Quem pratica musculação ou treino de força já sabe que a glicemia pode se comportar de forma imprevisível durante e após os exercícios. O que muitas pessoas ainda não sabem é que o horário do treino também influencia essa resposta. E essa distinção pode ser um recurso valioso no planejamento do controle glicêmico.
O exercício físico é um componente fundamental do tratamento do diabetes. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recomendam combinar o exercício aeróbio com o exercício resistido para um controle mais eficiente. Cada modalidade, porém, age de forma diferente sobre a glicose.
O exercício resistido e seu efeito diferente na glicemia
Diferentemente da caminhada, da corrida ou da natação, o exercício resistido pode elevar a glicemia durante a sua execução. Isso acontece porque o esforço intenso estimula a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol, que mobilizam glicose para os músculos. Como consequência, o risco de hipoglicemia tende a ser menor durante e após esse tipo de treino.
Por isso, segundo as diretrizes da SBD, antecipar o exercício resistido em relação ao aeróbio pode ser uma estratégia eficaz para pessoas que usam insulina. Essa sequência ajuda a reduzir o risco de hipoglicemia ao longo da sessão.

O melhor horário segundo o especialista
O fisiologista e preparador físico especializado em diabetes William Komatsu, aponta que o período entre 15h e 19h tende a ser o mais favorável para o treino. Nesse intervalo, o organismo apresenta maior sensibilidade à insulina, o que contribui para um melhor controle glicêmico durante e após o exercício. No entanto, o especialista é enfático: a regularidade é mais importante do que o horário escolhido.
“O melhor horário para treinar é aquele em que há maior sensibilidade à insulina, geralmente entre 15h e 19h. No entanto, a prioridade máxima é a regularidade no dia a dia, independentemente do período escolhido”, orienta o fisiologista do exercício.
Como otimizar o controle da glicemia no treino
Além do horário, Komatsu destaca algumas estratégias práticas para quem quer melhorar a performance sem comprometer a glicemia.
A primeira delas é a combinação de modalidades. Mesclar exercícios aeróbios, como caminhada, corrida ou bike, com o treino de força promove o melhor controle glicêmico. Os aeróbios tendem a reduzir a glicemia mais rapidamente, enquanto a musculação mantém os níveis mais estáveis. Usados juntos, os dois se complementam.
O monitoramento constante é igualmente essencial. Medir a glicemia antes, durante e após a atividade ajuda a entender como o organismo responde a diferentes intensidades e a ajustar a estratégia com o tempo.
Outro ponto de atenção envolve os carboidratos pré-treino. Segundo o especialista, consumir carboidratos de absorção rápida nos 30 minutos anteriores ao exercício pode causar um pico de insulina reativa seguido de queda de energia logo no início da sessão. Por isso, o momento e o tipo do alimento pré-treino merecem atenção.
Por fim, Komatsu reforça que as respostas glicêmicas variam conforme o tipo de diabetes. Compreender como o próprio organismo reage a cada modalidade é o caminho para tornar o treino um aliado mais eficaz no controle da glicemia.