) |
| Pé-de-moleque (1 un.) | 77 kcal – 6 g de carb. | 61 kcal – 6 g de carb. |
| Paçoquinha (1 un.) | 107 kcal – 12 g de carb. | 100 kcal – 9 g de carb. |
Como mostra a comparação, a ausência de açúcar nem sempre se traduz em uma redução expressiva de carboidratos ou calorias. Por isso, produtos dietéticos também devem ser incluídos no planejamento alimentar e, quando necessário, considerados na contagem de carboidratos.
“Diet não significa consumo livre. A principal informação para quem tem diabetes continua sendo a quantidade total de carboidratos da porção consumida, independentemente de o produto conter ou não açúcar adicionado”, destaca Daniela Gomes, Coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
Estratégias para quem faz contagem de carboidratos
Para quem utiliza a contagem de carboidratos como parte do tratamento do diabetes, as comidas típicas das festas juninas podem ser incluídas no planejamento alimentar. O mais importante é conhecer a quantidade de carboidratos presente nas porções consumidas e adequar as escolhas ao esquema de tratamento individual.
Quem usa doses fixas de insulina:
A recomendação é realizar substituições dentro da quantidade de carboidratos prevista para a refeição, trocando um alimento por outro sem aumentar significativamente a carga total de carboidratos consumida.
Quem usa insulina em doses ajustáveis:
É possível calcular a quantidade de carboidratos da preparação escolhida e ajustar a dose de insulina de acordo com a orientação da equipe de saúde. Nesses casos, a monitorização da glicemia pode ajudar a avaliar a resposta individual aos alimentos.
“Não existem alimentos proibidos nas festas juninas. O fundamental é considerar a quantidade de carboidratos consumida e como ela se encaixa no plano alimentar e no tratamento. Com planejamento e monitorização adequada, é possível aproveitar as comemorações com mais segurança e flexibilidade.” Nutricionista Daniela Gomes | Coordenadora do Departamento de Nutrição da SBD
O que fazer antes e durante a festa
- Planeje-se: se você utiliza contagem de carboidratos, procure conhecer previamente as porções e a quantidade de carboidratos dos alimentos que pretende consumir.
- Prefira escolher pequenas porções de diferentes preparações, em vez de grandes quantidades de um único alimento.
- Sempre que possível, coma os alimentos típicos como parte de uma refeição mais completa, junto às fontes de proteína e fibras, o que pode reduzir o impacto glicêmico.
- Evite permanecer muitas horas em jejum antes da festa na tentativa de “economizar” carboidratos ou calorias.
- Se utiliza insulina em doses ajustáveis, calcule a quantidade de carboidratos e realize os ajustes conforme orientação da equipe de saúde.
- Utilize os dados do glicosímetro ou do sensor de glicose para entender como seu organismo responde às diferentes preparações e porções.
- Mantenha-se hidratado, especialmente em locais quentes ou durante atividades físicas, como danças e brincadeiras típicas.
Em caso de dúvidas sobre ajustes no plano alimentar ou na insulinoterapia, procure orientação do nutricionista e do endocrinologista.
