Quem convive com diabetes costuma associar a doença ao controle da glicose. No entanto, o impacto pode ir além. Segundo o cardiologista Dr. Luiz Francisco Ávila, o diabetes também favorece alterações que aumentam o risco de doenças cardiovasculares, muitas vezes sem provocar sintomas nas fases iniciais.
O especialista abordou o tema durante um episódio do DiabetesCast, ao explicar como a condição interfere no metabolismo, por que favorece a aterosclerose e quais fatores ajudam a reduzir o risco de complicações.
Diabetes favorece alterações nas artérias
De acordo com o Dr. Luiz Francisco Ávila, a condição provoca alterações metabólicas que afetam a forma como o organismo produz energia. Como consequência, esse processo favorece o desenvolvimento da aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias.
Segundo o cardiologista, esse processo não acontece apenas nas artérias do coração. Além disso, pode atingir vasos sanguíneos do cérebro, da aorta e da circulação periférica, aumentando o risco de diferentes doenças cardiovasculares.
“O diabetes favorece a aterosclerose pelo próprio mecanismo da doença”, explicou o médico durante o DiabetesCast.
Por que o infarto pode acontecer sem sintomas?
Outro ponto destacado pelo especialista é que muitas doenças cardiovasculares evoluem de forma silenciosa.
Segundo o especialista, uma pessoa pode apresentar obstrução importante nas artérias sem sentir dor, falta de ar ou qualquer outro sinal de alerta. Ainda assim, o risco de infarto existe.
O cardiologista explica que muitos infartos acontecem em placas menores do que aquelas que normalmente provocam sintomas. Por isso, esperar o aparecimento de sinais pode não ser suficiente para identificar o problema precocemente.
Nesse contexto, ele reforça que a prevenção e o acompanhamento médico são fundamentais para pessoas que convivem com essa condição.
Diabetes tipo 1 e tipo 2 apresentam diferenças no risco cardiovascular
Durante a entrevista, o cardiologista também explicou que o diabetes tipo 1 e o tipo 2 apresentam diferenças importantes quando o assunto é risco cardiovascular.
Segundo ele, o diabetes tipo 1 costuma ser diagnosticado ainda na infância ou adolescência. Por isso, a pessoa geralmente aprende desde cedo a conviver com a condição e tende a desenvolver maior adesão ao tratamento.
Por outro lado, o diabetes tipo 2 pode permanecer sem sintomas durante anos. Enquanto isso, alterações metabólicas continuam acontecendo, muitas vezes antes mesmo do diagnóstico.
Para o cardiologista, essa diferença ajuda a explicar por que pessoas com diabetes tipo 2 frequentemente chegam aos serviços de saúde com complicações já instaladas.
Controle da glicose faz diferença
Apesar das diferenças entre os dois tipos da condição, o especialista destaca que o controle da doença influencia diretamente o risco de complicações cardiovasculares.
Segundo Dr. Luiz Francisco Ávila, manter o tratamento, controlar os níveis de glicose, realizar atividade física e acompanhar regularmente a saúde cardiovascular ajudam a reduzir a progressão da doença.
Além disso, ele reforça que a pessoa com a condição precisa assumir um papel ativo no próprio tratamento.
“O problema é do paciente. A equipe de saúde ajuda, mas ninguém consegue cuidar da doença no lugar dele”, afirmou.
A relação entre médico e paciente também interfere no tratamento
Outro tema discutido durante o episódio foi a importância da comunicação entre profissionais de saúde e pessoas com essa condição.
Segundo o cardiologista, muitos pacientes deixam de fazer perguntas ou têm insegurança para relatar dificuldades durante as consultas. Ao mesmo tempo, o tratamento do diabetes exige acompanhamento contínuo e participação ativa da pessoa que convive com a condição.
Nesse contexto, Luiz Francisco Ávila defende uma linha de cuidado que reúna diferentes profissionais, como médicos, nutricionistas e especialistas no cuidado com os pés, para ampliar o suporte ao paciente ao longo do tratamento.
Educação em diabetes ajuda a prevenir complicações
Durante o DiabetesCast, o cardiologista também destacou que informação e educação em diabetes fazem parte da prevenção.
Segundo ele, compreender a doença, conhecer os fatores de risco e seguir o tratamento permitem reduzir a chance de complicações cardiovasculares ao longo dos anos.
Além disso, o especialista lembra que diabetes e doenças do coração compartilham diversos fatores de risco. Por isso, controlar apenas a glicose não substitui o acompanhamento da saúde cardiovascular.