Pessoas com diabetes precisam acompanhar mais do que a glicose. O controle da doença também envolve pressão arterial, colesterol, atividade física e avaliação do coração.
A endocrinologista e pesquisadora Denise Franco explicou ao jornalismo do Um Diabético que o diabetes pode afetar os vasos sanguíneos e aumentar o risco de doenças cardiovasculares.
Segundo ela, controlar a glicemia representa uma parte importante da prevenção. No entanto, esse cuidado precisa acontecer junto com o controle da pressão arterial e do colesterol.
1. Mantenha a glicemia dentro da meta
A primeira medida para reduzir o risco de complicações é controlar a glicemia. Denise Franco explica que a hemoglobina glicada deve ficar, em geral, abaixo de 7%.
Para quem utiliza sensor de glicose, outro indicador é o tempo no alvo. Nesse caso, a referência apresentada pela endocrinologista é permanecer entre 70 e 180 mg/dL durante mais de 70% do tempo.
Além disso, o controle precisa evitar episódios frequentes de hipoglicemia. O acompanhamento dos níveis de glicose ajuda a identificar mudanças e permite ajustar o tratamento quando necessário.
2. Acompanhe a hemoglobina glicada
A hemoglobina glicada mostra uma média dos níveis de glicose ao longo de um período. Por isso, ela ajuda a avaliar como está o controle do diabetes.
De acordo com Denise Franco, manter a hemoglobina glicada abaixo de 7% faz parte das medidas para reduzir complicações.
Esse indicador também pode ser analisado junto ao tempo no alvo para quem utiliza sensor de glicose. Dessa forma, o acompanhamento considera não apenas uma média, mas também quanto tempo a glicose permanece dentro da faixa definida.
3. Controle o colesterol
O colesterol também participa do risco cardiovascular em pessoas com diabetes. A endocrinologista explica que o LDL, conhecido como colesterol ruim, deve ficar abaixo de 70 mg/dL.
Quando a pessoa já apresenta um problema cardiovascular, a meta pode ficar ainda mais baixa, abaixo de 50 mg/dL.
O colesterol elevado pode participar do processo de depósito de gordura nos vasos. Com o tempo, esse processo pode favorecer o estreitamento das artérias e dificultar a passagem do sangue.
Portanto, acompanhar os níveis de colesterol faz parte do cuidado cardiovascular no diabetes.
4. Controle a pressão arterial
A pressão arterial também precisa entrar no acompanhamento. Segundo Denise Franco, as metas atuais para pessoas com diabetes podem ser mais baixas do que a referência de 12 por 8.
A pressão elevada aumenta a sobrecarga sobre os vasos sanguíneos. Por isso, o tratamento e o acompanhamento médico fazem parte da prevenção das complicações.
Além disso, controlar a pressão junto com a glicemia e o colesterol pode ampliar a proteção contra problemas cardiovasculares.
5. Pratique atividade física
A atividade física também participa do controle do diabetes e da prevenção de complicações.
Denise Franco explica que o exercício pode contribuir para melhorar o controle da glicemia e atuar sobre problemas relacionados aos vasos sanguíneos.
A prática não se limita aos exercícios aeróbicos. A endocrinologista também destaca a importância dos exercícios de resistência.
Nesse contexto, manter uma rotina de atividade física faz parte do cuidado com o diabetes e pode contribuir para o controle de diferentes fatores de risco.
6. Faça acompanhamento do coração
O acompanhamento cardiovascular também deve fazer parte da rotina de quem tem diabetes.
Segundo Denise Franco, a avaliação do coração pode acontecer pelo menos uma vez por ano. Entre os exames citados estão o eletrocardiograma, o ecocardiograma e o teste de esforço.
Em algumas situações, o médico pode solicitar exames mais detalhados para avaliar as artérias que levam sangue ao coração.
A avaliação também considera a circulação. No exame dos pés, por exemplo, o profissional pode verificar a presença dos pulsos das artérias. Alterações podem indicar problemas na circulação que chega aos membros inferiores.
Diabetes pode afetar as artérias do coração
O diabetes pode favorecer alterações nos vasos sanguíneos. Denise Franco explica que o processo envolve inflamação dos vasos e pode favorecer o depósito de gordura.
Com o avanço desse processo, a gordura pode se associar a alterações no vaso, incluindo calcificação. Como resultado, a artéria pode ficar mais estreita e dificultar a passagem do sangue.
No coração, o problema pode atingir as artérias coronárias, responsáveis por levar sangue ao músculo cardíaco.
Além disso, o diabetes pode estar associado à insuficiência cardíaca. Nesse caso, o músculo do coração pode perder capacidade de bombear o sangue para o restante do corpo.
Qual é a redução do risco cardiovascular?
Os dados apresentados por Denise Franco mostram que o controle do diabetes pode reduzir o risco de diferentes complicações.
No caso das doenças cardiovasculares, a redução apresentada fica entre 15% e 42%. A endocrinologista ressalta, porém, que o controle da glicemia representa apenas uma parte desse cuidado.
A pressão arterial e o colesterol também precisam entrar no acompanhamento. Portanto, a prevenção cardiovascular exige atenção a diferentes fatores ao mesmo tempo.
No caso da doença arterial periférica, a redução de risco apresentada fica entre 30% e 40%.
Já em relação às amputações, o controle adequado do diabetes pode reduzir o risco em até 50%, segundo os dados apresentados na entrevista.
Por que controlar apenas a glicose não é suficiente?
O controle da glicemia ocupa um papel central no tratamento, mas não representa sozinho todo o cuidado cardiovascular.
Denise Franco explica que o acompanhamento precisa incluir glicemia, pressão arterial e colesterol. Além disso, a atividade física contribui para o controle desses fatores.
Essa combinação também aparece nos dados apresentados sobre outras complicações. O controle associado desses fatores pode reduzir o risco de alterações nos olhos, rins, nervos e circulação.
Por isso, quem convive com diabetes precisa acompanhar diferentes indicadores durante o tratamento. O objetivo é identificar alterações antes que elas evoluam para complicações.
O que muda na rotina de quem tem diabetes?
Na prática, o cuidado envolve acompanhamento médico, exames periódicos e atenção aos indicadores do tratamento.
A pessoa precisa acompanhar a glicemia e realizar os exames solicitados pela equipe de saúde. Além disso, deve controlar a pressão e o colesterol.
A atividade física também entra nessa rotina. Segundo Denise Franco, ela contribui para o controle da glicemia e participa da prevenção de complicações relacionadas aos vasos.
O acompanhamento do coração completa esse cuidado. Dessa forma, a prevenção não depende de uma única medida, mas do controle conjunto dos principais fatores envolvidos nas complicações do diabetes.
