A Espanha voltou aos holofotes neste domingo (19) ao conquistar a Copa do Mundo de Futebol após vencer a Argentina por 1 a 0 na final. O título colocou novamente o país entre os protagonistas do esporte mundial. Mas o destaque da Espanha vai além dos gramados. Nos últimos anos, o país também tem chamado atenção por investir em tecnologias e estratégias para melhorar o cuidado das pessoas que vivem com diabetes.
Documentos publicados pela Sociedad Española de Diabetes (SED) mostram que a entidade científica vem atualizando recomendações para ampliar o uso da monitorização contínua da glicose, dos sistemas automatizados de administração de insulina e da educação em diabetes. O objetivo é tornar o tratamento mais individualizado e contribuir para um melhor controle da glicemia.
Sensores de glicose ganharam papel central no tratamento
Uma das principais mudanças destacadas pela Sociedad Española de Diabetes é a consolidação da monitorização contínua da glicose (CGM) como ferramenta importante para o acompanhamento das pessoas com diabetes.
Na atualização da Guía de Uso de Sistemas de Monitorización Continua de Glucosa, publicada em 2026, a entidade afirma que os sensores permitem acompanhar o comportamento da glicose durante todo o dia, identificando tendências de aumento e queda antes mesmo do aparecimento de sintomas.
Ao contrário da medição convencional realizada apenas por meio da glicemia capilar, os sensores registram centenas de leituras diárias, oferecendo mais informações para profissionais de saúde e pacientes avaliarem o tratamento.
Segundo a SED, esses dados também ajudam a acompanhar indicadores como o Tempo na Faixa (Time in Range), que mede quanto tempo a glicose permanece dentro dos níveis considerados adequados.
Sistemas automatizados vêm sendo incorporados
Outro avanço apontado pela entidade é a expansão dos sistemas híbridos de asa fechada, conhecidos popularmente como “pâncreas artificial”.
Esses sistemas integram três componentes:
- sensor de monitorização contínua da glicose;
- bomba de insulina;
- algoritmo capaz de ajustar automaticamente parte da administração de insulina conforme as leituras do sensor.
A guia oficial da Sociedad Española de Diabetes explica que essa tecnologia passou a ser utilizada na Espanha a partir de 2018 e vem sendo incorporada progressivamente para pessoas com diabetes tipo 1 que apresentam indicação clínica.
De acordo com o documento, a utilização desses sistemas pode aumentar o tempo em que a glicose permanece dentro da faixa recomendada e reduzir episódios de hipoglicemia e hiperglicemia.
Educação continua sendo considerada parte do tratamento
Embora a tecnologia tenha avançado rapidamente, a Sociedad Española de Diabetes destaca que ela não substitui a educação em diabetes.
Os documentos da entidade reforçam que o tratamento deve ser acompanhado por orientação contínua para que a pessoa saiba interpretar as informações fornecidas pelos dispositivos e consiga tomar decisões relacionadas à alimentação, atividade física, uso de medicamentos e prevenção de complicações.
A recomendação é que todo tratamento seja individualizado e acompanhado por profissionais capacitados.
Diabetes tipo 2 também entrou nas novas recomendações
Em 2026, a Sociedad Española de Diabetes também publicou um consenso específico sobre o uso da monitorização contínua da glicose em pessoas com diabetes tipo 2 tratadas com insulina basal.
Segundo o documento, o uso dessa tecnologia pode auxiliar na identificação de padrões glicêmicos, facilitar ajustes terapêuticos e reduzir episódios de hipoglicemia em pacientes selecionados.
A entidade ressalta que a indicação deve considerar as características clínicas de cada pessoa e fazer parte de uma estratégia individualizada.
O que o Brasil pode observar dessa experiência?
No Brasil, sensores de glicose, bombas de insulina e sistemas automatizados já fazem parte da rotina de muitos pacientes na rede privada e em alguns programas públicos estaduais e municipais.
Entretanto, a incorporação dessas tecnologias de forma mais ampla no Sistema Único de Saúde (SUS) ainda é tema de discussão para diferentes grupos de pacientes.
A experiência apresentada nos documentos da Sociedad Española de Diabetes mostra que o uso da tecnologia vem acompanhado de protocolos clínicos, educação em diabetes e acompanhamento multiprofissional, buscando oferecer um tratamento mais personalizado.
Mais do que disponibilizar equipamentos, a proposta defendida pela entidade é integrar essas ferramentas ao cuidado contínuo das pessoas que vivem com diabetes.
O que a Sociedad Española de Diabetes recomenda
Entre as principais recomendações presentes nos documentos oficiais da entidade estão:
- utilização da monitorização contínua da glicose para apoiar decisões terapêuticas;
- acompanhamento do indicador Tempo na Faixa (Time in Range) como complemento à hemoglobina glicada;
- ampliação do uso dos sistemas híbridos de asa fechada em pessoas elegíveis com diabetes tipo 1;
- fortalecimento da educação em diabetes;
- individualização do tratamento conforme as necessidades de cada paciente;
- acompanhamento por equipes multiprofissionais.
A conquista da Copa do Mundo colocou novamente a Espanha em evidência internacional. Paralelamente ao sucesso no futebol, o país também vem atualizando suas recomendações para o tratamento do diabetes, com foco na incorporação de novas tecnologias, educação em saúde e cuidado individualizado.
