Uma crise de herpes pode ir além das bolhas e da ardência na pele. Para quem vive com diabetes, a infecção também pode dificultar o cuidado com a glicose.
Esse é um dos principais alertas do episódio do DiabetesCast com o infectologista Igor Marinho, apresentado pelo jornalista Tom Bueno e disponível no YouTube e no Spotify.
“Inclusive, o herpes pode causar a descompensação de doenças como, por exemplo, o próprio diabetes”, afirma o médico durante a entrevista.
A conversa parte de uma dúvida de quem enfrenta episódios recorrentes: qual é a relação entre herpes, diabetes e as defesas do organismo? Ao longo do programa, Marinho explica as diferenças entre as infecções, aborda o acompanhamento das crises e destaca a vacinação contra o herpes-zóster.
Por que uma crise de herpes merece atenção no diabetes?
Na entrevista, o infectologista explica que o estado de saúde da pessoa influencia a manifestação da infecção. Quando a glicose permanece elevada e o diabetes está fora das metas de tratamento, as defesas do organismo podem ficar comprometidas.
“Então o herpes tem uma relação direta com a sua condição imunológica naquele momento”, diz Marinho.
A relação entre diabetes e infecções funciona nos dois sentidos. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a hiperglicemia pode prejudicar mecanismos de defesa, enquanto uma infecção pode piorar o controle glicêmico.
No caso específico do herpes-zóster, a diretriz da SBD também aponta maior risco de desenvolver a doença entre pessoas com diabetes. Por isso, é importante distinguir esse quadro do herpes simples, em vez de tratar todas as infecções como se tivessem o mesmo comportamento.
Herpes na boca e herpes-zóster são diferentes
Uma das explicações centrais do DiabetesCast é que o nome parecido pode gerar confusão. O simples está associado aos vírus HSV-1 e HSV-2. O primeiro é a principal causa do herpes oral, enquanto o segundo está mais ligado ao genital. Ambos, porém, podem provocar infecção na região genital, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS).
As manifestações podem incluir pequenas bolhas agrupadas, feridas, ardência e dor. Mesmo quando as lesões desaparecem, o vírus permanece no organismo e pode voltar a se manifestar.
O herpes-zóster, conhecido popularmente como cobreiro, tem outra origem: é causado pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. O quadro costuma provocar dor e lesões em uma faixa da pele, geralmente de um lado do corpo, acompanhando a região de um nervo.
“Mas o grande detalhe do herpes zóster é que ele costuma durar mais tempo e ele costuma ser muito mais doloroso”, explica Marinho.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), uma das possíveis complicações é a neuralgia pós-herpética, dor que pode persistir depois do desaparecimento das lesões.
Por que pode voltar depois de anos?
O episódio também aborda a capacidade desses vírus de permanecerem no organismo sem provocar sintomas o tempo todo. Esse período é chamado de latência.
“A manifestação pode acontecer não somente meses depois de eu ter entrado em contato com o vírus, mas às vezes até anos depois”, afirma o infectologista.
Isso ajuda a entender por que o surgimento de lesões não significa, necessariamente, que a infecção foi adquirida recentemente. No herpes simples, também é possível transmitir o vírus mesmo sem feridas visíveis, de acordo com a OMS.
Para quem tem crises frequentes, Marinho recomenda acompanhamento para avaliar o tratamento e investigar fatores que possam estar associados às recorrências.
Crises repetidas podem exigir tratamento preventivo
Ter várias vezes não significa que a pessoa precise apenas esperar as lesões desaparecerem. Durante o DiabetesCast, o médico explica que, em determinadas situações, o profissional pode prescrever antivirais por um período prolongado para reduzir as recorrências do herpes simples.
“É uma medicação para evitar que isso acabe se manifestando tanto”, resume.
A decisão depende da avaliação individual. Na conversa, o infectologista também destaca a importância de observar o controle do diabetes, o sono e outras condições de saúde.
Os antivirais ajudam a tratar e prevenir manifestações, mas não eliminam o vírus do organismo. A OMS informa que ainda não há vacina licenciada contra o herpes simples.
Existe vacina contra o herpes-zóster?
A prevenção do herpes-zóster ocupa parte importante da entrevista. Diferentemente do herpes simples, essa doença pode ser prevenida com vacina.
Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a vacina recombinante é indicada para pessoas a partir dos 50 anos e, desde os 18 anos, para imunocomprometidos ou pessoas com risco aumentado de herpes-zóster. O esquema tem duas doses, e a indicação deve considerar a situação clínica.
“Então, procure o seu médico, pergunte sobre a importância de tomar essa vacina”, orienta Marinho.
O infectologista também lembra que ter apresentado herpes-zóster anteriormente não impede uma nova ocorrência. Por isso, quem já teve a doença também deve discutir a vacinação com o profissional de saúde, conforme as recomendações para sua faixa etária e condição clínica.
Assista ou ouça ao DiabetesCast completo
Além da relação com a glicose, o episódio explica como reconhecer as diferenças entre os quadros, por que as crises podem reaparecer e quais cuidados entram na prevenção.
“Os sintomas podem atrapalhar a nossa vida, atrapalhar uma viagem, atrapalhar o trabalho”, afirma Igor Marinho.
A conversa completa com o infectologista Igor Marinho, conduzida por Tom Bueno, está disponível no DiabetesCast, no YouTube e no Spotify.
