Tirar a carne do prato não significa necessariamente colocar apenas vegetais no lugar. Para quem tem diabetes e decide seguir uma alimentação vegetariana, a escolha dos alimentos que entram nessa substituição pode fazer diferença na composição das refeições e no consumo de carboidratos.
A dúvida é comum: o que colocar no prato no lugar da carne? Feijão, lentilha, grão-de-bico e tofu podem fazer parte dessas escolhas, mas a alimentação precisa continuar equilibrada e adequada às necessidades de cada pessoa.
Existem diferentes formas de seguir uma alimentação vegetariana, desde aquelas que incluem ovos e laticínios até o veganismo, que exclui todos os alimentos de origem animal. Por isso, os cuidados nutricionais também podem variar.
Dieta vegetariana pode ajudar no controle da glicemia?
Estudos indicam que uma alimentação vegetariana ou vegana pode ser uma opção para pessoas com diabetes tipo 2. Uma revisão sistemática em 2024 reuniu sete ensaios clínicos, com 770 adultos com diabetes tipo 2. Os pesquisadores observaram, com evidência de certeza moderada, uma redução da hemoglobina glicada e do índice de massa corporal entre os participantes que seguiram padrões alimentares vegetarianos, em comparação com dietas não vegetarianas.
No entanto, isso não significa que retirar a carne controle o diabetes por si só. A resposta varia de pessoa para pessoa e depende também do conjunto da alimentação, dos medicamentos e de outros fatores. A Sociedade Brasileira de Diabetes reconhece diferentes abordagens nutricionais para o diabetes tipo 2 e, de forma geral, recomenda uma alimentação equilibrada, priorizando fontes de carboidratos de melhor qualidade e menor consumo dos refinados.
O que colocar no lugar da carne sem exagerar nos carboidratos
Um erro comum é substituir a carne simplesmente por maiores quantidades de alimentos ricos em carboidratos. Alimentos vegetais como arroz, batata, milho, frutas, feijão, lentilha e grão-de-bico também fornecem carboidratos. Eles não são proibidos, mas a quantidade consumida e a composição da refeição precisam ser consideradas.
Feijão, lentilha, grão-de-bico e cereais integrais, por exemplo, são alimentos que podem fazer parte de uma refeição saudável para quem tem diabetes. O cuidado está em evitar que a retirada da carne resulte em uma alimentação com excesso de carboidratos refinados ou produtos ultraprocessados.
O que pode entrar no prato?
Uma alimentação vegetariana pode incluir verduras, legumes, frutas, feijão e outras leguminosas, cereais integrais, castanhas, sementes e alimentos à base de soja, como o tofu.
Esses alimentos também fornecem fibras e podem ajudar a compor refeições mais equilibradas. No diabetes tipo 2, a SBD recomenda o consumo adequado de fibras, que pode contribuir para o controle glicêmico e atenuar a elevação da glicemia após as refeições. Para quem consome ovos e laticínios, esses alimentos também podem contribuir para o fornecimento de proteínas e outros nutrientes.
A mudança para uma alimentação vegetariana não precisa acontecer de uma vez. O planejamento ajuda a substituir as fontes de proteína e a manter uma alimentação nutricionalmente adequada.
Outro cuidado é não considerar todo produto vegetariano automaticamente saudável. Hambúrgueres vegetais, biscoitos, sobremesas e outros ultraprocessados podem não conter carne, mas ainda assim devem ser consumidos com moderação.
E quem segue uma dieta vegana?
Quanto maior a restrição alimentar, maior a necessidade de planejamento. De acordo com a SBD, a vitamina B12 merece atenção especial em dietas veganas, já que suas principais fontes alimentares naturais são de origem animal. Alimentos fortificados e suplementos podem ser necessários, conforme orientação profissional. Outros nutrientes também podem exigir atenção dependendo da alimentação, como ferro, cálcio e vitamina D.
Como a mudança na dieta pode afetar quem usa insulina
Mudanças na alimentação podem alterar a quantidade e a distribuição dos carboidratos consumidos ao longo do dia. Para quem utiliza insulina ou determinados medicamentos para diabetes, isso pode influenciar a glicemia e o risco de hipoglicemia.
Por isso, mudanças importantes na alimentação devem ser discutidas com o médico de diabetes, e medicamentos ou doses de insulina não devem ser alterados por conta própria.
Ter diabetes impede uma alimentação vegetariana?
As evidências disponíveis indicam que esse padrão alimentar pode fazer parte do cuidado de pessoas com diabetes tipo 2. O mais importante é que a retirada da carne seja acompanhada por escolhas alimentares equilibradas, uma vez que trocar os alimentos de origem animal por grandes quantidades de pães, massas e outros carboidratos refinados não necessariamente melhora a alimentação.
Já uma alimentação baseada em vegetais variados, com leguminosas, verduras, frutas, cereais integrais, castanhas e sementes, pode ser adequada quando planejada de acordo com as necessidades de cada pessoa. Para quem usa insulina ou medicamentos que podem causar hipoglicemia, o acompanhamento profissional é especialmente importante durante mudanças no padrão alimentar.
Quer saber mais sobre como ajustar sua alimentação tendo diabetes? Confira este episódio do Diabetescast com Maristela Strufaldi, nutricionista e educadora em diabetes.
