Um aparelho apresentado durante o EASD 2026, em Milão, avalia em cerca de três minutos sinais relacionados à neuropatia. O jornalista Tom Bueno, que vive com diabetes tipo 1 há cerca de 20 anos, testou a tecnologia durante a cobertura do congresso.
O procedimento é feito com as mãos e os pés apoiados sobre placas do equipamento. Após a realização do teste, o aparelho apresenta o resultado da função avaliada.
No caso de Bueno, o exame não identificou sinais de alteração nos parâmetros analisados. O resultado, porém, não permite afirmar sozinho que não exista neuropatia.
Como o aparelho avalia a neuropatia
A tecnologia utilizada no teste é chamada Sudoscan, que avalia a resposta das glândulas responsáveis pela produção de suor nas mãos e nos pés.
Para isso, aplica um estímulo elétrico de baixa intensidade e mede a resposta da pele. O resultado está relacionado à chamada condutância eletroquímica da pele, uma medida que pode fornecer informações sobre a função das pequenas fibras nervosas.
Essas fibras participam do funcionamento das glândulas sudoríparas e também estão envolvidas em diferentes funções do sistema nervoso periférico.
Na neuropatia diabética, alterações nos nervos podem comprometer a sensibilidade e outras funções. Dependendo do tipo de fibra afetada, a pessoa pode apresentar sintomas como formigamento, dor ou perda de sensibilidade. O exame, no entanto, avalia apenas uma parte dessas funções.
Resultado não substitui avaliação clínica
Um resultado sem alterações no teste não exclui todos os tipos de neuropatia. A avaliação da complicação pode envolver exame físico, testes de sensibilidade e outros procedimentos, de acordo com os sintomas e a avaliação do profissional de saúde.
Estudos já investigaram a utilização da condutância eletroquímica da pele na identificação de alterações associadas à neuropatia diabética.
Uma revisão publicada em 2026 reuniu estudos sobre o uso do método em pessoas com diabetes e encontrou associação entre alterações na medida e a presença de neuropatia. Os pesquisadores também apontaram diferenças entre os trabalhos analisados e limitações para estabelecer parâmetros que possam ser aplicados de maneira uniforme.
Isso significa que o resultado de um teste como o realizado durante o congresso precisa ser interpretado dentro da avaliação clínica de cada pessoa.
Tecnologia foi testada durante o EASD
O teste realizado por Tom Bueno aconteceu durante a cobertura do EASD 2026, congresso que reúne pesquisadores, profissionais de saúde e empresas relacionadas ao diabetes em Milão.
A tecnologia foi apresentada na área de exposição do evento. A demonstração de um aparelho durante o congresso não significa, por si só, que ele tenha sido incorporado às recomendações médicas ou que exista consenso científico sobre sua utilização.
O Um Diabético acompanha o EASD 2026 para identificar quais estudos foram apresentados, quem participou das pesquisas e quais informações podem ter impacto para pessoas com diabetes.
A cobertura também diferencia resultados de pesquisas, discussões científicas e tecnologias apresentadas por empresas. A proposta é contextualizar cada informação de acordo com o nível de evidência disponível.
No caso do Sudoscan, o resultado obtido por Tom Bueno representa uma experiência individual com o aparelho e não pode ser utilizado para determinar a presença ou ausência de neuropatia em outras pessoas.
A cobertura do congresso continua nos próximos dias, com acompanhamento de pesquisas, apresentações e tecnologias relacionadas ao diabetes.