O diabetes pode comprometer os rins ao longo do tempo. A doença renal em pessoas com diabetes está relacionada às alterações nos pequenos vasos que levam sangue até esses órgãos.
Segundo a endocrinologista e pesquisadora Denise Franco, o problema começa na microcirculação. Os vasos podem sofrer alterações e comprometer o tecido responsável por filtrar o sangue.
Além disso, a doença renal pode evoluir sem sinais percebidos pela pessoa. Por isso, o acompanhamento médico e a realização periódica de exames fazem parte da prevenção.
Como o diabetes afeta os rins
Os rins funcionam como filtros do organismo. Eles retiram do sangue substâncias que o corpo precisa eliminar e devolvem à circulação aquilo que deve permanecer.
No diabetes, a glicose elevada pode contribuir para alterações nos pequenos vasos que nutrem os rins. Nesse contexto, o tecido renal pode perder parte da capacidade de realizar sua função.
Denise Franco explica que essa alteração pode provocar a chamada nefropatia diabética, também conhecida como doença renal relacionada ao diabetes.
Quando a doença evolui, os rins podem perder sua capacidade de funcionar. Em alguns casos, isso pode levar à necessidade de diálise ou transplante.
Exame de urina pode identificar alteração antes da creatinina
A avaliação dos rins não depende apenas da creatinina. Segundo Denise Franco, a albumina presente na urina também ajuda a identificar alterações renais.
A albumina é uma proteína que pode aparecer em quantidade aumentada na urina quando os rins começam a apresentar comprometimento.
Esse aumento recebe o nome de albuminúria. Portanto, a presença de albumina na urina pode indicar uma alteração antes de mudanças mais conhecidas nos exames de sangue.
A médica explica que a avaliação atual pode ser feita com uma amostra isolada de urina. Antes, o exame costumava exigir a coleta de urina durante 24 horas.
Além disso, o acompanhamento pode considerar a albumina na urina, a creatinina no sangue e a creatinina na urina. A relação entre albumina e creatinina na urina também ajuda nessa avaliação.
Quem tem diabetes deve fazer exame dos rins?
Segundo Denise Franco, pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 devem realizar essa avaliação pelo menos uma vez por ano.
O acompanhamento também pode incluir crianças com diabetes. Nesse caso, a avaliação ajuda a acompanhar possíveis alterações ao longo do tempo.
Além disso, a médica cita a avaliação da albumina na urina durante a gestação. O exame também pode contribuir para identificar maior risco de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia em mulheres grávidas.
Controle do diabetes ajuda a proteger os rins
A prevenção da doença renal no diabetes envolve mais do que acompanhar a função dos rins. O controle da glicemia também tem papel importante nesse cuidado.
Durante entrevista ao jornalismo do Um Diabético, Denise Franco explicou que o controle da glicemia, da pressão arterial e dos níveis de colesterol deve fazer parte do tratamento.
Segundo a endocrinologista, manter a hemoglobina glicada abaixo de 7% pode contribuir para reduzir o risco de complicações. Para quem usa sensor de glicose, ela também cita o tempo no alvo entre 70 e 180 mg/dL acima de 70%.
No caso dos rins, os dados apresentados na entrevista indicam uma redução de 39% a 54% no risco de complicações quando existe controle desses fatores.
No entanto, Denise Franco ressalta que os resultados mais expressivos aparecem quando o controle da glicemia acontece junto ao controle da pressão arterial e dos lipídios.
Por que acompanhar os rins mesmo sem sintomas?
A avaliação periódica permite identificar alterações antes que a pessoa perceba sinais no dia a dia. Por isso, esperar sintomas para procurar alterações renais pode atrasar a identificação do problema.
Nesse contexto, exames simples podem fazer parte do acompanhamento de quem convive com diabetes. A avaliação da albumina na urina, da creatinina e da relação entre albumina e creatinina ajuda o profissional de saúde a acompanhar a função renal.
Além disso, identificar alterações em fases iniciais permite que a equipe de saúde acompanhe a evolução e ajuste o cuidado conforme a necessidade.
O que entra no acompanhamento de quem tem diabetes
O cuidado com os rins deve fazer parte do acompanhamento do diabetes. Portanto, a rotina precisa considerar diferentes fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de complicações.
Entre eles estão:
- Controle da glicemia;
- Acompanhamento da hemoglobina glicada;
- Avaliação do tempo no alvo para quem utiliza sensor;
- Controle da pressão arterial;
- Acompanhamento dos níveis de colesterol;
- Avaliação periódica da função renal;
- Exame de albumina na urina.
Segundo Denise Franco, o tratamento do diabetes exige acompanhamento médico e participação ativa da pessoa no controle da glicemia, da pressão e das gorduras presentes no organismo.
