O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na segunda-feira (10) também mobilizou pessoas com diabetes, ativistas e organizações ligadas à condição. Entre as iniciativas estão ações para arrecadar insulina e outros insumos utilizados no tratamento e encaminhá-los para as regiões afetadas.
O tremor teve epicentro em San José del Palmar, no departamento de Chocó, no oeste do país. Segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa colombiana, diferentes departamentos registraram danos e os serviços de emergência passaram a atender as vítimas do desastre.
O balanço ainda estava sendo atualizado nesta quarta-feira (12). Levantamento divulgado pelo jornal colombiano El Colombiano apontava 188 mortes, mais de 1,6 mil feridos e ao menos 99 réplicas registradas após o terremoto.
Além do atendimento às pessoas diretamente atingidas pelo tremor, situações de desastre podem representar um desafio adicional para quem depende de tratamento contínuo. No diabetes, a manutenção do acesso a medicamentos e insumos faz parte dessa preocupação.
Colômbia tem cerca de 3 milhões de adultos com diabetes
Dados do Atlas de Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF) ajudam a dimensionar o número de pessoas que podem depender de acompanhamento e tratamento contínuos no país.
Em 2024, a Colômbia tinha aproximadamente 3,03 milhões de adultos entre 20 e 79 anos vivendo com diabetes, o equivalente a uma prevalência estimada de 8,4% da população adulta quando considerado o indicador padronizado por idade.
O país ocupa a terceira posição na América do Sul e Central em número de adultos com diabetes, segundo a IDF.
É importante destacar que esse número reúne os diferentes tipos de diabetes e, portanto, não deve ser interpretado como uma estimativa específica de diabetes tipo 2.
Para o diabetes tipo 1, a IDF apresenta uma estimativa separada: aproximadamente 47,7 mil pessoas de todas as idades vivem com DM1 na Colômbia. Entre crianças e adolescentes de até 19 anos, são cerca de 9,8 mil.
No diabetes tipo 1, o organismo produz pouca ou nenhuma insulina e o tratamento diário com o hormônio é necessário. Por isso, situações que dificultem o acesso à insulina precisam ser consideradas nas ações de assistência às populações afetadas.
Pessoas com diabetes começam a organizar arrecadações
Nas redes sociais, integrantes da comunidade de diabetes na Colômbia começaram a divulgar iniciativas para reunir medicamentos e materiais destinados às pessoas que tiveram o tratamento afetado pelo terremoto.
Uma das mobilizações está sendo conduzida pela ativista @carolinatipo1. Em publicação no Instagram, ela informou que está organizando, em Bogotá, o recebimento de insulina e outros insumos para posterior encaminhamento a Chocó e a outras cidades onde houver necessidade.
“Em Bogotá serão arrecadadas insulinas e insumos para enviar a Chocó e outras cidades que precisarem”, informa a publicação.
Entre os materiais mencionados estão insulina e outros produtos utilizados por pessoas com diabetes. A orientação divulgada pela mobilização é de que os itens enviados estejam dentro do prazo de validade.
As informações sobre os locais de recebimento estão sendo repassadas diretamente pela organizadora por mensagem privada nas redes sociais.
Continuidade do tratamento é uma preocupação em situações de desastre
Para pessoas que utilizam insulina, desastres naturais podem criar dificuldades específicas. Falta de energia elétrica, interrupção do transporte, danos a unidades de saúde, deslocamento da população e problemas na distribuição de medicamentos podem interferir no acesso ao tratamento.
A situação requer atenção principalmente entre pessoas com diabetes tipo 1, que necessitam de insulina diariamente. A própria IDF destaca que pessoas com DM1 dependem do acesso contínuo ao medicamento.
Além da insulina, o tratamento pode envolver agulhas, seringas, canetas, tiras reagentes, glicosímetros, sensores de glicose e outros materiais, dependendo da terapia utilizada por cada pessoa.
Por isso, a identificação das necessidades locais é uma etapa importante antes do envio de doações. Medicamentos como a insulina também exigem condições específicas de armazenamento e transporte.
Um Diabético acompanha mobilização na Colômbia
O Portal Um Diabético está em contato com a Asociación Colombiana de Diabetes, além de ativistas e pessoas com diabetes que estão no país, para acompanhar a situação e identificar as demandas relacionadas à continuidade do tratamento nas áreas afetadas.
A Asociación Colombiana de Diabetes integra a rede de organizações reconhecidas pela Federação Internacional de Diabetes no país.
O portal também acompanha as iniciativas independentes que começaram a ser organizadas após o terremoto, incluindo a arrecadação coordenada por @carolinatipo1 em Bogotá.
Novas informações sobre pontos de arrecadação, necessidades específicas e formas de contribuição serão divulgadas após a confirmação com as organizações e pessoas responsáveis pelas ações locais.
