O pão francês precisa sair do café da manhã? Quem tem diabetes tipo 2 pode comer frutas logo cedo? Essas são algumas das dúvidas mais comuns quando o assunto é alimentação e controle da glicose. Segundo a nutricionista Tarcila Campos, membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o café da manhã pode continuar incluindo alimentos tradicionais, desde que haja atenção às quantidades e combinações.
Diabetes tipo 2 não significa que você fez tudo errado
Antes de falar sobre o café da manhã, Tarcila destaca que o diabetes tipo 2 é uma condição multifatorial.
Segundo ela, fatores como idade, genética, sedentarismo, excesso de gordura abdominal e alimentação participam do desenvolvimento da doença. Portanto, o diagnóstico não deve ser encarado como consequência exclusiva daquilo que a pessoa comeu ao longo da vida.
Nesse contexto, ela alerta para um erro comum: acreditar que será necessário cortar todos os alimentos considerados “gostosos”.
“Não é uma sentença. A pessoa não precisa perder o prazer em comer. O importante é organizar a forma e muitas vezes a quantidade daquele alimento”, explicou.
1. Não corte o pão francês sem antes olhar o restante da refeição
Uma das maiores preocupações de quem recebe o diagnóstico é o pão do café da manhã.
Segundo Tarcila, o pão francês pode continuar fazendo parte da alimentação. No entanto, a forma como ele é consumido faz diferença.
A nutricionista explica que o pão é uma fonte de carboidrato e tende a elevar a glicose mais rapidamente quando consumido sozinho. Por isso, a estratégia é associá-lo a uma fonte de proteína.
Um exemplo citado por ela é manter o pão francês e acrescentar um ovo mexido.
Além disso, reduzir excessos também pode ajudar. Em alguns casos, retirar parte do miolo ou evitar pães muito grandes pode ser uma alternativa.
2. Inclua uma fonte de proteína logo pela manhã
Segundo a especialista, uma das formas de reduzir picos glicêmicos no café da manhã é combinar carboidratos com proteínas.
Nesse contexto, opções como ovos, queijos e iogurte natural podem contribuir para uma absorção mais lenta dos carboidratos.
Por outro lado, refeições compostas apenas por pão, torrada ou outros alimentos ricos em carboidratos tendem a provocar uma resposta glicêmica mais rápida.
“Não precisa tirar o pão. Muitas vezes basta acrescentar uma proteína”, afirmou.
3. Frutas podem fazer parte do café da manhã
Outro mito comum é a ideia de que algumas frutas são proibidas para quem tem diabetes tipo 2.
Segundo Tarcila, não existe fruta proibida e também não existe uma fruta ideal para todas as pessoas.
Banana, manga, mamão, uva e outras frutas podem ser incluídas na alimentação. No entanto, a quantidade e a combinação fazem diferença.
Além disso, ela explica que consumir a fruta junto com uma fonte de proteína, como iogurte natural, pode gerar uma resposta diferente daquela observada quando a fruta é consumida sozinha.
A orientação é escolher frutas que façam sentido para a rotina e para o acesso de cada pessoa.
4. Comida de verdade pode ser uma boa opção no café da manhã
Segundo a nutricionista, alimentos tradicionais da cultura brasileira podem ser alternativas interessantes para o café da manhã.
Ela cita exemplos como cuscuz, mandioca, macaxeira, batata-doce e outras preparações feitas com alimentos in natura ou minimamente processados.
Além disso, esses alimentos podem ser combinados com ovos, queijo ou outras fontes de proteína.
Tarcila destaca que o Guia Alimentar para a População Brasileira valoriza justamente esse tipo de alimentação e reforça que o café da manhã não precisa ser composto apenas por produtos industrializados.
Aveia não é um alimento mágico
Muitas pessoas acreditam que trocar o pão pela aveia resolve automaticamente o problema da glicose.
No entanto, a especialista alerta que a aveia também contém carboidratos.
Embora tenha fibras e nutrientes importantes, o excesso pode impactar os níveis de glicose da mesma forma.
Por isso, ela reforça que o foco não deve estar em encontrar um alimento milagroso, mas em entender a quantidade adequada para cada pessoa.
O café da manhã precisa respeitar a rotina de cada pessoa
Segundo Tarcila, o planejamento alimentar deve considerar a realidade de quem vive com diabetes tipo 2.
Nem todas as pessoas têm acesso aos mesmos alimentos, aos mesmos horários ou às mesmas condições financeiras.
Por isso, estratégias simples costumam ser mais sustentáveis ao longo do tempo.
Enquanto isso, a ideia de que apenas alimentos caros ou produtos específicos para diabetes funcionam não encontra respaldo na prática clínica apresentada pela especialista.
Ela reforça que a educação em diabetes passa por compreender o papel dos alimentos, das quantidades e das combinações, sem transformar o diagnóstico em uma lista de proibições.
